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Foto: Divulgação

Carnaval desigual: classes A/B pretendem gastar mais, C/D/E vão cortar, aponta pesquisa

Enquanto consumidores de maior renda planejam ampliar gastos, quase um terço das classes mais baixas afirma que vai reduzir o consumo na folia de 2026

11 de fevereiro de 2026

O Carnaval de 2026 escancara uma realidade que vai além da festa: a desigualdade de renda também dita como, e quanto, o brasileiro consome durante a folia. Embora a celebração seja coletiva, o comportamento financeiro não é. A intenção de gasto se distribui de forma desigual entre as classes sociais, revelando um Carnaval vivido de maneiras muito distintas.

De um lado, consumidores das classes A e B aparecem como os mais dispostos a gastar mais do que no ano anterior, impulsionados por maior folga orçamentária e acesso a serviços de maior valor. Do outro, as classes C, D e E lideram a intenção de cortar gastos, refletindo um cenário de orçamento apertado e maior cautela financeira.

Quem tem renda, expande. Quem não tem, ajusta

Segundo a pesquisa “Intenção de Consumo Carnaval 2026”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, entre os consumidores de maior renda, 26% afirmam que pretendem gastar mais no Carnaval de 2026. Esse grupo concentra o consumo de serviços como viagens, hospedagem, festas privadas, ingressos e experiências pagas, itens menos sensíveis ao preço e mais associados ao lazer planejado.

Já entre as classes C, D e E, 31% dizem que vão gastar menos do que no ano passado, priorizando despesas essenciais ou optando por formas de participação mais econômicas, como eventos gratuitos, reuniões em casa ou permanência no próprio bairro.

A diferença de comportamento também aparece na forma de curtir a festa. Enquanto parte dos consumidores pretende viajar ou frequentar eventos pagos, uma parcela significativa opta por ficar em casa ou participar de celebrações locais, reduzindo custos com transporte, alimentação fora do lar e serviços.

Essa polarização mostra que o Carnaval não é apenas um evento cultural, mas também um termômetro social, capaz de refletir com clareza quem pode consumir mais e quem precisa conter gastos.

Consumo concentrado em poucos bolsos

O efeito prático dessa desigualdade é um consumo menos pulverizado. Mesmo com milhões de pessoas participando da folia, a movimentação econômica tende a se concentrar em uma parcela menor da população, limitando o impacto mais amplo para o varejo e os serviços.

Para o comércio, isso significa que o crescimento não virá do volume de consumidores, mas da capacidade de capturar o gasto de um público mais restrito, e, ao mesmo tempo, oferecer alternativas acessíveis para quem está cortando despesas.

O comportamento das classes C, D e E não indica desinteresse pela festa, mas adaptação à realidade financeira. A decisão de gastar menos é uma estratégia de sobrevivência em um contexto de inflação persistente, renda pressionada e insegurança econômica.

Nesse cenário, o Carnaval segue vivo, mas o consumo se torna mais seletivo, mais local e mais contido.

O retrato de uma folia fragmentada

O Carnaval de 2026 não será menor em animação, mas será fragmentado em termos de consumo. Enquanto alguns ampliam gastos, outros reduzem ao essencial. A festa continua sendo de todos — mas o bolso, definitivamente, não é igual para todos. Se quiser, sigo com a próxima mantendo abertura mais narrativa, sutiã enxuto e menos repetição estrutural.

Fonte: CNDL