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Foto: Imagem gerada com IA

Golpes de aluguel disparam no Carnaval e consumidor deve redobrar cuidado, diz especialista

Professor de Direito do Consumidor orienta desconfiar de preços muito baixos, pressa para fechar negócio e pagamento antecipado apenas por PIX; prefira plataformas digitais

13 de fevereiro de 2026

A proximidade do Carnaval aumenta a procura por imóveis de temporada em todo o país, mas também amplia o risco de golpes envolvendo aluguel. Em um cenário de pressa e alta demanda, consumidores acabam tomando decisões rápidas, o que favorece fraudes. O alerta é do professor de Direito do Consumidor da Faculdade ESEG, Alexandre Peres Rodrigues.

Dados recentes mostram que o problema é amplo. Segundo relatório divulgado em 2026 pela Global Anti-Scam Alliance, os brasileiros tiveram prejuízo estimado em R$ 99 bilhões com golpes ao longo do último ano. Embora o levantamento englobe diferentes tipos de fraude, especialistas apontam que os crimes ligados a aluguel e hospedagem aumentam em períodos de feriados prolongados, como o Carnaval.

De acordo com Alexandre, os golpes de aluguel mais comuns envolvem anúncios com fotos irreais ou que não representam a real condição do imóvel. Outra prática recorrente é o aluguel do mesmo imóvel para mais de um locatário ao mesmo tempo, com todos pagando adiantamentos sem saber da existência de outros interessados. Há ainda casos de perfis falsos, em que o suposto locador ou empresa simplesmente desaparece após o pagamento.

Alguns sinais ajudam a identificar anúncios suspeitos. Preços muito abaixo da média de mercado, pressão para fechar o negócio rapidamente e exigência de pagamento antecipado apenas via PIX estão entre os principais alertas. “Se o valor está muito fora do padrão, é preciso desconfiar. A urgência costuma ser usada como estratégia para o golpe”, explica o professor.

Levantamento da Serasa Experian mostra que o Brasil registrou, ao longo de 2025 e início de 2026, uma média mensal superior a 1 milhão de tentativas de fraude, o que indica um ambiente favorável para golpes digitais. Esse cenário se intensifica em datas de grande movimentação turística, quando consumidores buscam soluções rápidas para hospedagem.

No Carnaval de 2026, por exemplo, a procura por imóveis de temporada cresceu cerca de 20% em capitais turísticas, segundo dados do setor imobiliário e do turismo. Em algumas cidades, imóveis que custam em média R$ 4 mil por mês fora de temporada chegaram a ser anunciados por até R$ 25 mil para poucos dias de folia, o que aumenta tanto o interesse quanto o risco de anúncios fraudulentos.

Para reduzir as chances de prejuízo, Alexandre Peres Rodrigues recomenda priorizar plataformas digitais de aluguel, que atuam como intermediadoras da negociação. “Essas plataformas são fornecedoras de serviço e têm responsabilidade sobre a intermediação, ainda que tentem se afastar dos conflitos. Elas oferecem mais rastreabilidade e caminhos para ressarcimento”, afirma.

Fechar acordos apenas por redes sociais ou aplicativos de mensagens é considerado arriscado. O ideal é usar esses canais apenas para o primeiro contato e formalizar a negociação dentro de uma plataforma. Além disso, a ausência de contrato, embora comum em aluguéis de temporada, aumenta o risco de fraudes e dificulta a comprovação do que foi combinado.

Caso o consumidor perceba que caiu em um golpe, a orientação é agir rapidamente. É importante reunir provas, entrar em contato com a plataforma e o banco, além de registrar um boletim de ocorrência. “Documentar tudo e demonstrar boa-fé são passos essenciais para tentar resolver o problema”, reforça o especialista.

Para quem deixa o aluguel para a última hora, o recado é direto: não baixar a guarda. Pesquisar a localização do imóvel, checar avaliações, buscar a reputação do anunciante em canais como Procon e Reclame Aqui e manter o bom senso são atitudes fundamentais. “Enquanto o folião está focado na festa, o golpista está atento às oportunidades”, conclui Alexandre.

Fonte: Assessoria