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Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

49,2% dos apostadores online são considerados de risco e com cortes no consumo e atraso de contas

Estudo da Scanntech e MindMiners mostra que 12,8% dos entrevistados apresentam comportamento de risco e 78% reduziram compras

7 de outubro de 2026

A redução do consumo entre brasileiros classificados como apostadores de risco se aproxima da observada entre pessoas que possuem crédito consignado. É o que aponta um estudo realizado pela Scanntech em parceria com a MindMiners, com 2 mil entrevistados, que analisou a relação entre apostas, comprometimento da renda e decisões de compra.
Segundo a pesquisa, 26% dos entrevistados afirmaram ter apostado em bets nos últimos 12 meses. Na amostra total, 12,8% foram classificados como apostadores de risco. O grupo reúne 255 entrevistados, equivalentes a 48,9% dos 522 apostadores digitais. A classificação é um recorte operacional do estudo e considera apostadores que declararam utilizar ao menos uma das seguintes fontes de dinheiro para realizar apostas: salário antes da separação das despesas, poupança ou reserva, cartão de crédito, cheque especial ou empréstimo consignado.
Entre os apostadores de risco, 84% afirmam ter tido alguma conta paga após o vencimento nos seis meses anteriores à pesquisa. Entre as pessoas com empréstimo consignado o percentual é similar: 80%. Em contrapartida, os entrevistados que não apostam nem possuem consignado, possuem um índice de 48%, já é um índice alto, no entanto, é significativamente menor que os grupos anteriores.
Quando observamos redução ou corte nas quantidades compradas nos últimos 12 meses, o comportamento se repete: semelhança entre os apostadores de risco (78%) e pessoas com empréstimo consignado (76%) e níveis altos porém, significativamente menores no grupo que não aposta nem possui consignado (58%).
Entre os apostadores de risco que fizeram cortes nas compras de supermercado, 25% reduziram a quantidade ou deixaram de comprar alimentos básicos, como arroz, feijão, leite e óleo. Os cortes também atingiram outras categorias, como indulgentes, carnes e outras proteínas e bebidas alcoólicas, citadas por 40%, 36% e 36% dos entrevistados, respectivamente. Produtos de limpeza foram citados por 32%, enquanto higiene e cuidado pessoal, frutas, verduras e legumes e alimentos saudáveis ou protéicos apareceram com 30%, 29% e 29%, respectivamente.

“Quando parte da renda fica comprometida antes mesmo de o consumidor organizar as despesas do mês, o impacto aparece no carrinho. Há redução de volumes, troca de marcas, maior busca por promoções, troca de canais de compra e, em situações de maior pressão, corte de itens básicos. Para o varejo, entender para onde está indo essa parcela da renda é fundamental para compreender as mudanças no consumo”, afirma Priscila Ariani, diretora de Marketing da Scanntech.
Origem do dinheiro é um dos principais sinais de risco

“O valor apostado, isoladamente, não explica o grau de comprometimento financeiro. A origem do recurso é um indicador importante. Quando a aposta passa a ser feita com crédito, reserva financeira ou com uma renda que já deveria estar destinada às despesas da casa, ela começa a disputar espaço diretamente com o consumo. Aqui encontramos um alerta máximo: enquanto temos 26% dos brasileiros apostando, quando olhamos o grupo com crédito consignado vemos que este percentual sobe para 46%. Isso indica que há uma relação muito próxima entre apostadores e o crédito consignado. 24% dos apostadores de risco dizem apostar com dinheiro do consignado, formando uma verdadeira bola de neve ”, afirma Priscila.
Consignado compromete mais renda por mês

Embora os efeitos sobre algumas decisões de consumo sejam próximos, consignado e apostas apresentam escalas financeiras diferentes.
O estudo mostra que 11,5% dos entrevistados possuem crédito consignado, enquanto 26% afirmam ter apostado nos últimos 12 meses. Entre os apostadores fora do grupo de risco, o valor médio mensal destinado às bets é de R$ 239. Entre os apostadores de risco, a média dobra: R$ 485. Entre as pessoas com consignado, o desconto médio mensal referente às parcelas dos empréstimos chega a R$ 959.
Se por um lado o consignado tem um maior comprometimento mensal, por outro, as apostas alcançam uma parcela mais ampla da população. O resultado líquido é que de toda a renda que sai do consumo para apostas e consignados, 57% vai para parcelas de empréstimo e 43% para apostas. Vale reforçar, que parte da parcela do consignado, em algum momento, virou consumo adicional, e parte é juros da dívida.
Pressão financeira vai além das apostas

A pesquisa mostra que as dificuldades financeiras atingem também pessoas que não apostam e não possuem crédito consignado.
Vale ressaltar que o endividamento como um todo tem sido o vilão no consumo das famílias, e que ele não para de crescer. O Banco Central divulgou no dia 29 de setembro, que tanto o comprometimento de renda das famílias com a dívida quanto a inadimplência bancária das pessoas físicas atingiram recordes históricos (28,7% em Junho e 6% em agosto respectivamente), tudo isso somado ao maior percentual de famílias endividadas (82% em agosto) desde 2010 quando a CNC iniciou sua pesquisa.
“O estudo não atribui às bets a causa isolada do endividamento, mas identifica que as apostas adicionam mais pressão no orçamento das famílias, num momento em que praticamente todos os indicadores de endividamento atingem seus recordes históricos. Estamos falando de uma tempestade perfeita com crédito caro, facilidade de acesso ao crédito e baixa renda. Para piorar, nossa população tem pouco acesso à educação financeira, comprometendo o consumo até mesmo de seus itens mais básicos:. Afirma Priscila.

Sobre o estudo

O levantamento foi realizado com 2 mil entrevistados, em amostra sem ponderação. A classificação de apostador de risco é um recorte operacional do estudo e considera aqueles que declararam utilizar ao menos uma das seguintes fontes de dinheiro para apostar: salário antes da separação das despesas, poupança ou reserva, cartão de crédito, cheque especial ou empréstimo consignado.
Os dados sobre apostas foram coletados a partir das respostas dos entrevistados sobre as atividades realizadas nos últimos 12 meses. As informações sobre consignado consideram compromissos financeiros existentes no momento da pesquisa.

Fonte: Assessoria