63% recuperam valores após fraude mas prejuízo ainda persiste para milhões de consumidores
Levantamento mostra que 63% das vítimas recuperaram algum valor, mas 28% não receberam qualquer ressarcimento após a fraude
30 de setembro de 2026
Recuperar o dinheiro perdido em uma fraude financeira ainda é um processo incerto para milhões de consumidores brasileiros. Embora 63% das vítimas tenham conseguido reaver algum valor após sofrer um golpe, uma parcela relevante permanece com perdas financeiras e enfrenta dificuldades para solucionar definitivamente o problema.
Os dados fazem parte de uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas.
O levantamento mostra que 31% dos consumidores sofreram algum golpe financeiro nos últimos 12 meses. Nas capitais brasileiras, esse percentual representa aproximadamente 11,6 milhões de vítimas, 2,5 milhões a mais do que o registrado em 2025.
Apesar de a maioria conseguir algum tipo de recuperação, os resultados indicam que o ressarcimento nem sempre é integral. Entre as vítimas, 23% recuperaram apenas parte do dinheiro perdido. Outros 19% conseguiram receber o valor total, além de uma compensação por danos morais.
Por outro lado, 28% não obtiveram qualquer ressarcimento, permanecendo com todo o prejuízo provocado pela fraude.
Recuperar parte do dinheiro não encerra o problema
O retorno de algum valor pode reduzir o impacto imediato do golpe, mas nem sempre representa a solução completa do caso. A vítima ainda pode enfrentar cobranças indevidas, bloqueios de contas, comprometimento do limite do cartão, dívidas feitas por terceiros e dificuldades para comprovar que não realizou determinada transação.
Além do prejuízo financeiro, o processo de recuperação costuma envolver contatos repetidos com instituições, operadoras, plataformas de pagamento e órgãos de segurança. Em alguns casos, também exige apoio jurídico ou contratação de empresas especializadas.
A pesquisa aponta que 51% das vítimas buscaram ajuda profissional, como advogados ou empresas de suporte. Dentro desse grupo, apenas 28% afirmaram ter resolvido definitivamente o problema, enquanto 10% continuavam procurando uma solução.
Atendimento rápido pode reduzir o impacto das fraudes
O levantamento também mostra que 88% das vítimas procuraram alguma forma de resolver o incidente. A negociação direta com a instituição envolvida foi o principal caminho adotado, citado por 31% dos entrevistados, à frente do registro de boletim de ocorrência e do contato com operadoras.
Para o varejo, instituições financeiras e plataformas digitais, esse comportamento amplia a importância de canais de atendimento acessíveis e preparados para lidar com suspeitas de fraude.
Bloqueio rápido de transações, processos claros de contestação, identificação dos canais oficiais e comunicação transparente podem evitar que o prejuízo aumente enquanto o consumidor busca ajuda.
Confiança também depende da resposta após o golpe
A segurança de uma operação não é avaliada apenas pela capacidade de impedir uma fraude. A maneira como a empresa reage quando o problema acontece também influencia a percepção do cliente.
Uma resposta lenta, burocrática ou pouco transparente pode ampliar a sensação de abandono e comprometer a reputação da marca, mesmo quando o golpe foi cometido por terceiros.
Em um cenário de crescimento das fraudes financeiras, oferecer suporte eficiente deixa de ser apenas uma obrigação operacional. Para as empresas, passa a ser parte importante da construção de confiança e da preservação do relacionamento com o consumidor.
Fonte: CNDL