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Foto: Divulgação

Givaldo de Lima: “Essa experiência me ensinou que nunca é tarde para aprender, adquirir novos conhecimentos e buscar aquilo que dá sentido à nossa vida”

Professor começou a trabalhar vendendo picolé em Campina Grande, construiu mais de 35 anos de carreira na docência e hoje coordena a formação de futuros médicos

15 de outubro de 2026

O Dia do Professor, celebrado nesta quinta-feira (15), e o Dia do Médico, no próximo domingo (18), homenageiam profissionais que contribuem diretamente para a vida de outras pessoas. Na trajetória de Givaldo de Lima, coordenador do curso de Medicina da Afya Paraíba, as duas datas se encontram em uma história construída com trabalho, educação e a decisão de perseguir um sonho mesmo depois de décadas de carreira.

Nesta entrevista, Givaldo de Lima revisita os principais capítulos de sua trajetória, da infância em Campina Grande à decisão de ingressar na Medicina aos 40 anos. 

O senhor começou a trabalhar ainda menino, vendendo picolé em Campina Grande. Como essa experiência marcou sua maneira de enxergar a educação e as oportunidades?

Venho de uma família muito humilde e, desde cedo, aprendi que precisava trabalhar e contribuir em casa. Ainda menino, fui vendedor de picolé, o nosso “dim-dim”, nos campos de futebol, nas portas das escolas e nas ruas. Ao mesmo tempo, sempre gostei muito de estudar e enxergava na educação uma possibilidade de construir um futuro diferente.

Meu pai sempre dizia: “Pobreza não significa marginalidade. Estude para ser alguém na vida. Essa é a herança que posso deixar a vocês”. Hoje compreendo ainda mais o significado dessas palavras. Ele talvez não pudesse deixar bens materiais para nós, mas deixou valores, dignidade, honestidade e a compreensão de que a educação poderia mudar nossa história.

A escolha pela Matemática veio primeiro, mas a Medicina continuou entre seus sonhos. Como o senhor tomou a decisão de seguir uma segunda graduação aos 40 anos?

A escolha pela Licenciatura em Matemática aconteceu porque eu precisava de uma formação que me permitisse trabalhar durante o dia e estudar à noite. Com o tempo, a docência se tornou uma grande paixão e construí uma carreira na educação. Mas o sonho de cursar Medicina continuava comigo. Aos 40 anos, decidi que era hora de realizá-lo. Eu já tinha uma profissão e uma família, então precisei conciliar as responsabilidades que já faziam parte da minha vida com as exigências de uma nova graduação.

Retomar os estudos nessa fase da vida exigiu mudanças na rotina. Qual foi a importância da sua família para que o senhor conseguisse concluir o curso?

Minha esposa e minha filha viveram esse sonho comigo. Elas compreenderam as ausências, dividiram as dificuldades e estiveram presentes nos momentos mais exigentes. Conciliar trabalho, família e uma nova graduação exigiu muita dedicação e organização, e ter o apoio delas fez toda a diferença nessa caminhada. Em muitos momentos, esse suporte foi fundamental para que eu seguisse em frente, mesmo diante dos desafios. 

A conquista do diploma de Medicina representou a realização de um sonho pessoal e uma vitória compartilhada com as pessoas que estiveram ao meu lado durante todo o percurso.

Depois de se formar médico, o senhor também retornou à instituição como professor e, posteriormente, assumiu a coordenação do curso. O que significa ocupar hoje esse lugar na formação de novos profissionais?

A Matemática me ensinou a ser professor e a Medicina trouxe uma nova dimensão para esse trabalho. Quando voltei para a instituição como docente, foi especial estar em um lugar onde eu havia sido aluno e, depois, poder contribuir para a formação de outros estudantes.

Quando olho para os nossos estudantes, sei que cada um carrega uma história que nem sempre conseguimos enxergar. Existem sonhos, dificuldades, renúncias e famílias por trás de cada trajetória. Por isso, procuro lembrar que estamos formando pessoas que terão a responsabilidade de cuidar de outras pessoas.

No Dia do Professor, sua trajetória também convida a pensar sobre o papel da educação nas escolhas profissionais. O que a experiência nas duas áreas ensinou ao senhor?

Eu vejo o ensino e a Medicina como duas partes importantes da minha trajetória. A docência me acompanha há mais de 35 anos e a Medicina veio depois, quando eu já tinha uma carreira construída. Hoje tenho a oportunidade de unir essas experiências na formação de novos médicos.

Minha história começou com um menino de origem humilde, que estudava, trabalhava e vendia dim-dim para ajudar sua família. Ao longo do caminho, a educação abriu possibilidades que antes pareciam distantes. Essa experiência me ensinou que nunca é tarde para aprender, adquirir novos conhecimentos e buscar aquilo que dá sentido à nossa vida.

Fonte: Vitória Bárbara