
Future Climate Group lança primeiro projeto de carbono florestal sustentável na Caatinga
Iniciativa pioneira combate desertificação e exploração ilegal de lenha enquanto gera créditos de carbono certificados
30 de junho de 2025
A Future Climate Group anuncia o lançamento do Manduri Caatinga Grouped IFM Project, o primeiro projeto de carbono florestal sustentável na Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro e um dos mais ameaçados do país. A iniciativa pioneira une manejo florestal sustentável, combate à desertificação e geração de créditos de carbono, abrindo caminho para investimentos inovadores em soluções baseadas na natureza.
O projeto não apenas inaugura a aplicação da metodologia de Melhoria do Manejo Florestal por extensão de ciclo de corte no Brasil, como também marca a primeira certificação FSC (Forest Stewardship Council) para manejo florestal na região. E mais: é o primeiro projeto de carbono florestal já implementado na Caatinga, bioma mais eficiente em captura de carbono, de acordo com os últimos estudos divulgados pelo Observatório Nacional da Caatinga, em 2024.
Entre os objetivos do Manduri Caatinga Project está o combate à exploração ilegal de lenha, valorizando a cadeia de produtos florestais certificados e criando um mercado sustentável para a biomassa da Caatinga. A iniciativa também prevê um plano de benefícios compartilhados, que inclui ações para melhorar a qualidade de vida das comunidades locais, com foco em acesso à água, saneamento, saúde, educação e geração de renda por meio da bioeconomia.
Com uma área-piloto de 200 hectares no sertão nordestino e potencial de expansão para mais 100 mil hectares, o projeto utiliza a metodologia internacional VM003 – Improved Forest Management (IFM) through extension of rotation age, uma prática que por meio da extensão do ciclo de corte, permite que as árvores cresçam por mais tempo antes da colheita, o que aumenta o estoque médio de carbono e reduz emissões ao longo do tempo. O Manduri Caatinga Project é o primeiro no Brasil a aplicar essa metodologia na Caatinga e a obter a certificação FSC (Forest Stewardship Council) para manejo florestal na região.
“IFM é uma prática de manejo florestal que visa aumentar ou manter os estoques de carbono em florestas já existentes. E esse projeto que estamos lançando quebra três paradigmas de uma vez só: propõe uma nova metodologia em território nacional, em um bioma que nunca teve esse tipo de projeto e com certificação FSC — algo sem precedentes na Caatinga. É um novo marco para o mercado de carbono no Brasil”, disse o CEO da Future Climate, Fábio Galindo.
Um bioma único e ameaçado
Presente em 10 estados brasileiros, a Caatinga é o único bioma exclusivamente nacional e cobre cerca de 10% do território do Brasil. Com sua vegetação adaptada ao clima semiárido, abriga uma rica biodiversidade e é lar de mais de 27 milhões de pessoas, muitas delas em situação de vulnerabilidade social. Além disso, 46% da sua cobertura vegetal já foi destruída, tornando a Caatinga o terceiro bioma mais degradado do país. Apenas 9% do território está protegido por Unidades de Conservação.
Outro fator presente na Caatinga é a desertificação, que avança rapidamente. Estima-se que vastas áreas da Caatinga estejam em processo acelerado de degradação dos solos, perda de biodiversidade e colapso dos serviços ecossistêmicos. “A conservação da Caatinga é uma urgência ambiental, climática e social. E o manejo florestal sustentável surge como uma solução eficaz e viável para conter esse avanço”, destaca a coordenadora Socioambiental da Future Climate Group, Junia Karst.
Uma solução baseada na natureza
A primeira fase do Manduri Caatinga Project já está em desenvolvimento com a reformulação do plano de manejo florestal sustentável adequado para a metodologia do VERRA e em seguida, será iniciado o processo de organização para obtenção da certificação FSC — um feito histórico para a região.
O projeto tem como parceiro a Associação Plantas do Nordeste, uma instituição que atua com pesquisa sobre manejo na caatinga há mais de 20 anos. Além disso, tem como estratégia aproximar atores importantes da cadeia florestal, como o FSC Brasil, ICMBio, Serviço Florestal Brasileiro e outras organizações socioambientais da sociedade civil.
Combater a ilegalidade na exploração da lenha da Caatinga é um dos objetivos do projeto. Para isso, há ações que visam valorizar o manejo florestal e a cadeia de produtos florestais certificados da Caatinga, criando uma corrente de sustentabilidade que aproxima o manejo florestal sustentável e o consumidor da biomassa florestal proveniente desse manejo.
Além do carbono
Os benefícios do projeto vão além da remoção de carbono. Sob a abordagem exclusiva Beyond Carbon — um ativo proprietário da Future Climate — a proposta é entregar créditos de carbono com alto nível de integridade, sem perder de vista o impacto social, econômico e ambiental nos territórios. Uma estratégia que antecipa as exigências de um mercado cada vez mais criterioso — e, ao mesmo tempo, amplia a relevância dos ativos florestais no contexto da transição climática.
Por meio de um plano estruturado de benefício compartilhado e engajamento comunitário, o projeto visa promover ações concretas para melhoria da qualidade de vida das populações locais, contribuindo no enfrentamento de desafios complexos da realidade social presente no bioma, como o acesso à água, energia, saneamento básico, infraestrutura, saúde e educação.
Além disso, a estratégia também contempla ações que incentivem o uso de tecnologias sociais e o fortalecimento da bioeconomia, apoiando o desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis para criar oportunidades de geração de renda e trabalho para quem vive no semiárido.
Todas essas ações estarão diretamente vinculadas à construção, implementação e monitoramento de um Plano de Adaptação Climática para as populações locais envolvidas no projeto. Isso se torna ainda mais importante diante do agravamento do risco de desertificação do bioma e, consequentemente, do impacto que será gerado nas comunidades que possuem alta vulnerabilidade social e climática.
Parcerias institucionais
O projeto prevê, desde o início de sua concepção, a participação de múltiplos stakeholders, pois desafios complexos exigem soluções colaborativas. Dessa forma, a proposta é construir parcerias com organizações públicas, privadas e do terceiro setor que compartilhem do mesmo propósito e tragam conhecimentos e experiências complementares.
Nesse processo, será fundamental a articulação institucional com a sociedade civil, agências ambientais, setor produtivo e investidores, fortalecendo o diálogo e ação conjunta para alcançar resultados de impacto positivo no clima, comunidade e biodiversidade.
Proprietários que executam manejo florestal na Caatinga, que possuem interesse em contribuir para a iniciativa e já possuam plano de manejo aprovado pelo órgão ambiental, podem entrar em contato com a Future Climate Group, para avaliação da sua elegibilidade.
Fonte: Assessoria