Consumidor compara preços no Brasil antes de fechar compra em site internacional
Pesquisa da CNDL, SPC Brasil e Offerwise mostra que preço, frete, confiança e prazo de entrega influenciam a decisão de compra em plataformas estrangeiras
20 de outubro de 2026
A decisão de comprar em um site internacional costuma ser precedida por uma comparação com o varejo brasileiro. Segundo a pesquisa “Comportamento de compra do consumidor em sites internacionais”, 49% dos consumidores sempre pesquisam o preço do produto em sites nacionais antes de concluir uma importação.
Outros 40% afirmam realizar essa comparação algumas vezes. Somados, os percentuais mostram que 89% verificam, com maior ou menor frequência, se a oferta estrangeira realmente é mais vantajosa do que as alternativas disponíveis no Brasil.
O levantamento foi realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise.
O comportamento mostra que o consumidor não considera apenas o preço exibido inicialmente pela plataforma internacional. Para decidir se a compra compensa, é necessário avaliar o custo final, que pode incluir frete, impostos e outras despesas associadas à importação.
As taxas aparecem como a principal desvantagem das compras internacionais, citadas por 41% dos entrevistados. Em seguida estão o tempo de entrega, com 36%, o valor do frete, com 27%, e o risco de fraude, mencionado por 24%.
Esses fatores podem reduzir ou eliminar uma diferença inicial de preço. Por isso, a comparação com lojas brasileiras tende a considerar também prazo de entrega, facilidade de troca, atendimento e previsibilidade sobre o valor total.
A busca por alternativas nacionais começa antes mesmo da análise de preços. De acordo com a pesquisa, 53% sempre verificam se o produto desejado está disponível em sites brasileiros. Outros 33% fazem essa consulta ocasionalmente.
Os dados indicam que o varejo nacional continua presente na jornada, mesmo quando a compra é concluída em uma plataforma estrangeira. A empresa brasileira perde a venda não necessariamente por falta de interesse do consumidor, mas porque a oferta internacional foi considerada mais atraente naquele momento.
O preço reduzido é o principal fator de influência para 39% dos compradores internacionais. No entanto, confiança na plataforma e valor do frete aparecem logo depois, ambos com 37%. A variedade de produtos não encontrados no Brasil é citada por 32%.
A comparação também ajuda a explicar por que a preferência por sites estrangeiros não é definitiva. Para 61% dos consumidores, as lojas brasileiras seriam a primeira escolha caso apresentassem preços e variedade equivalentes.
Para o varejo nacional, isso significa que melhorar a visibilidade dos produtos e comunicar vantagens pode ser tão importante quanto reduzir preços. Informações claras sobre entrega, troca, garantia, atendimento e disponibilidade imediata ajudam o consumidor a perceber diferenças que não aparecem apenas no valor anunciado.
Também é necessário acompanhar os preços praticados pelas plataformas estrangeiras. Como a comparação ocorre antes da compra, ofertas muito distantes das referências encontradas no exterior podem afastar o consumidor ainda durante a fase de pesquisa.
Ao verificar preços no Brasil, o comprador demonstra que a importação não é uma decisão automática. Ela resulta de uma avaliação que envolve economia, conveniência, segurança e acesso ao produto.
Com 89% comparando os valores ao menos algumas vezes, o varejo brasileiro permanece dentro da disputa. O desafio está em transformar essa presença na pesquisa em uma proposta considerada competitiva no momento da decisão.