logo paraiba total
logo paraiba total
banco central, selic
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Maioria dos bancos espera corte de 0,5 p.p na taxa Selic em março e antevê juros abaixo de 12,25%

Pesquisa com 21 instituições revisa para cima crescimento do crédito em 2026, de 8,2% para 8,4%, e vê inadimplência em queda a partir deste ano

19 de fevereiro de 2026

Após a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central de janeiro, os bancos brasileiros avaliam que o Copom irá cortar a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto percentual em março, seguindo com este ritmo de cortes nas próximas reuniões. Além disso, pouco mais de 60% dos participantes acreditam que os juros básicos devem ficar abaixo de 12,25% ao ano em dezembro, nível inferior ao da atual expectativa trazida pelo Boletim Focus, do Banco Central.

 

É o que aponta a Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban, que ouviu 21 bancos entre 03 e 09 de fevereiro. Para a maioria dos participantes (76,2%) foi adequada a decisão do Copom de manter os juros inalterados em janeiro e já sinalizar o início do ciclo de flexibilização em março.

 

A pesquisa, realizada de 45 em 45 dias, logo após a divulgação da ata da última reunião do Copom, revela ainda uma elevação na expectativa de crescimento da carteira de crédito total em 2026, que subiu de 8,2%, na pesquisa de dezembro, para 8,4% na pesquisa atual. Em linha com os números recentes do segmento, o levantamento mantém a tendência de desaceleração gradual do mercado de crédito – em 2025, a expansão do saldo situou-se na faixa de dois dígitos (10,2%).
Os dados refletem o aumento da expectativa de crescimento do crédito direcionado ao longo do ano, cuja projeção subiu de 9,4% para 9,6%. Essa alta é explicada pelo crédito para empresas, que se elevou de 9,7% para 11,1%, sustentado pelos programas governamentais para as micro, pequenas e médias empresas. Na carteira direcionada às famílias, a expectativa de crescimento caiu ligeiramente, de 9,1% para 9,0%, dados os sinais ainda de baixo dinamismo no crédito rural.
Na carteira livre, a expectativa de crescimento ficou estável em 7,6%. De um lado, o crescimento esperado para a carteira para pessoas físicas (PF) subiu de 8,6% para 9,1%, em função da resiliência do mercado de trabalho, que tem impulsionado as linhas voltadas para o consumo. De outro, houve redução na projeção para a carteira de pessoas jurídicas (PJ), que caiu de 6,2% para 5,6%.

 

A Pesquisa mantém o viés de alta para as projeções do mercado de crédito, algo que temos observado desde o ano passado. Assim, mesmo com uma taxa Selic bastante elevada, o crédito deve manter um bom ritmo de expansão neste ano, ainda que com leve moderação, avalia Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.

 

Essa revisão altista nas projeções segue concentrada na carteira livre destinada às famílias e com recursos direcionados para as empresas”, complementa Sardenberg.

 

 

PIB

 

A Pesquisa captou um aumento da dispersão das projeções para o PIB deste ano. Caiu de 55,0% para 38,1% a proporção daqueles que projetam um crescimento na faixa de 1,8% para 2026 (atual consenso de mercado). Por outro lado, aumentou a proporção daqueles que esperam um crescimento menor (33,3%) ou maior (28,6%) do que tal patamar, embora sem uma direção clara. De todo modo, interessante observar que o percentual daqueles que esperam PIB maior que o consenso (1,8%) subiu de forma expressiva. Como dissemos foi a 28,6% dos respondentes, mas este número estava em apenas 15% na pesquisa anterior.

 

 

Fiscal

 

A maioria dos participantes (71,4%) entende que o governo precisará adotar medidas adicionais para cumprir a meta fiscal deste ano (pouco abaixo do observado na pesquisa anterior, de 80,0%). Destes, 47,6% esperam que a agenda seja focada em medidas do lado das despesas (contingenciamento ou exclusão de despesas da meta).

 

 

Inadimplência

 

A projeção para a inadimplência da carteira livre para 2026 ficou estável em 5,2%, após fechar 2025 em 5,5%, reforçando a expectativa de que a inadimplência está próxima do seu pico e que deve começar a cair em breve, com a proximidade do início de queda da taxa Selic. Para 2027, a projeção é de 4,9%, mantendo a expectativa de recuo do indicador.

 

 

Crédito em 2027

 

A Pesquisa também captou pela primeira vez projeções para 2027. A expectativa de crescimento da carteira total ficou em 7,7%, patamar um pouco inferior ao projetado para este ano (8,4%). A projeção reflete altas esperadas de 7,4% para a carteira livre e de 8,3% para a direcionada.

 

 

A íntegra da Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas pode ser acessada neste link.

Fonte: Febraban