CDI ou IPCA? Como se posicionar em Fundos Imobiliários de recebíveis?
Especialista explica como cada indexador reage de forma diferente aos ciclos de juros e inflação e o que isso significa para seu bolso
19 de janeiro de 2026
Em um cenário econômico marcado por oscilações na taxa de juros e na inflação, muitos investidores repensam sua estratégia de investimentos em renda fixa e buscam entender as particularidades dos Fundos Imobiliários atrelados ao CDI e ao IPCA.
Dentre as alternativas do mercado, os Fundos Imobiliários de recebíveis, conhecidos como fundos de “papel”, conseguem combinar rendimento recorrente com pouca oscilação, oferecendo previsibilidade aos seus cotistas, mesmo em cenários de volatilidade.
Os FIIs de papel alocam recursos em títulos de crédito imobiliário, como os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), geralmente indexados ao CDI ou ao IPCA. O desempenho desses fundos tende a variar conforme as condições do cenário econômico.
O sócio e diretor da Devant Asset Christiano Moreira destaca algumas características e comportamentos desses ativos.
“Os Fundos Imobiliários que investem em Certificados de Recebíveis Imobiliários indexados ao CDI tendem a performar melhor em ambientes de juros elevados. A rentabilidade desses fundos acompanha a taxa básica de juros. Porém, em períodos de queda da Selic, a rentabilidade desses fundos tende a diminuir.”
“Já os fundos com CRIs indexados ao IPCA oferecem proteção contra a inflação, preservando o poder de compra dos investidores no longo prazo. Estes fundos são particularmente atrativos em cenários de inflação elevada, embora também tendem a se valorizar quando há queda na taxa de juros e, inversamente, possam sofrer desvalorização quando ocorra aumento na taxa de juros”, explica.
Segundo o gestor, o importante é que, antes de decidir em qual tipo de fundo optar, o investidor leve em conta alguns fatores, como o prazo de investimento, o atual cenário econômico e sua atual tolerância ao risco.
Diversificação é a chave
Na visão do especialista, a diversificação cumpre um papel de extrema importância na carteira de investimentos. “Manter uma carteira resiliente e diversificada, que combine ativos atrelados tanto ao CDI quanto ao IPCA, permite navegar melhor pelos ciclos econômicos, protegendo o investidor das oscilações e maximizando as oportunidades”, explica.
O gestor também considera fundamental que os investidores avaliem os riscos associados a esse tipo de investimento. “Essas duas classes de fundos estão sujeitas a riscos de crédito, ou seja, à possibilidade de inadimplência dos emissores dos títulos. Além disso, ambos os fundos são impactados com a mudança na taxa básica de juros, porém em direções opostas, reforçando a importância da diversificação entre diferentes indexadores como estratégia de equilíbrio de risco e retorno ao longo prazo”, finaliza.