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Foto: Marco Pimentel/Secom PB

Economia criativa: como a cultura e o turismo podem impulsionar a economia azul na Paraíba

Regina Amorim destaca o potencial da economia criativa para valorizar comunidades costeiras, fortalecer o turismo sustentável e gerar oportunidades de negócios

26 de outubro de 2026

A discussão sobre a economia do mar para o desenvolvimento socioeconômico, pode ser uma boa reflexão para a elaboração de políticas públicas, que potencializem o ambiente marítimo com os recursos existentes e criar outros.   

Um dos desafios do sistema produtivo é integrar os ativos marítimos existentes com agregação de valor e lucratividade. A economia criativa é transversal à economia do mar. Ela adiciona valor cultural, inovação, design e tecnologia a setores tradicionais marítimos, transformando recursos e paisagens costeiras em experiências, produtos e serviços de alto impacto econômico e simbólico.

Alguns especialistas preferem o termo economia azul para dar mais destaque a sustentabilidade e a preservação do ambiente marítimo, dos lagos, rios e afluentes. Ela pode ser interpretada como a economia do mar sustentável.

A economia azul inclui a pesca e seus produtos industrializados, os portos e a logística, o transporte marítimo, a construção e manutenção naval, o turismo costeiro, marítimo e náutico. Inclui também a biotecnologia azul, a energia dos mares, a produção de água doce pela dessalinização, a mineração e a vigilância marítima. O desenvolvimento da economia azul pode contribuir para minimizar a escassez hídrica. Em síntese, o investimento em saneamento básico é um dos caminhos para o desenvolvimento da economia azul.

A sustentabilidade é uma crescente tendência de consumo e de fomento ao empreendedorismo azul, gerando oportunidades de negócios, emprego e renda, promovendo o desenvolvimento econômico social e preservando os ecossistemas ambientais existentes. O empreendedorismo azul utiliza o recurso oceânico dos mares, rios, lagos e águas subterrâneas, como meio de produção de produtos, serviços e do turismo, de maneira inclusiva e reduzindo o impacto humano.

A economia criativa está cada vez mais em alta, quando conectada à economia azul. Ela converte o mar em uma narrativa de identidade e sustentabilidade, impulsionando o turismo cultural, o artesanato local, a gastronomia e a conscientização ambiental.

As experiências turísticas, valorizam a pesca artesanal, o mergulho ecológico e as tradições de comunidades costeiras. Na culinária valorizam pescados locais e receitas ancestrais, elevando pratos regionais a produtos de alto valor agregado no mercado de alta gastronomia. O artesanato paraibano, transforma resíduos marinhos (como escamas, redes de pesca descartadas e conchas) em peças de design, biojóias, acessórios e moda sustentável. No design de interiores a identidade náutica está presente, fortalecendo a marca dos territórios litorâneos. Na ciência e arte, a exposição interativa engaja o público na preservação dos oceanos de forma lúdica e acessível. Com as plataformas digitais, o futuro da economia do mar será conectar o consumidor final diretamente aos pescadores artesanais, eliminando intermediários e valorizando mais o trabalho das colônias de pesca.

Na Paraíba a economia criativa vem agregando valor à economia do mar, no turismo criativo de experiência e no turismo de base comunitária. No roteiro Encantos do Rio Paraíba, os turistas navegam pelo estuário do rio, conhecem o trabalho das marisqueiras locais e degustam a culinária à base de frutos do mar, diretamente na comunidade ribeirinha, transformando a rotina da pesca em um ativo cultural e econômico de alto valor. Nos roteiros turísticos “Saberes do Vale do Mamanguape e Terra dos Potiguara”, no litoral norte paraibano, o ecoturismo une-se à economia criativa indígena. Os visitantes vivenciam trilhas ecológicas, o manejo sustentável do caranguejo nos manguezais e o artesanato local, criando valor a partir da preservação da biodiversidade costeira e dos conhecimentos ancestrais.

O Brasil possui 8 mil km de costa marítima, ocupa a 16ª posição no ranking de países com maior litoral e a 5ª posição em extensão territorial do mundo. O mar deve ser explorado com preservação ambiental e inclusão social. Nesse contexto, desenvolver uma estratégia para fomentar a economia do mar com a economia criativa, tende a ser um fator fundamental para alcançar uma economia desenvolvida, sustentável e justa. 

Sobre Regina Amorim 

É gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae/PB. Formada em Economia pela UFPB, 1980, com Especialização em Gestão e Marketing do Turismo pela UNB – Universidade de Brasília e com Mestrado em Visão Territorial para o Desenvolvimento Sustentável, pela Universidade de Valência – Espanha e Universidade Corporativa SEBRAE.

Fonte: Regina Amorim