Afya Paraíba alerta para aumento dos casos de câncer e reforça importância do diagnóstico precoce
No Fevereiro Laranja, campanha chama atenção para a leucemia e para sinais que não devem ser ignorados
13 de fevereiro de 2026
O câncer ainda representa um dos principais desafios da saúde pública no Brasil, especialmente porque muitos dos seus sinais iniciais são silenciosos ou facilmente confundidos com problemas menos graves. O alerta é de Rodrigo Marmo, gestor do Hospital Napoleão Laureano e professor da Afya Paraíba, ao destacar a importância do diagnóstico precoce e das campanhas de conscientização, como o Fevereiro Laranja, voltada ao combate à leucemia.
Na Paraíba, o cenário reforça a urgência do tema. De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o estado deve registrar mais de 13 mil novos casos de câncer por ano até 2028, considerando todos os tipos da doença. A projeção leva em conta fatores como o envelhecimento da população, a exposição a fatores de risco e, principalmente, o diagnóstico tardio, realidade ainda presente em parte significativa dos casos.
Segundo o especialista, sintomas aparentemente simples costumam ser subestimados pela população, o que contribui para diagnósticos tardios. “Na prática clínica e também na gestão hospitalar, observamos que muitos pacientes só procuram ajuda quando a doença já está mais avançada, porque atribuíram os sinais iniciais ao estresse, ao envelhecimento ou a problemas considerados simples”, afirma Marmo.
Sinais de alerta que não devem ser ignorados
Entre os principais sintomas que exigem atenção médica estão a perda de peso inexplicada, fadiga persistente e fraqueza sem causa aparente. Dores contínuas que não melhoram com tratamentos habituais, presença de nódulos ou massas em qualquer parte do corpo e sangramentos anormais — intestinais, urinários ou vaginais fora do período menstrual — também são sinais importantes.
Alterações neurológicas, como dor de cabeça progressiva, crises convulsivas, mudanças na visão, na força muscular ou no comportamento, além de tosse persistente, rouquidão prolongada e mudanças no hábito intestinal ou urinário, completam a lista de sintomas que não devem ser ignorados. “Escutar o corpo e buscar avaliação médica diante de alterações persistentes faz toda a diferença no prognóstico”, reforça o professor da Afya Paraíba.
Exames preventivos e rastreamento
O perfil epidemiológico da Paraíba acompanha a tendência nacional, com destaque para câncer de pele não melanoma, próstata e mama feminina entre os mais incidentes. Diante desse cenário, Rodrigo Marmo reforça que a prevenção e o diagnóstico precoce devem ser individualizados, mas alguns exames são fundamentais.
Para o câncer de mama, a recomendação é a mamografia a partir dos 40 anos, com periodicidade anual ou bienal. Já o câncer do colo do útero deve ser prevenido com o exame papanicolau, indicado a partir dos 25 anos, a cada três anos após dois exames normais consecutivos.
No caso do câncer de próstata, o PSA e a avaliação urológica são recomendados a partir dos 50 anos — ou 45 anos para grupos de risco — com acompanhamento anual. Para o câncer colorretal, a pesquisa de sangue oculto nas fezes pode ser realizada anualmente ou a colonoscopia indicada a partir dos 45 a 50 anos.
Pacientes tabagistas ou ex-tabagistas podem se beneficiar da tomografia de baixa dose para rastreio do câncer de pulmão, conforme avaliação médica. Já os cânceres do sistema nervoso não integram programas de rastreamento populacional, mas sintomas neurológicos persistentes exigem investigação imediata com exames de imagem.
“Programas organizados de rastreamento salvam vidas, reduzem custos do sistema de saúde e aumentam significativamente as chances de cura”, destaca o gestor.
Fevereiro Laranja e a leucemia
A campanha Fevereiro Laranja chama atenção para a leucemia, um tipo de câncer que pode evoluir rapidamente, mas que apresenta altas taxas de cura quando diagnosticado precocemente, especialmente em crianças e jovens.
Entre os sinais mais comuns da doença estão cansaço excessivo, palidez, infecções frequentes, manchas roxas ou sangramentos fáceis, febre persistente, dor óssea e aumento dos gânglios linfáticos. A campanha incentiva ainda a realização de exames simples, como o hemograma, além de combater a desinformação e estimular o encaminhamento rápido aos serviços especializados.
“No câncer hematológico, tempo é vida. Campanhas como o Fevereiro Laranja transformam informação em chance real de cura”, destaca Rodrigo Marmo.