Santuário Frei Damião: Iniciativa promove vivência educativa no memorial de Guarabira
Iniciativa "Cultura Transforma" promove vivência educativa no memorial de Guarabira, um dos marcos da religiosidade popular do Nordeste
20 de janeiro de 2026
Em Guarabira, no alto da Serra da Jurema, há um ponto onde o vento parece carregar histórias. Histórias de fé, de promessas, de resistência e de um Nordeste que aprendeu a se reconhecer nas figuras que moldaram sua identidade. Foi nesse cenário, onde a cidade se revela inteira aos pés de uma estátua gigantesca, que paraíbanos vivem mais um capítulo do “Cultura Transforma”, iniciativa que tem colocado experiências culturais no centro da formação humana.
O destino desta vez foi o Santuário Memorial Frei Damião, um dos marcos mais emblemáticos da religiosidade popular nordestina. Com seus aproximadamente 34 metros de altura e visível de qualquer ponto de Guarabira, a estátua do frade capuchinho se impõe não apenas pela grandiosidade arquitetônica, mas pelo simbolismo espiritual. É a terceira maior estátua do Brasil, projetada por Alexandre Azedo, com o memorial assinado pelo arquiteto paraibano Gilberto Guedes. Desde a inauguração, em 2004, quando mais de 50 mil fiéis subiram a serra para acompanhar o momento histórico, o local se consolidou como destino de peregrinos, turistas e devotos.
Para o professor de História do GGE, Rafael Virgílio, a força do Santuário vai muito além da arquitetura monumental.
“Frei Damião é um dos grandes personagens da religiosidade brasileira popular. Desde que chegou ao Brasil, em 1931, criou uma relação profunda com o povo mais simples, especialmente do litoral pernambucano e paraibano. Suas missas abertas, sua presença nos momentos de seca, enchente e dificuldade fizeram dele uma figura de confiança. Quando falamos de Frei Damião, falamos de fé, mas também falamos de identidade nordestina”, pontua.
O impacto emocional do lugar é confirmado por quem o frequenta. Josélia Marques, dona de casa, guarda na memória a primeira vez que viu o frade. “Eu tinha uns 10 anos. Foi um momento lindo. Participar das missas lá em cima é algo que eu levo comigo. A gente sente paz, sente presença. É maravilhoso e sempre levo minha família”, conta.
Já para Andréia Gomes, o memorial é sinônimo de gratidão. “Minha prima sofreu um acidente e perfurou o pulmão. Ficou muito mal. Meu pai fez uma promessa. Subimos o memorial a pé, ao meio-dia, e pagamos a graça alcançada. É uma lembrança que a gente nunca esquece”, relembra.
Histórias como essas fazem parte da essência do Redescobrindo, quadro apoiado pelo GGE dentro do projeto Cultura Transforma. A proposta é revisitar lugares já conhecidos dos paraibanos, mas com outro olhar, um olhar que une território, memória e pertencimento. A cada capítulo, estudantes são convidados a construir conhecimento não apenas pelas páginas dos livros, mas pela vivência direta com a cultura que molda o estado.
No Santuário Frei Damião, essa vivência ganha contornos emocionais. O memorial, repleto de objetos pessoais, fotografias, artigos religiosos e estátuas em tamanho natural, aproxima o visitante do “Santo das Missões”, como ficou conhecido. Lá, cada peça parece ecoar o percurso do missionário que dedicou a vida às populações mais vulneráveis do Nordeste.
Para o GGE, experiências como essa reforçam o compromisso de formar alunos que compreendam seu tempo, sua história e seu lugar. O “Cultura Transforma” nasce justamente desse propósito: mostrar que aprender também é sentir, observar, caminhar e redescobrir.
E é assim, passo a passo, que o GGE reafirma sua missão: transformar educação em experiência, e experiência em conhecimento que permanece.
Fonte: Assessoria