Até 3 de março: Exposição destaca encontros entre fotografia, memória e paisagem na cena cultural de João Pessoa
"Viva a Obra da Sua Vida", promovida pela Castro DI e em cartaz no Parahyba Mall, reúne trabalhos de Ismael Pessoa, Max Brito e Higor Pereira
9 de fevereiro de 2026
Ao reunir três percursos distintos, mas atravessados pela mesma inquietação artística, a exposição de fotografias “Viva a Obra da Sua Vida”, realizada pela Castro DI, propõe um encontro entre fotografia, pintura e memória. Em cartaz no Parahyba Mall, em João Pessoa até o dia 3 de março, com entrada gratuita, a mostra extrapola o registro visual e convida o público à contemplação, à identificação e à escuta.
Para Ismael Pessoa, a exposição representa um ponto de chegada e, ao mesmo tempo, de virada. Idealizado ainda no período em que vivia em São Paulo, o projeto nasceu do desejo de retornar a João Pessoa trazendo algo que rompesse com sua atuação consolidada na fotografia de eventos sociais. “Foi a realização de um sonho, porque até então eu nunca tinha trabalhado com arte. O objetivo final de todo esse processo sempre foi a exposição”, afirma.
A abertura ao olhar do outro é um dos eixos centrais da exposição. Cada obra admite múltiplas leituras, permitindo que o público construa sentidos próprios a partir da experiência individual. “Existe uma mensagem central, que é a minha história, mas ela se amplia na medida em que cada pessoa se reconhece de alguma forma”, diz. Casos de identificação imediata surgem como parte desse processo, a exemplo de uma médica oftalmologista que se viu representada em uma obra ligada ao olhar e decidiu incorporá-la ao seu espaço de trabalho.
Em diálogo com um universo mais introspectivo e simbólico, o fotógrafo Max Brito amplia o escopo da mostra ao apresentar uma série de fotografias de paisagem marcadas pela espontaneidade. Seu olhar não nasce de um exercício técnico rigoroso, mas da vivência. “Sempre fotografei paisagens nos intervalos dos trabalhos, nos deslocamentos. As imagens surgiam de forma espontânea”, conta.
Longe da lógica do cartão-postal, Max prefere registrar a paisagem como lembrança pessoal, carregada de estado emocional. Em vez de monumentos, surgem sensações: o silêncio de um dia comum, a tensão de um momento específico, ou simplesmente a pausa necessária para observar um pôr do sol. “A paisagem deixa de ser cenário e passa a carregar uma experiência”, define.
Embora atue hoje na fotografia corporativa, é nesse território autoral que Max mantém viva a motivação inicial que o levou à fotografia. “A paisagem é meu espaço de experimentação, lazer e reconexão”, afirma. Essa produção, guardada ao longo dos anos como memória, raramente chega ao público em exposições, o que torna sua presença em “Viva a Obra da Sua Vida” ainda mais significativa.
Outro ponto de convergência entre os dois artistas está na defesa da fotografia impressa como experiência estética. Para Max, a impressão devolve à imagem o tempo da contemplação. “No ambiente digital, a imagem é consumida rapidamente. Na exposição, ela exige pausa, silêncio e atenção”, observa. A materialidade da fotografia, segundo ele, preserva não apenas a estética, mas também a memória cultural do registro.
Arrematando e formando uma tríade poética-poderosa visualmente, o fotógrafo Higor Pereira apresenta sua vista aérea de pontos conhecidos e paisagens marcantes da região metropolitana de João Pessoa, levando o espectador a experimentar novos ângulos daquilo que já conhece.
Ao ocupar o espaço do Parahyba Mall, a exposição que conta com a realização da Castro Desenvolvimento Imobiliário, em confluência com o lançamento do Parque Lispector, cria uma pausa sensível no fluxo cotidiano da cidade. “Viva a Obra da Sua Vida” se constrói como um território de encontros: entre trajetórias, linguagens e públicos. Mais do que uma retrospectiva ou uma reunião de imagens, a mostra se afirma como um exercício de escuta visual, onde cada obra permanece aberta, disponível para novas leituras e afetos.