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Foto: Pexels

Petrobras defende exploração ativa e prevê atendimento de 100% do mercado nacional de diesel

No último dia da ROG.e 2026, maior festival de energia do planeta, Magda Chambriard classifica busca por novos poços como vital para conter o declínio do pré-sal, acelera a Margem Equatorial e projeta blindagem do abastecimento nacional frente às turbulências geopolíticas

25 de setembro de 2026

Em uma das declarações mais contundentes do encerramento da ROG.e 2026, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, cravou que “não existe futuro para uma empresa de petróleo sem exploração” e que estagnar a perfuração de poços pioneiros “é pedir para morrer”.
Durante conversa no Strategic Talks com o presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), Roberto Ardenghy, a executiva destacou o avanço das campanhas na Margem Equatorial — com foco nos poços no Amapá e no Rio Grande do Norte — como vetor indispensável para repor reservas e mitigar o declínio do pré-sal a partir dos próximos anos. Magda ressaltou também o apetite internacional da estatal, citando descobertas estratégicas de gás na Colômbia para atender à demanda da próxima década e novos ativos na Costa do Marfim, Namíbia e México.

Frente às incertezas geopolíticas e aos riscos de restrição no comércio global de combustíveis por grandes potências, a executiva revelou que a Petrobras avalia, no seu próximo Plano Estratégico (2027-2031), ampliar sua capacidade de refino para atender até 100% do mercado brasileiro de diesel.

Campos gigantes em produção: do projeto à implementação

 

A visão de expansão e busca por novas fronteiras exploratórias defendida pela Petrobras foi ratificada pelas grandes petroleiras globais durante o painel sobre a operação de campos gigantes offshore. O CEO da ExxonMobil Brasil, Alberto Ferrin, afirmou que o país abriga as fontes de energia mais atraentes do planeta e projetou que, em breve, outras bacias sedimentares além do pré-sal assumirão o protagonismo no desenvolvimento socioeconômico nacional. Citando a trajetória de sucesso na América Latina — a exemplo da Guiana, onde a companhia já opera quatro FPSOs e constrói outros três —, o executivo destacou o papel de novos polos na geração de prosperidade regional e na atração de capital produtivo.

Na mesma linha, a vice-presidente de Águas Profundas e Ultraprofundas da TotalEnergies, Aurélie Clave, enfatizou que o grande desafio das operadoras é atender à crescente demanda global produzindo mais energia com menor pegada de carbono. Para a executiva, a competitividade dos projetos gigantes em águas profundas passa obrigatoriamente por quatro prioridades: eficiência operacional, disciplina rigorosa de custos, descarbonização das atividades e agilidade para reduzir o tempo entre a descoberta e o primeiro óleo (first oil).
As análises dos C-Levels reforçam o tom do encerramento da ROG.e 2026: a atratividade do mar brasileiro é incontestável, mas a retenção de investimentos depende de velocidade, tecnologia e compromisso socioambiental.

Geopolítica do Atlântico

Essa busca por novas fronteiras ganha ainda mais peso diante da geopolítica global, conforme pontuou o CEO da SBM Offshore, Øivind Tangen. O executivo destacou, no painel Strategic Talks, na ROG.e 2026, que as recentes instabilidades no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz aceleram a diversificação geográfica e a valorização dos ativos na Bacia do Atlântico, região que desponta para produzir “o petróleo do futuro”. Com forte atuação no Brasil e na Guiana — tendo a Petrobras e a ExxonMobil como principais clientes —, Tangen enfatizou que, embora a indústria viva o momento de maior volatilidade de sua história, novos polos como a Margem Equatorial brasileira (com destaque para a Foz do Amazonas), Namíbia, Nigéria e Suriname são peças-chave para atração de capital, garantindo a longevidade operacional e o abastecimento global.

Desenvolvimento territorial e impacto local no onshore

Paralelamente às grandes operações, a atuação das operadoras independentes no onshore consolidou-se no Fórum de Produtores Independentes como um motor decisivo de transformação socioeconômica no interior do país, sobretudo em regiões de baixo IDH no Nordeste. Debatedores ressaltaram que a revitalização e a extensão da vida útil de campos maduros evitam o descomissionamento precoce de ativos e provocam um choque imediato na economia local — exemplo traduzido no aporte de R$ 1 bilhão da PetroReconcavo em fornecedores regionais. Ao priorizar a contratação de serviços locais, capacitar a mão de obra do entorno e investir em contrapartidas ambientais e culturais, as produtoras independentes garantem empregos de maior qualificação e convertem a atividade de óleo e gás em um vetor permanente de inclusão produtiva e desenvolvimento sustentável para os municípios produtores.

Fonte: Assessoria