Economia Criativa: liderança transformadora exige colaboração e inovação
Regina Amorim destaca a importância de conectar pessoas, instituições e pequenos negócios para gerar soluções e desenvolvimento coletivo
3 de novembro de 2026
A liderança transformadora não acontece com o protagonismo individual, mas em articulação com os ecossistemas para gerar impacto coletivo. A principal lição de Portugal refere-se ao líder do futuro e a sua capacidade de conectar pessoas, instituições e conhecimentos para construir soluções que ninguém conseguiria desenvolver sozinho. Líderes transformadores gostam de pessoas, têm curiosidades de conhecer as dificuldades e motivações de outras pessoas, trabalham e resolvem os desafios em rede.
“Nassin Nicholas Taleb, em seu livro Antifrágil afirma que “o principal fator que determina o sucesso de um executivo é a forma como lida com a ambiguidade.” Para ele é possível tirarmos proveito de um mundo imprevisível, dominado pelo caos, e nos tornarmos antifrágeis. Todos nós temos a oportunidade de mudar a nossa visão sobre a sociedade e os negócios, para tomarmos a melhores dicisões.
Quando penso na minha trajetória de vida, sinto muito orgulho do percurso que fiz desde os meus 10 anos até os dias de hoje. Muito do que trago de estratégias de gestão e de consultoria, pesquisa, palestras, cursos e seminários, não aconteceu de uma hora para outra. Nessa longa caminhada fui percebendo que sempre é tempo de viver coisas novas, enxergar e valorizar as oportunidades, as experiências bem-sucedidas e os projetos estratégicos para o desenvolvimento socioeconômico e cultural dos territórios.
Também tenho muito orgulho de ter criado no SEBRAE-PB, a Feira de Turismo Rural do Brasil – RURALTUR já em sua 22ª edição, em 2026. Ter coordenado a FINCC Digital – Feira Internacional de Negócios Criativos e Colaborativos, destacando-se como a primeira Feira 100% digital do Brasil, em maio de 2020.
Fui a primeira profissional a desenvolver o turismo de experiência na Paraíba desde 2012. Sou pioneira da Coluna de Economia Criativa do Jornal A UNIÃO, desde janeiro de 2021, somando 293 artigos, nas quintas-feiras. No SEBRAE-PB, estou coordenando o projeto estadual de turismo criativo e colaborativo, contribuindo para a interiorização do turismo, em 100% dos municípios paraibanos, interligando-os em rotas e roteiros de vivências e experiências turísticas.
Para o escritor Alvin Toffler, “os analfabetos do século 21 são aqueles que não sabem aprender, desaprender e reaprender.” Sinto-me profundamente entusiasmada com a capacidade dos pequenos negócios que se mantém na vanguarda, com resiliência, capacidade de adaptação, disciplina e comprometimento com a inovação. A história mostra que muitas das empresas bem-sucedidas não nasceram grandes. Começaram microempresas, mas com visão de futuro, apesar das dificuldades de empreender em um cenário atual, conturbado por crises políticas, econômicas, sociais, culturais e ambientais.
Acredito que o grande problema da humanidade é querer combater o caos. Devemos ensinar as pessoas surfarem no caos, porque quando surfamos, o caos fica menos caótico. Surfar no Caos é uma famosa metáfora conceitual de David Bowie (século 20), associada à sua filosofia de vida e à sua capacidade de antecipar tendências e abraçar a imprevisibilidade. Ter uma vida com propósito e fazer o que gosta é o que todos nós precisamos, para surfar em qualquer onda.
Estou convencida de que inovação não começa pela tecnologia, começa pelas pessoas, começa pela colaboração. E começa por líderes capazes de transformar egos em ecossistemas. A verdadeira liderança não é medida pelo número de seguidores, mas pela capacidade de criar ambientes onde outras pessoas também possam liderar, inovar e transformar a realidade ao seu redor.
Hoje não vale mais copiar projetos e planos de outras regiões. É preciso fazer o seu projeto e o seu plano, ouvindo seus parceiros. Liderar a transformação não significa ter todas as respostas, mas criar condições para que diferentes atores construam soluções conjuntamente, aprendam rapidamente e produzam resultados duradouros.
Temos que estar organizados para aprender rápido, temos que ser mestres em aprendizado. As organizações mais fortes e bem-sucedidas são aquelas que usam o caos, os erros e as pressões do mercado, para aprender e evoluir sempre!

Foto: Linkedin
Sobre Regina Amorim
É gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae/PB. Formada em Economia pela UFPB, 1980, com Especialização em Gestão e Marketing do Turismo pela UNB – Universidade de Brasília e com Mestrado em Visão Territorial para o Desenvolvimento Sustentável, pela Universidade de Valência – Espanha e Universidade Corporativa SEBRAE.
Fonte: Regina Amorim