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Foto: Divulgação

Da venda de picolé à Medicina: professor da Afya Paraíba une mais de três décadas de docência à carreira médica

Givaldo de Lima começou a trabalhar ainda menino, tornou-se professor de Matemática e, aos 40 anos, decidiu retomar um sonho antigo e cursar Medicina

14 de outubro de 2026

Outubro reúne duas datas dedicadas a profissionais que têm o ensino e o cuidado com as pessoas como parte de suas atividades: o Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, e o Dia do Médico, em 18 de outubro. Na Afya Paraíba, as duas áreas estão presentes na trajetória de Givaldo de Lima, coordenador do curso de Medicina da instituição. Professor há mais de 35 anos, ele começou a carreira na educação e, aos 40 anos, decidiu retomar o sonho de cursar Medicina.

A história do coordenador começou em Campina Grande, ainda na infância. Antes de seguir carreira na educação, ele trabalhou como vendedor de picolé para ajudar a família e conciliava a atividade com os estudos. A relação com o ensino também foi construída dentro de casa, a partir dos ensinamentos do pai, que não teve a oportunidade de estudar.

“Eu venho de uma família muito humilde e, desde cedo, aprendi que precisava trabalhar e contribuir em casa. Ainda menino, fui vendedor de picolé, o nosso ‘dim-dim’, nos campos de futebol, nas portas das escolas e nas ruas. Ao mesmo tempo, sempre gostei muito de estudar e enxergava na educação uma possibilidade de construir um futuro diferente”, conta.

Entre as lembranças daquele período, uma frase do pai permaneceu como referência para Givaldo ao longo da vida.

“Meu pai sempre dizia: ‘Pobreza não significa marginalidade. Estude para ser alguém na vida. Essa é a herança que posso deixar a vocês’. Hoje eu compreendo ainda mais o significado dessas palavras. Ele talvez não pudesse deixar bens materiais para nós, mas deixou valores, dignidade, honestidade e a compreensão de que a educação poderia mudar a nossa história”, afirma.

Da Matemática à Medicina

Quando chegou o momento de escolher uma graduação, Givaldo optou pela Licenciatura em Matemática e iniciou uma trajetória de mais de três décadas na docência. A Medicina, no entanto, permaneceu entre seus planos. Aos 40 anos, ele ingressou no curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, hoje Afya Paraíba.

“Naquele momento, eu precisava de um curso que me permitisse trabalhar durante o dia e estudar à noite. Foi assim que a Licenciatura em Matemática entrou na minha vida. Depois de tantos anos na educação, aos 40 anos, decidi que era hora de buscar a Medicina. Eu já tinha uma profissão e uma família, então foi preciso conciliar tudo isso com uma nova graduação”, explica.

A mudança exigiu uma nova organização da rotina familiar. Durante a formação médica, a esposa e a filha acompanharam o período de estudos e dividiram com Givaldo as dificuldades da graduação.

“Minha esposa e minha filha viveram esse sonho comigo. Elas compreenderam as ausências, dividiram as dificuldades e estiveram presentes nos momentos mais exigentes. Esse apoio foi muito importante para que eu pudesse concluir a formação”, diz.

Após a graduação, Givaldo passou a atuar como médico plantonista e retornou à instituição onde havia estudado, dessa vez como professor do curso de Medicina. A experiência adquirida ao longo dos anos na educação passou a fazer parte de sua atuação na formação médica.

O retorno à sala de aula

A atuação na instituição ganhou uma nova etapa quando Givaldo assumiu a coordenação do curso de Medicina. O retorno ao local onde havia sido aluno trouxe uma nova perspectiva sobre o trabalho com os estudantes.

“A Matemática me ensinou a ser professor e a Medicina trouxe uma nova dimensão para esse trabalho. Quando voltei para a instituição como docente, foi especial estar em um lugar onde eu havia sido aluno e, depois, poder contribuir para a formação de outros estudantes”, afirma.

A experiência profissional nas duas áreas também influencia a maneira como Givaldo acompanha os estudantes durante a graduação. Para ele, a formação médica envolve conhecer as histórias que existem por trás de cada aluno.

“Quando olho para os nossos estudantes, sei que cada um carrega uma história que nem sempre conseguimos enxergar. Existem sonhos, dificuldades, renúncias e famílias por trás de cada trajetória. Por isso, procuro lembrar que estamos formando pessoas que terão a responsabilidade de cuidar de outras pessoas”, destaca.

Mais de três décadas depois de começar a dar aulas, Givaldo hoje ocupa o outro lado da formação médica: aquele de quem acompanha estudantes que ainda estão construindo seus próprios caminhos. A Medicina, que chegou aos 40 anos, passou a dividir espaço com uma profissão iniciada muito antes, quando a educação ainda era apenas um projeto de futuro.

“Eu vejo o ensino e a Medicina como duas partes importantes da minha trajetória. A docência me acompanha há mais de 35 anos e a Medicina veio depois, quando eu já tinha uma carreira construída. Hoje tenho a oportunidade de unir essas experiências na formação de novos médicos”, conclui.

A história que começou com um menino vendendo picolé nas ruas de Campina Grande chega, décadas depois, à sala de aula de uma faculdade de Medicina. O trabalho que começou como uma forma de ajudar a família e o gosto pelos estudos acabaram conduzindo Givaldo de Lima a duas profissões que hoje dividem o mesmo espaço em sua vida: ensinar e cuidar.

Fonte: Vivass Comunicação