Crise bancária no Paraguai leva presidente a anunciar renúncia e enfrentar impeachment
Santiago Peña anunciou a saída do cargo após o colapso do Ueno Bank, mas a Câmara dos Deputados decidiu manter o processo de impeachment
6 de novembro de 2026
O cenário político na América do Sul sofreu uma forte reviravolta com o anúncio da renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña. O economista de direita divulgou sua saída do cargo por meio de um pronunciamento em vídeo, em meio a uma grave crise financeira e política desencadeada pelo colapso e liquidação do Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do país vizinho.
Apesar do pedido de desligamento, a Câmara dos Deputados paraguaia decidiu, por unanimidade, dar continuidade ao processo de impeachment contra o mandatário, recusando-se a aceitar a renúncia imediata para garantir que Peña enfrente o julgamento político.
O estopim: Crise bancária e fundos públicos
A crise institucional começou após o Banco Central do Paraguai decretar a liquidação do Ueno Bank devido a uma severa insuficiência de recursos. O fechamento da instituição congelou as contas de cerca de 3 milhões de clientes — o equivalente a quase 60% da população adulta do país.
O fator que mais pressionou o governo foi o fato de o banco administrar aproximadamente US$ 850 milhões em fundos públicos, que incluíam recursos da previdência social e de empresas estatais de energia. Como Santiago Peña foi acionista do grupo controlador do banco até março de 2025, a oposição e setores aliados passaram a apontar um suposto conflito de interesses e o uso de dinheiro do Estado para inflar os depósitos da instituição.
Isolamento e manobra política
O isolamento de Peña se consolidou quando seu próprio partido, o Partido Colorado (liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes), retirou o apoio político e sinalizou que votaria a favor de sua destituição. De acordo com analistas políticos acompanhados pelo portal Paraíba Total, a estratégia de Peña ao renunciar era tentar preservar o direito ao cargo de senador vitalício e assegurar o foro privilegiado.
Caso o Senado confirme a cassação formal de Peña pelo rito do impeachment, ele perderá em definitivo as imunidades concedidas a ex-presidentes e passará a responder aos processos na Justiça comum.
Linha de sucessão
Como o pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana foi rejeitado e arquivado pela Câmara dos Deputados, ele permanece na linha sucessória direta. Alliana deve assumir a Presidência do Paraguai de forma definitiva assim que o rito processual do Congresso Nacional for concluído.
Fonte: Redação
Como o pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana foi rejeitado e arquivado pela Câmara dos Deputados, ele permanece na linha sucessória direta. Alliana deve assumir a Presidência do Paraguai de forma definitiva assim que o rito processual do Congresso Nacional for concluído.
