Inteligência artificial já influencia a descoberta de sites internacionais por 15% dos compradores
Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil mostra avanço da inteligência artificial na jornada de compra de produtos estrangeiros
6 de outubro de 2026
A inteligência artificial já aparece como uma fonte de descoberta de sites internacionais para 15% dos consumidores que compram produtos estrangeiros. O percentual mostra que ferramentas baseadas em IA começam a participar da jornada de compra, ajudando usuários a encontrar plataformas, comparar alternativas e localizar produtos.
O dado faz parte da pesquisa “Comportamento de compra do consumidor em sites internacionais”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise.
As redes sociais ainda lideram esse processo, citadas por 41% dos consumidores. Em seguida aparecem os anúncios na internet, com 40%. Apesar da distância em relação aos primeiros colocados, a presença da inteligência artificial é relevante por representar uma mudança recente na forma como o consumidor pesquisa e recebe recomendações.
Ferramentas generativas podem ser utilizadas para pedir indicações de lojas, encontrar determinado tipo de produto, comparar preços ou compreender as diferenças entre plataformas. Ao concentrar parte da pesquisa em uma conversa ou resposta automatizada, o consumidor passa a depender também dos critérios utilizados pela tecnologia para selecionar e organizar as opções.
Esse movimento pode alterar a disputa pela atenção. Nas redes sociais e nos mecanismos tradicionais de publicidade, as marcas investem em conteúdo, mídia paga e influência para alcançar compradores. Nos ambientes de inteligência artificial, a visibilidade pode depender de informações bem estruturadas, presença digital consistente, reputação e capacidade de oferecer respostas claras sobre produtos, preços e condições.
O avanço da IA ocorre em um mercado que já alcança uma parcela expressiva da população. Entre os consumidores digitais que utilizaram plataformas com vendedores estrangeiros, 61% compraram pelo menos um produto importado nos últimos 12 meses. A estimativa corresponde a 81,2 milhões de pessoas, 13,1 milhões a mais do que em 2025.
A descoberta da plataforma, porém, é apenas uma etapa da decisão. Depois de encontrar um site ou produto, o consumidor avalia preço, confiança, frete e variedade. O preço reduzido influencia 39% dos compradores, enquanto a confiabilidade do site e o valor do frete são mencionados por 37% cada. A possibilidade de encontrar itens indisponíveis no Brasil pesa para 32%.
Isso significa que a recomendação de uma ferramenta de IA não garante a conclusão da compra. O consumidor ainda precisa sentir segurança, entender o custo final e avaliar se a importação oferece vantagem em relação às lojas nacionais.
A nota média de segurança atribuída às compras em sites internacionais é 7, em uma escala de 1 a 10. Ao mesmo tempo, 24% apontam o risco de fraude como uma desvantagem. Nesse cenário, informações incorretas ou recomendações pouco transparentes podem prejudicar a confiança tanto na plataforma quanto na ferramenta utilizada para encontrá-la.
Para o varejo brasileiro, a presença da inteligência artificial na descoberta de canais internacionais também representa um novo desafio. Empresas nacionais passam a disputar espaço não apenas nos buscadores, redes sociais e marketplaces, mas também nas respostas oferecidas por assistentes digitais.
Embora ainda não lidere a jornada, a IA já influencia 15% dos compradores. O percentual sinaliza que a tecnologia começa a deixar de ser apenas um recurso operacional das empresas para se tornar também uma intermediária entre consumidores, produtos e plataformas.
Fonte: CNDL