Instagram redefine a forma como os brasileiros escolhem onde comer
Na era das redes sociais, o paladar começa pelos olhos — e, no Brasil, essa máxima tem endereço certo: o Instagram
2 de janeiro de 2026
Na era das redes sociais, o paladar começa pelos olhos — e, no Brasil, essa máxima tem endereço certo: o Instagram. De acordo com levantamento da Brazil Panels & Behavior Insights, sete em cada dez brasileiros (70,2%) já decidiram visitar um restaurante após vê-lo na plataforma. O dado mostra que, para o consumidor, um feed bem cuidado pode valer mais do que a opinião de amigos e familiares, que influenciam 53,1% das escolhas.
A pesquisa ouviu 2.548 pessoas de todas as regiões do país, com amostragem equilibrada entre faixas etárias, gêneros e classes sociais. E, embora o apelo visual seja decisivo na jornada do consumidor, a experiência real ainda fala mais alto: a qualidade da comida é o fator mais importante na avaliação de 38,2% dos entrevistados, à frente do preço (23%) e do atendimento (17,1%).
O cenário revela um ponto de atenção para bares e restaurantes: o marketing digital pode atrair o cliente, mas não sustenta a fidelidade sozinho. A chave está no equilíbrio entre presença online e entrega concreta — especialmente porque o consumidor de hoje compara, decide pelo celular e cobra coerência entre o que viu na tela e o que encontra na mesa.
O que atrai no Instagram?
Entre os que usam o Instagram como guia gastronômico, 69% realizam buscas ativamente na rede. As imagens de pratos chamam mais atenção (38,2%) do que os vídeos de preparo (23,5%), reforçando a força do visual na decisão de onde comer. E, mesmo com a popularização dos vídeos curtos, o bom e velho clique bem enquadrado ainda faz a diferença.
Apesar da influência das redes, o hábito de comer fora segue comedido: 39,5% dos entrevistados afirmam que isso ocorre raramente, enquanto 31% o fazem algumas vezes por mês. Já na hora de pedir comida, o iFood domina a preferência, presente na rotina de 61,4% dos consumidores. Aplicativos próprios dos restaurantes vêm em segundo lugar, usados por 35% dos respondentes.
Quando o assunto é tipo de comida, o brasileiro continua fiel à tradição: pizza (63,9%) e churrasco (61,9%) lideram o ranking de preferências. Culinárias orientais, como a japonesa (33,2%) e a chinesa (30,4%), ainda enfrentam certa resistência — sinal de que conquistar novos paladares exige mais que moda.
Quem são esses consumidores?
A maioria dos entrevistados pertence à classe C (45,7%), seguida pelas classes B (34,5%), D/E (11,2%) e A (8,6%). A média de idade é de 47 anos, com destaque para os grupos de 45 a 54 anos (27,7%) e 35 a 44 anos (24,8%). A presença feminina é majoritária: 54,2% se identificam como mulheres, 30,3% como homens e 15,3% como não-binários — dado que chama atenção pela diversidade da amostra.
Regionalmente, o Sudeste concentra quase metade dos participantes (48,8%), seguido pelo Nordeste (24,3%), Sul (15,2%), Norte (6,6%) e Centro-Oeste (5%).
Outro ponto interessante é o ticket médio: 32,4% dos entrevistados dizem gastar até R$ 100 por pessoa em uma refeição fora. Já 25,2% afirmam que a distância não é problema — desde que a experiência compense.
Fonte: CNDL