Retrofit de silos centenários no Recife Antigo transformam patrimônio industrial em moradia
A Moura Dubeux entregou, no dia 06 de janeiro, a obra de um dos retrofits mais complexos do país, transformando antigos silos industriais em novas moradias
12 de janeiro de 2026
No coração do Recife Antigo, junto ao Porto do Recife e ao polo de inovação do Porto Digital, um marco inédito de transformação urbana ganha forma com a conversão dos antigos silos do Moinho Recife em edifícios residenciais. As estruturas, que por décadas integraram o movimento industrial portuário, passam agora a desempenhar nova função na dinâmica da cidade, reforçando o potencial de reocupação e revitalização do bairro histórico. A entrega oficial da obra dos residenciais Silo 215 e Silo 240 aconteceu no dia 06 de janeiro, consolidando um dos projetos mais significativos da Moura Dubeux na valorização de patrimônio e na criação de novas possibilidades de moradia no Bairro do Recife.
A transformação dos dois silos simboliza um movimento que vai muito além da construção civil. É a reafirmação de que a cidade pode crescer a partir de sua própria história, reocupando áreas estratégicas com planejamento, criatividade e respeito ao legado arquitetônico. Desde 2009, quando cessaram as operações originais do complexo, a estrutura permanecia sem uso. Agora, ressurgem como novos pontos de luz e convivência na paisagem do Bairro do Recife, ampliando o fluxo de pessoas, fortalecendo o comércio local e estimulando um cotidiano mais ativo e seguro.
A chegada dos futuros moradores e investidores reforça um ciclo de transformação que começou com a instalação de cafés, escritórios, lojas e áreas abertas ao público no eixo já revitalizado do Moinho Recife Business & Life. Para Diego Villar, CEO da Moura Dubeux, essa conversão representa mais do que a entrega de novos empreendimentos: é a materialização de um novo olhar para o centro histórico.
“Os silos têm uma força simbólica muito grande. Eles contam a história do Recife industrial, e transformá-los em moradias é dar um novo capítulo a essa trajetória. É uma obra que ressignifica o bairro e abre caminho para que mais pessoas voltem a viver no coração da cidade”, afirma. Os novos edifícios oferecem um total de 251 unidades residenciais, entre estúdios e apartamentos de um ou dois quartos, com metragens que vão de 19 a 68 metros quadrados; além de duas lojas que ocuparão o piso térreo nas torres.
MEMÓRIA DA CIDADE – As tipologias preservam, de forma autêntica, o formato original dos antigos depósitos de trigo, mantendo a volumetria, as curvas e a geometria que caracterizam os silos centenários. Essa integração entre memória industrial e arquitetura contemporânea se estende às áreas comuns, que incluem rooftops conectados por passarela, piscinas aquecidas, lounge bar, academia, salão de festas, espaços de convivência e vistas amplas para o mar e para o tecido histórico da cidade.
As unidades se dividem em estúdios e apartamentos de um ou dois quartos, com metragens que variam de 19 a 68 metros quadrados. No Silo 240, as tipologias incluem apartamentos de 57 a 58 m² (1 quarto) e de 68 m² (2 quartos). Já no Silo 215, os moradores encontrarão opções de 42 a 46 m² (1 quarto), de 64 m² (2 quartos) e studios entre 19 e 23 m². Todos os formatos foram concebidos respeitando a circularidade e os limites geométricos das antigas células de armazenamento de grãos, o que reforça o encontro entre autenticidade histórica e funcionalidade contemporânea.
Essa intenção de preservar a identidade dos silos é um dos pilares de projeto. No Silo 215, a solução mais emblemática é o vão central que percorre os 11 pavimentos, revelado a partir da demolição controlada da laje inferior. Esse espaço funciona como uma “janela histórica” da antiga operação industrial, ao mesmo tempo em que cria iluminação, ventilação e um diferencial arquitetônico único. As unidades, configuradas a partir de um silo e meio, um silo inteiro ou meio silo, mantêm a forma original das células cilíndricas em plantas inusitadas, modernas e extremamente conectadas à memória da estrutura.
No Silo 240, o protagonismo da história se manifesta já no lobby, onde os antigos funis piramidais de armazenamento foram preservados e integrados como peças arquitetônicas de grande valor estético e emocional. Nas unidades, formadas pela junção de dois silos e meio ou três silos, a geometria original segue evidente, agora reinterpretada com conforto, vistas abertas para a cidade e soluções técnicas que garantem segurança e eficiência.
DESAFIO DA ENGENHARIA – A complexidade técnica do retrofit dos silos é um capítulo à parte. Sem documentação estrutural consolidada e trabalhando com edificações erguidas há mais de um século, a Moura Dubeux precisou realizar uma série de ensaios avançados para garantir segurança e confiabilidade. Foram executados estudos detalhados de carbonatação, penetração de íons cloreto, esclerometria, extração de corpos de prova e ensaios de escoamento do aço.
O escaneamento das estruturas por nuvem de pontos permitiu gerar um mapeamento arquitetônico preciso, orientando cada intervenção em um projeto onde cada centímetro fazia diferença. As soluções estruturais envolveram a construção de vigas de transição, reforços internos, lajes de travamento, ancoragens químicas instaladas a cada quarenta centímetros nas paredes curvas dos silos e a criação de uma laje superior robusta que permitiu a demolição controlada de pavimentos internos.
No Silo 240, aproximadamente um terço do edifício precisou ser demolido integralmente devido à baixa resistência da estrutura frontal. A antiga passarela de transporte de grãos, situada a vinte metros de altura, foi removida e reconstruída em estrutura metálica moderna, garantindo desempenho, durabilidade e conforto para os usuários. A logística da obra também exigiu soluções inéditas.
Sem recuos e instalado no centro de uma requalificação urbana em andamento, o canteiro funcionou como uma operação cirúrgica, com múltiplas frentes de demolição ocorrendo simultaneamente. Máquinas especiais precisaram ser importadas e equipes receberam treinamento específico para executar cortes e demolições com alto grau de precisão. No topo, os galpões de distribuição de grãos foram demolidos e substituídos por estrutura apta a receber rooftops com áreas de lazer e convivência.
ECONOMIA CIRCULAR – Esse cuidado técnico também guiou o conjunto de medidas de sustentabilidade, que reforçam o compromisso da Moura Dubeux com economia circular e redução de impactos. Ao reaproveitar uma estrutura integral que poderia ter sido demolida, o retrofit evitou a geração de resíduos em larga escala e diminuiu o consumo de novos insumos. Parte dos materiais removidos foi reutilizada no próprio empreendimento, incorporada à praça da Comunidade do Pilar, destinada a execução de bases e sub-bases.
O aço retirado foi reaproveitado ou reciclado, e sistemas de captação de água da chuva foram adotados para abastecer equipamentos de corte e lavagem durante a obra. Esse compromisso com sustentabilidade e legado também se traduz em impacto social ao longo da execução do projeto. O MD Social, programa voltado à qualificação profissional, conecta inclusão, capacitação e empregabilidade na construção civil. Desde abril de 2023, já foram formadas 39 turmas, com 711 pessoas capacitadas em ofícios como carpintaria, hidráulica e revestimento, com mais de 40% de participação feminina. Parte expressiva dos alunos já atua em obras da própria empresa, ampliando oportunidades e gerando transformação real.
A obra dos silos foi a primeira a receber uma turma do MD Social voltada para moradores da Comunidade do Pilar, com o curso de auxiliar de demolição. Todos os dez participantes foram absorvidos pela obra após a conclusão do curso, reforçando o papel do empreendimento como agente de desenvolvimento urbano e social. O ineditismo e a complexidade da obra foram reconhecidos nacionalmente. Este ano, o Silo 215 recebeu o Prêmio Talento Engenharia Estrutural na categoria Sustentabilidade, promovido pela Gerdau e pela ABECE, considerado o mais relevante do setor no país.
Da mesma forma o projeto recebeu o Prêmio InovaInfra 2024. A MD foi premiada pelo projeto de retrofit do Moinho, que incluiu os Silos 215 e 240, em Recife, destacando-se pela inovação na reabilitação de estruturas antigas para uso moderno. O projeto foi reconhecido como um caso de referência na categoria de soluções em engenharia. O evento, organizado pela Revista O Empreiteiro, contou com mais de 120 projetos inscritos e teve como foco inovações em infraestrutura, tecnologias digitais e sustentabilidade.
A obra também chamou a atenção de engenheiros estrangeiros, incluindo uma comitiva holandesa que visitou o Recife e conheceu o projeto. O complexo integrou ainda a programação da Missão Empresarial do Enredes, consolidando os silos como um estudo de caso em inovação técnica e requalificação urbana. De acordo com Diego Villar, esse é um movimento que projeta o Recife para o futuro. “Quando mostramos que é possível unir patrimônio histórico, engenharia de ponta e sustentabilidade, criamos uma referência para outras cidades brasileiras. O Bairro do Recife volta a ser um território de moradia, inovação e convivência”.
Villar destaca que transformar estruturas centenárias em moradias contemporâneas é um gesto que simboliza compromisso com a história, com a sustentabilidade e com uma visão de cidade mais integrada, vibrante e humana. “Este é um legado que a empresa deixa para o Recife e, ao mesmo tempo, um convite para que outras iniciativas de retrofit e reuso urbano ganhem força nos próximos anos”, finaliza.
Fonte: Assessoria