Economia criativa: cultura e inovação como estratégia de desenvolvimento sustentável e inclusivo
Regina Amorim analisa como a cultura e a criatividade podem impulsionar o desenvolvimento sustentável e destaca a necessidade de políticas públicas mais efetivas para o setor no Brasil
9 de fevereiro de 2026
A cultura para o desenvolvimento brasileiro significa autonomia e empoderamento, mas também uma estratégia de futuro, com maior capacidade de refletir sobre as opções de desenvolvimento para o Brasil. A cultura é viva, enquanto fator econômico e social de uma região, pois compreende conhecimentos, crenças, artes, leis, costumes e hábitos de uma sociedade. É uma atividade aberta à curiosidade e à imaginação dos seres humanos.
A diversidade cultural deve ser compreendida como força propulsora do desenvolvimento sustentável. Um território criativo é condição necessária para um território inovador. A criatividade é uma força social que proporciona a interação entre culturas, inovação e tradição, pela diversidade cultural.
Esforços devem ser orientados em direção ao funcionamento de um projeto ou conceito que possa conectar ideias, pessoas e marcas através da criatividade, estratégia e inovação, capaz de atrair investidores, empreendedores que otimize produtos criativos, nos mercados nacional e internacional.
A cidade criativa é uma alternativa para o desenvolvimento de um território, considerando a economia criativa e as dinâmicas culturais, econômicas, sociais e ambientais. A economia criativa baseia-se em ativos criativos, que geram desenvolvimento econômico, estimula a geração de renda e promove a inclusão social, a diversidade cultural e o desenvolvimento humano.
Pensar a cidade criativa é conectar-se ao futuro, por meio de ações para realizá-lo. A Rede Mundial de Cidades Criativa da UNESCO, criada em 2002, visa estimular parcerias público-privada, como forma de fortalecer o desenvolvimento dos países e promover as diversas expressões culturais e vocações da economia criativa, na literatura, cinema, artesanato e arte popular, música, design, gastronomia e artes midiáticas.
Criatividade e inovação são referenciais competitivos entre profissionais criativos, empresas, regiões, cidades e países. É possível reduzir a pobreza das cidades, se a gestão municipal valorizar a energia criativa da população menos favorecida, para desenvolver suas habilidades e suas condições econômicas. Certamente essas comunidades podem ter uma vida social e econômica mais digna. A desigualdade social e econômica no Brasil é uma tendência preocupante. A informalidade é o campo invisível que constitui um dos piores efeitos para um sistema econômico.
Muitos governos municipais não priorizam o desenvolvimento local sustentável das cidades e a superação da pobreza, apenas ampliam a crise urbana, fruto de uma urbanização dissociada do desenvolvimento local. Pensar economia criativa sem conhecimento adquirido pelas pessoas a partir dos princípios da crença, é pensar desenvolvimento sem envolvimento.
Uma economia criativa inovadora não pode abdicar de políticas públicas que possam enfrentar o livre mercado, em favor dos empreendedores da cultura e da criatividade. Nos tempos atuais as comunidades culturais podem estar nos territórios físico e virtual, ao mesmo tempo, produzindo novas conexões em rede. Políticas públicas para uma economia criativa inovadora só é viável quando reconhece, amplia e conecta comunidades criativas.
A Agenda 2030 deve avançar no cumprimento dos ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, mas também avançar nas políticas públicas que garantam o princípio da sustentabilidade na economia criativa, como estratégia para a agenda de desenvolvimento sustentável, com envolvimento. A economia criativa brasileira ainda carece de estudos e de vontade política que tornem as políticas públicas efetivas, eficientes e eficazes.
As políticas públicas para a economia criativa devem garantir às comunidades criativas, aos artistas e aos empreendedores culturais, a capacidade de estabelecer objetivos, definir prioridades, gerenciar recursos e infraestruturas, para solucionar problemas, de forma a potencializar o desenvolvimento, com envolvimento desses atores. Políticas públicas para a economia criativa não podem combater o princípio da biodiversidade cultural, que compreende a riqueza e a variedade de culturas humanas, essenciais para a sustentabilidade econômica, social e cultural.

Foto: Linkedin
Sobre Regina Amorim
É gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae/PB. Formada em Economia pela UFPB, 1980, com Especialização em Gestão e Marketing do Turismo pela UNB – Universidade de Brasília e com Mestrado em Visão Territorial para o Desenvolvimento Sustentável, pela Universidade de Valência – Espanha e Universidade Corporativa SEBRAE.
Fonte: Regina Amorim