Queda da Selic pode ampliar acesso ao financiamento imobiliário, avalia especialista
Redução da taxa básica de juros tende a diminuir o custo do crédito e abrir espaço para renegociações e portabilidade de contratos
30 de setembro de 2026
A redução da taxa Selic para 13,75% ao ano, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em setembro, pode trazer efeitos graduais para o mercado imobiliário, especialmente sobre as condições de financiamento. Segundo Gustavo Galindo, sócio do Núcleo Imobiliário e com 16 anos de atuação no mercado, a queda dos juros tende a ampliar o número de consumidores aptos a financiar um imóvel.
O impacto, no entanto, não deve ser imediato. Para Gustavo, o mercado já está preparado para absorver a melhora no crédito. “Independentemente do resultado das eleições, os cortes consecutivos são uma tendência. O mercado já está em um nível de maturidade para receber essa redução sem ter um aumento de inflação”, afirma.
A taxa de juros tem relação direta com a capacidade de financiamento das famílias. Quando os juros sobem, as parcelas ficam mais elevadas e parte dos consumidores deixa de se enquadrar nas condições de crédito. “A redução implica em taxas menores de financiamento e, por consequência, consegue trazer mais pessoas que até então não estavam conseguindo financiar, porque a parcela ficava muito alta”, explica.
A queda dos juros também beneficia quem já tem financiamento. “Para quem já financiou um imóvel e a taxa que ele financiou foi mais alta, ele consegue fazer uma renegociação reduzindo a taxa dele dentro da mesma instituição ou até fazer a portabilidade”, diz Gustavo.
Neste cenário de transição nos juros, o especialista recomenda que o cliente conte com profissionais especializados antes de decidir comprar ou revisar um financiamento. “O mais importante é estar bem acompanhado de profissionais que entendam do mercado. No nosso segmento específico, dos profissionais corretores de imóveis às imobiliárias e, com relação ao financiamento, um bom correspondente bancário”, orienta o especialista.
A perspectiva de melhora nas condições de crédito também ocorre em um cenário de demanda aquecida. No segundo trimestre de 2026, 52% dos entrevistados em levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), elaborado pela Brain Inteligência Estratégica, declararam intenção de comprar um imóvel nos 24 meses seguintes.
