Quase metade dos foliões admite extrapolar gastos no Carnaval, aponta pesquisa CNDL/SPC Brasil
Comportamento impulsivo e ausência de planejamento financeiro são agravados por pequenos gastos recorrentes; facilidade do PIX pode acelerar consumo sem percepção do total
12 de fevereiro de 2026
O Carnaval costuma ser sinônimo de liberdade, improviso e decisões tomadas no calor do momento. Em 2026, esse comportamento deve voltar a se refletir diretamente no bolso dos brasileiros, segundo a pesquisa “Intenção de Consumo Carnaval 2026”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas. Quase metade dos consumidores que pretendem gastar no período admite que costuma extrapolar os gastos durante a festa, revelando um padrão recorrente de consumo emocional e pouco planejado.
A tendência reforça que, mesmo com maior discurso de controle financeiro, o Carnaval segue sendo uma data de exceção no orçamento. O clima festivo, a socialização intensa e a sucessão de pequenos gastos ao longo dos dias criam um ambiente propício ao excesso.
Pequenos gastos que viram grandes valores
Entre os que reconhecem extrapolar, os principais vilões são despesas consideradas corriqueiras durante a folia. Comidas e bebidas lideram, seguidas por gastos com festas, eventos pagos e viagens. Isoladamente, esses desembolsos parecem inofensivos. Somados, transformam rapidamente o orçamento planejado em um valor muito maior do que o previsto.
O comportamento é potencializado pela dinâmica do Carnaval, marcada por consumo fragmentado, compras recorrentes e pouca percepção do total gasto.
Impulso vence o planejamento
O dado ganha ainda mais relevância quando cruzado com outro aspecto do comportamento do consumidor. Uma parcela significativa dos foliões chega ao Carnaval sem definir exatamente quanto pretende gastar. A ausência de um teto claro abre espaço para decisões tomadas no impulso, guiadas mais pelo contexto social do que pela racionalidade financeira.
Nesse cenário, o gasto deixa de ser uma escolha consciente e passa a ser uma consequência da experiência.
Embora muitos consumidores afirmem buscar maior controle financeiro, o Carnaval segue sendo tratado como um período fora da rotina. A lógica do “depois eu resolvo” se impõe, especialmente em um ambiente que estimula a celebração contínua e o consumo imediato.
A preferência por pagamentos à vista, especialmente via PIX, não elimina o risco de excesso. Pelo contrário, a facilidade do pagamento instantâneo reduz a fricção da compra e acelera a decisão, tornando o gasto quase invisível no momento em que acontece.
Risco maior para quem já está fragilizado
O alerta é ainda mais sensível quando se observa que parte dos consumidores que pretende gastar no Carnaval já convive com orçamento apertado ou contas em atraso. Para esse grupo, extrapolar gastos pode significar prolongar dificuldades financeiras nos meses seguintes.
O excesso, portanto, não é apenas um hábito sazonal, mas um fator que pode agravar situações já delicadas.
O retrato que emerge é o de um consumidor dividido entre o desejo de aproveitar a festa e a necessidade de preservar o equilíbrio financeiro. O Carnaval continua sendo um momento de escape e celebração coletiva, mas também expõe limites claros da educação financeira e do autocontrole em datas marcadas pela emoção.
Em 2026, a folia promete ser intensa. Para metade dos consumidores, o desafio será garantir que o excesso não dure mais do que os dias de festa.
Fonte: CNDL