Apesar de comprar com mais frequência pela internet, parte dos consumidores tem dificuldade para identificar quanto desembolsou. Pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, mostra que 25% não souberam informar o valor gasto na última compra online.
Entre os entrevistados que indicaram o desembolso, o ticket médio ficou em R$ 225, praticamente estável diante dos R$ 224 registrados no ano anterior. A estabilidade de cada aquisição, porém, ocorre ao mesmo tempo que o número médio de pedidos aumentou de 4,6 para 5,1 por mês.
A combinação sugere que o impacto financeiro do comércio eletrônico pode estar menos concentrado em uma única compra e mais distribuído ao longo de várias transações. Delivery, roupas, medicamentos, cosméticos e artigos para casa estão entre as categorias mais adquiridas, o que reforça a presença do canal em despesas cotidianas.
Não saber o valor da última compra não significa necessariamente descontrole financeiro. O consumidor pode não recordar o montante exato por ter feito a aquisição há vários dias, dividido o pagamento, utilizado créditos ou comprado diversos itens.
Ainda assim, o percentual chama atenção em um ambiente no qual a jornada se tornou mais rápida. Aplicativos mantêm dados de pagamento salvos, o PIX permite transferências em poucos segundos e redes sociais e WhatsApp encurtam o caminho entre uma oferta e a conclusão do pedido.
Quanto menor o esforço exigido, menor pode ser a percepção individual de cada desembolso. Valores reduzidos e recorrentes tendem a parecer pouco relevantes isoladamente, embora possam representar um montante expressivo quando somados no fim do mês.
O comportamento pode ser mais presente entre consumidores jovens, segundo a leitura dos dados apresentada no levantamento. Esse público costuma transitar com facilidade entre aplicativos, marketplaces, redes sociais e serviços de entrega, aumentando a fragmentação das compras.
Para o varejo, a baixa lembrança do valor gasto revela uma jornada mais fluida, mas também impõe responsabilidade. Informações claras no checkout, confirmação detalhada do pedido e fácil acesso ao histórico ajudam o consumidor a acompanhar suas despesas e reduzem dúvidas posteriores.
A transparência também contribui para diminuir conflitos relacionados a cobranças, assinaturas, taxas adicionais e compras realizadas por impulso. Uma experiência conveniente não precisa tornar os custos menos visíveis.
Do ponto de vista da educação financeira, acompanhar o total desembolsado em diferentes plataformas pode ser mais importante do que observar apenas o valor de cada pedido. Notificações bancárias, faturas, históricos de aplicativos e ferramentas de orçamento ajudam a reunir gastos que, separadamente, parecem pequenos.
O fato de um em cada quatro consumidores não recordar o valor da última compra mostra que a conveniência do comércio eletrônico também modifica a percepção sobre o dinheiro. Quanto mais simples se torna comprar, maior é a necessidade de criar mecanismos para enxergar o custo acumulado desse hábito.

