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louça de barro
Foto: Sebrae-PB

Produção de louça de barro mantém tradição centenária em família no semiárido da Paraíba

Ateliê de Dona Ana está localizado na serra de Santa Luzia e integra a Rota do Bioma Caatinga Vale dos Sertões

2 de janeiro de 2026

Uma história que começou ainda na infância e que se mantém atravessando gerações há mais de um século em família. Essa é a trajetória de Ana Maria Monteiro, de 72 anos, residente do Sítio Exu, comunidade localizada no alto da serra de Santa Luzia, no município de Junco do Seridó, no sertão da Paraíba. O trabalho de transformar barro em peças de louça é uma herança de sua mãe, que acontece desde o início do século passado.

O processo de produção é feito no ambiente de sua própria casa, que se transformou ao longo dos anos no espaço “Ateliê de Dona Ana”, ganhando novas áreas para receber os visitantes e expor suas próprias peças em barro. Quem viaja pela rodovia BR-230, no sentido do litoral ao sertão, no trecho de início de descida da Serra de Santa Luzia, tem a oportunidade de conhecer cada produto e entender cada fase do trabalho – desde a primeira etapa de extração, preparação e acabamento do barro. Esse é um dos diferenciais que a artesã explica ao revelar como acontece sua atividade.

“Eu mesma recolho o barro e faço todo o processo de criação das peças. Tudo é feito de forma artesanal e o acabamento é na mão mesmo. Minha mãe se chamava Maria Franquilina Monteiro. Ela faleceu há dez anos, com 95 anos e essa habilidade é uma herança dela, que aprendeu com minha avó, por isso é uma tradição que já passa dos cem anos de história”, comenta Ana Maria Monteiro.

No ambiente que é rodeado pela vegetação da caatinga, a artesã organiza cada peça para divulgar o resultado de seu trabalho aos viajantes que passam pela rodovia. São peças como panela de barro, xícaras, jarros, potes, pratos, tigelas com desenhos decorativos, panela de café e até filtro de água. Os valores variam entre R$ 5 e R$ 100, a depender do produto e do acabamento exigido pelo cliente. “Quando as pessoas param aqui para conhecer o meu trabalho me sinto realizada, porque faço isso desde criança e isso lembra muito minha mãe”, complementa.

Em um dos espaços de seu ateliê, Ana Maria Monteiro dedicou uma pintura como forma de homenagear a memória de sua mãe. Nesta área, ela prepara o barro e depois inicia o processo de desenho de cada arranjo. “Mantenho essa cultura como uma forma de lembrar de minha própria história. Eu gosto de trabalhar com isso e me sinto bem”, destaca.

O “Ateliê de Dona Ana” tem suas vendas distribuídas para várias cidades do território paraibano e outros estados do país. “Muitas pessoas fazem seus pedidos direto e outras aproveitam que passam pela rodovia e param para comprar. São caminhoneiros, turistas e filhos sertanejos que moram em outras regiões e voltam para visitar seus familiares. É uma forma de levar um pouco da nossa cultura e lembrar de suas raízes”, conclui Ana Maria Monteiro.

Incentivo ao desenvolvimento do turismo e à economia

Como forma de incentivar o desenvolvimento das atividades econômicas e impulsionar o crescimento dos pequenos negócios, a partir do fortalecimento do turismo, o Sebrae/PB promoveu, neste ano, o lançamento da Rota do Bioma Caatinga Vale dos Sertões.

O roteiro inclui atrativos turísticos nos municípios de Areia de Baraúnas, Junco do Seridó, Quixaba e São José de Espinharas. O objetivo desta iniciativa é valorizar o ambiente do território semiárido com foco nas potencialidades turísticas e culturais de cada localidade.

Dentro deste contexto, o “Ateliê de Dona Ana” está inserido como um dos lugares para visitação, considerando a importância da arte da produção de louças em barro e todo o seu contexto cultural.

De acordo com a analista técnica do Sebrae/PB, Socorro Oliveira, a história da artesã chama atenção pela tradição centenária, que é repassada entre as mulheres de uma mesma família. “O nosso semiárido paraibano concentra muitas riquezas em seu território e histórias como essa nos mostram o quanto a arte tem influência sobre o contexto da cultura”, enfatizou.

A Rota do Bioma Caatinga Vale dos Sertões é resultado do trabalho executado pelo Sebrae, por meio do programa Agentes de Roteiros Turísticos (ART), que tem a missão de fomentar o turismo criativo no Brasil e valorizar as atividades econômicas, a partir de ações estratégicas com foco na geração do emprego e da renda. “O sertão faz parte desse Brasil que tanto admiramos por suas belezas e, o sertão precisa ser visto, a partir de suas potencialidades, de seus personagens que constroem o dia a dia desse lugar tão rico”, pontua Thiago Rodrigues, agente de roteiros turísticos do Sebrae/PB.

Fonte: Sebrae-PB