Senses Park Resort é lançado oficialmente em João Pessoa com proposta de transformar o turismo inclusivo no Brasil
Empreendimento do Grupo Makários, no Polo Turístico Cabo Branco, foi concebido para integrar hospedagem, lazer, terapias, natureza, gastronomia e acessibilidade em uma experiência de turismo inclusivo
25 de agosto de 2026
O Grupo Makários lançou oficialmente, nesta segunda-feira (24), o Senses Park Resort, novo empreendimento do grupo no Polo Turístico Cabo Branco, em João Pessoa. Com investimento previsto de aproximadamente R$ 70 milhões e estimativa de geração de 400 empregos diretos, o projeto chega ao mercado com a proposta de criar uma nova referência em turismo inclusivo no Brasil.
A apresentação oficial reuniu o presidente do Grupo Makários, Irclebson Ramos; o diretor executivo, Bruno Canabarro; a arquiteta responsável pelo projeto, Leila Azzouz; profissionais da equipe técnica das Clínicas Sentidos; além de famílias atendidas pela rede. O encontro marcou uma nova etapa do projeto, apresentado em detalhes ao público após a assinatura do contrato para implantação do empreendimento no Polo Turístico Cabo Branco, realizada no último dia 3 de agosto.
Além de apresentar uma nova estrutura hoteleira, o evento colocou no centro da discussão as experiências de famílias que convivem diariamente com diferentes formas de deficiência e neurodivergência.
Para Irclebson Ramos, o Senses Park Resort representa a materialização de um propósito construído ao longo dos anos a partir da convivência do grupo com famílias atípicas.
“Hoje apresentamos um empreendimento, mas, acima de tudo, compartilhamos um propósito. O Senses não nasceu de uma reunião de negócios, de uma planilha ou de um estudo de mercado. Ele nasceu da escuta e do convívio com famílias que nos ensinaram que existem sonhos simples que, para muita gente, ainda parecem distantes”, afirmou.
Segundo o empresário, a ideia do Senses Park Resort surgiu há cerca de três anos e chegou a ser estudada para implantação em Gramado (RS), mas amadureceu até encontrar em João Pessoa o cenário ideal para ganhar vida. A escolha pela capital paraibana ocorreu diante do momento de expansão do turismo no Estado e da importância do Polo Turístico Cabo Branco para esse novo ciclo de desenvolvimento.
Famílias que ajudaram a dar sentido ao projeto
Durante o lançamento, a presença de famílias atendidas pelas Clínicas Sentidos deu dimensão pessoal ao propósito do empreendimento.
Uma das primeiras mães a acompanhar a trajetória da Sentidos, Michele Gomes destacou que o projeto responde a uma necessidade que conhece de perto. Mãe de Lukas, que possui nível de suporte três, ela acompanha a evolução da rede desde os primeiros anos de funcionamento.
“Só quem é uma família atípica sabe o quanto é difícil incluir nossos filhos nas viagens. Muitas vezes precisamos escolher entre levá-los e enfrentar todas as dificuldades ou simplesmente deixá-los para conseguir aproveitar. O Senses nasce com uma relevância social enorme porque oferece a possibilidade de uma família viver esse momento junto, com segurança, acolhimento e as adaptações necessárias”, afirmou.
A mãe de Samuel, Fabíola Nóbrega, também participou do lançamento e compartilhou a experiência da família com as Clínicas Sentidos. Para ela, o Senses Park Resort representa uma extensão do trabalho desenvolvido pela rede, levando o cuidado e a inclusão para além do ambiente clínico. Fabíola destacou que o empreendimento foi pensado para acolher famílias e proporcionar experiências de lazer, convivência e integração.
Arquitetura pensada para cada experiência
A apresentação do conceito arquitetônico ficou a cargo de Leila Azzouz, responsável pelo projeto. Segundo a arquiteta, o Senses foi desenvolvido a partir dos conceitos de arquitetura biofílica, sensorial e inclusiva, com integração entre edificações, vegetação nativa, água e percursos orgânicos.
O terreno possui aproximadamente 3,8 hectares, com uma implantação que privilegia áreas verdes e espaços de convivência. A proposta inclui torre de hospedagem, bangalôs, restaurantes, parque outdoor, piscina, espaços terapêuticos, áreas de acolhimento e diferentes ambientes destinados à estimulação sensorial e à autorregulação.
O conceito arquitetônico foi inspirado na morfologia das conchas e dos corais, com formas orgânicas e fluidas que representam diferentes maneiras de perceber e experimentar o mundo.
“Cada dobra representa uma singularidade. A ideia é mostrar que, embora cada indivíduo perceba e experimente o mundo de uma maneira própria, todos fazem parte de um conjunto igualmente belo. Por isso, o projeto não é linear. Ele é orgânico, pensado para acolher a individualidade sem perder o sentimento de pertencimento”, explicou.
Entre os ambientes previstos estão jardins sensoriais, sala de estimulação sensorial, sala de psicomotricidade, hidroterapia, playground inclusivo, sala de acolhimento, espaços de descompressão, área de aventura, casa na árvore, parede de escalada infantil, praça de convivência, experiências digitais em 5D e espaços de leitura.
A natureza também terá papel central na experiência. Espelhos d’água, jardins e percursos verdes funcionarão como elementos de orientação, conexão e conforto ambiental, enquanto os bangalôs serão implantados em áreas mais reservadas, com proposta de menor estímulo.
“A ideia é que a arquitetura faça parte da experiência. Queremos criar um lugar em que a criança possa se divertir e a mãe consiga descansar, sabendo que existe uma estrutura preparada para acolher aquela família”, destacou a arquiteta.
Inclusão começa antes da chegada
Um dos principais diferenciais apresentados durante o evento foi a proposta de personalização da experiência. De acordo com Bruno Canabarro, diretor executivo do Grupo Makários, o projeto foi desenhado para oferecer uma estrutura de acolhimento sob medida, capaz de responder às particularidades de cada visitante.
Antes da chegada ao resort, a família deverá preencher informações sobre características sensoriais, comunicativas e comportamentais da criança ou do hóspede. A partir desses dados, a equipe poderá preparar a experiência e os recursos necessários.
“A pergunta que fizemos desde o início foi: como fazer com que a experiência se adapte ao nosso cliente e não o cliente precise se adaptar à experiência? A inclusão começa antes de a pessoa chegar ao resort. Queremos conhecer aquela família previamente para que, quando ela chegar, não precise começar tudo do zero”, explicou.
Entre as soluções previstas está a Sense Band, uma pulseira personalizada que deverá reunir informações sobre o perfil de cada criança ou adolescente. Por meio de um sistema integrado, os colaboradores autorizados poderão consultar informações necessárias para oferecer um atendimento adequado, incluindo preferências, necessidades específicas e orientações para situações de crise.
A tecnologia também deverá contribuir para a segurança e autonomia das famílias, com recursos de geolocalização e integração a um aplicativo destinado aos responsáveis.
Outro diferencial será a sinalização sensorial dos ambientes, que permitirá identificar espaços de baixo, médio ou alto estímulo. A classificação poderá variar de acordo com as condições do ambiente em tempo real. O resort também contará com recursos de comunicação visual distribuídos pelos ambientes, além de profissionais capacitados para diferentes formas de comunicação.
Entre os espaços planejados está ainda um concierge sensorial, onde os hóspedes poderão ter acesso, sem custo adicional, a recursos como abafadores, fones e outros equipamentos de apoio. A ideia é que esses itens possam ser previamente separados de acordo com o perfil informado pela família antes da hospedagem.
A acessibilidade será trabalhada em diferentes dimensões: física, comunicacional, sensorial e cognitiva.
Um novo capítulo para o turismo inclusivo
A proposta do Grupo Makários é que o Senses Park Resort ultrapasse o conceito tradicional de hotel adaptado. O empreendimento será concebido desde a origem para receber pessoas com diferentes necessidades, incluindo pessoas com deficiência visual, auditiva, física, intelectual e pessoas neurodivergentes.
A equipe técnica responsável pelo desenvolvimento reúne profissionais das áreas de saúde e desenvolvimento humano das Clínicas Sentidos, entre eles terapeutas ocupacionais e especialistas em comportamento, que participam da construção das soluções do empreendimento.
Para Thaís Salvador, coordenadora técnica das Clínicas Sentidos, essa integração é essencial para que o projeto acompanhe as necessidades reais do público.
“Não seria possível desenvolver um projeto dessa dimensão sem ouvir quem vive essa realidade. Por isso, pais, mães e profissionais que atuam diariamente com essas famílias fazem parte do processo. O Senses está sendo construído com conhecimento técnico, mas também com escuta”, afirmou
Com a implantação no Polo Turístico Cabo Branco, o Senses Park Resort pretende posicionar João Pessoa e a Paraíba em uma nova frente do turismo nacional, além de mostrar que desenvolvimento econômico, hospitalidade e inclusão podem fazer parte da mesma experiência.

