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Foto: Divulgação

Varejo brasileiro mira expansão internacional, mas cautela cresce em relação aos EUA

O desejo de levar marcas nacionais para além das fronteiras segue em alta entre os empresários do setor

12 de janeiro de 2026

O desejo de levar marcas nacionais para além das fronteiras segue em alta entre os empresários do setor. Segundo o Relatório do Varejo 2025, elaborado pela Adyen, uma em cada cinco varejistas brasileiras com faturamento acima de R$ 60 mil planeja expandir suas operações para outros países neste ano.

O levantamento, realizado com 500 empresas brasileiras entre fevereiro e março, mostra que os Estados Unidos ainda são o destino mais desejado, seguido por Argentina e Chile. Juntos, esses mercados representam a principal rota de internacionalização para o varejo brasileiro.

Apesar da atratividade do mercado americano, o estudo aponta um dado importante: 41% dos empresários brasileiros citaram os EUA como destino favorito em 2025, queda de sete pontos percentuais em relação ao ano passado. A retração acontece em meio ao aumento das barreiras tarifárias e à maior complexidade logística para competir em um dos mercados mais maduros e disputados do mundo.

Ainda assim, os EUA seguem como vitrine global e trampolim para marcas que querem conquistar escala, acesso a capital e visibilidade internacional.

América do Sul como porta de entrada

Enquanto isso, Argentina e Chile aparecem como alternativas estratégicas de expansão. Além da proximidade geográfica e cultural, esses países oferecem custos operacionais mais acessíveis e consumidores que já estão familiarizados com marcas brasileiras. Para muitos varejistas, a América do Sul funciona como porta de entrada para a internacionalização, permitindo testar modelos de negócio antes de investir em mercados mais complexos.

A expansão internacional do varejo brasileiro tem sido puxada, principalmente, por segmentos como moda, calçados, cosméticos e alimentos, setores que carregam forte identidade nacional e capacidade de diferenciação. Marcas como Havaianas, Melissa e Natura já consolidaram presença fora do país e se tornaram referências nesse movimento.

Além da busca por novos consumidores, fatores como a diversificação de riscos, a exposição a moedas mais fortes e a possibilidade de ganhar competitividade em inovação também influenciam o apetite das empresas por expansão.

Desafios à vista

Se por um lado a ambição internacional cresce, por outro, os desafios não são poucos: adequação regulatória, barreiras alfandegárias, custos logísticos e diferenças culturais podem atrasar ou inviabilizar planos de entrada em outros mercados. A ofensiva tarifária recente dos EUA contra o Brasil reforça esse alerta, exigindo das empresas maior cautela estratégica.

Com o varejo cada vez mais digitalizado e consumidores globais mais conectados, a internacionalização tende a se tornar pauta recorrente para empresas brasileiras de diferentes portes. O movimento exige preparo, visão de longo prazo e, sobretudo, capacidade de adaptação a cenários em constante mudança.

Seja mirando os EUA, explorando mercados vizinhos ou testando canais cross border, o fato é que o varejo brasileiro está mais confiante em buscar espaço além das fronteiras, ainda que os próximos passos precisem ser dados com prudência.

Fonte: CNDL