Upcycling transforma peças descartadas em oportunidades para pequenos negócios de moda
Prática de reaproveitamento de materiais pode reduzir desperdícios, agregar valor e fortalecer o posicionamento de marcas de moda
20 de agosto de 2026
Comemorado no dia 21 de agosto, o Dia Internacional da Moda é uma oportunidade para olhar para as inovações que vêm movimentando o setor. Entre elas está o upcycling, prática que consiste em reaproveitar materiais ou produtos que seriam descartados para criar novas peças com maior valor agregado. Para pequenos negócios, pode ser uma estratégia para criar produtos exclusivos, reduzir desperdícios e se aproximar de consumidores que valorizam a sustentabilidade. “A grande inovação, que já é uma realidade ao alcance de todos, é a sustentabilidade impulsionada pela economia circular. Na prática, estamos falando de ações como o upcycling, o uso de matérias-primas recicladas e o desenvolvimento de produtos que durem mais”, destaca Thais Oliveira, gestora nacional de Moda do Sebrae
Peça ‘condenada’ vira obra de arte
O interesse por essa moda circular foi que levou a designer de moda Lídia Keila a criar o brechó GatoFreud, em Goiânia. A marca começou há cerca de seis anos, inicialmente como um hobby, quando ela ainda trabalhava como estilista em uma empresa e começou a vender roupas pela internet. O upcycling surgiu durante os garimpos, quando encontrou peças antigas, muitas vezes feitas com tecidos nobres, mas que apresentavam defeitos que impediam sua comercialização.
“Eu ficava com muita pena das peças antigas, vintage, de tecidos muito nobres, mas que estavam praticamente ‘condenadas’. E aí eu comecei a pegar essas peças e transformar a modelagem, fazer alguns detalhes onde tinham os defeitos. Em paralelo vieram os bordados artísticos. Então eu uni isso à transformação das peças para salvá-las”, conta a empreendedora.
Com conhecimentos de costura e bordado, a designer de moda começou a fazer o que ela chama de “cirurgia” nas roupas. “Pego a gola de uma peça, coloco em outra peça em que a gola está condenada. Pego uma camisa masculina e a transformo numa peça feminina. Eu faço esse tipo de alteração usando o bordado, que é um recurso muito versátil, para fazer essa transformação na peça, esse ressignificado”, diz. Linhas, tecidos retirados de outras peças, cordões e aviamentos ajudam nos acabamentos, com a preocupação de reaproveitar o máximo possível dos materiais disponíveis.
Criatividade como diferencial
Com o tempo, o upcycling passou a definir a identidade da marca. Segundo Lídia, a prática modificou sua maneira de pensar o design, apresentar os produtos e se relacionar com os clientes. “Hoje eu tenho uma marca de brechó que é identificada por essa transformação. O meu lema é uma música do Belchior, ‘Alucinação’, e um trecho é: ‘Amar e mudar as coisas’. Uma peça que poderia ser uma coisa simples, que ninguém olha para ela, eu transformo quase numa obra de arte”.
O resultado são peças únicas, com forte componente artesanal e artístico. O público da GatoFreud é majoritariamente feminino, entre 35 e 55 anos, e tem afinidade com arte, literatura e o meio cultural. “Eu acho que é a exclusividade que o mercado tem pedido, e tem tudo a ver com o jeito que eu enxergo a moda hoje. Essa moda artesanal, com uma curadoria muito específica. Eu tento passar essa comunicação não só no ato de consumir, de reciclar, mas também na mensagem que eu tento passar nas minhas peças”, afirma a designer de moda, que vende suas peças pelo Instagram e presencialmente no Encontro de Brechós, em Goiânia.
Para pequenos negócios, essa diferenciação pode ser especialmente relevante em um mercado cada vez mais digitalizado. “O desafio é se destacar em meio a tantas opções, investindo em uma boa experiência de compra, qualidade dos produtos e em uma forte presença digital”, explica Thais Oliveira.
Segundo a analista do Sebrae, o crescimento do e-commerce e do social commerce (vendas realizadas pelas redes sociais) ampliou as possibilidades de atuação das pequenas empresas de moda ao reduzir as barreiras geográficas. “Antes, um pequeno negócio de moda ficava restrito à sua região. Hoje, com uma loja online e uma boa estratégia de redes sociais, ele pode vender para o Brasil inteiro e até para o exterior”, explica.
Sebrae ajuda a traçar caminhos
O interesse por modelos de produção mais circulares acompanha uma mudança no comportamento do consumidor, especialmente entre públicos mais jovens, que, segundo Thais, valorizam marcas associadas a propósitos éticos e ambientais. Com isso, o upcycling pode ajudar o pequeno negócio a construir posicionamento e agregar valor aos produtos
“Com tantas possibilidades incríveis, a minha maior dica é: procure a agência do Sebrae mais próxima. Apresente seus desafios e onde você deseja chegar, para que possamos desenhar juntos o melhor caminho”, orienta Thais.
Conheça soluções do Sebrae para turbinar o seu negócio
- Técnicas de Upcycling: E-book que auxilia o empreendedor na tarefa de personalizar peças de forma criativa, ensina técnicas de tingimento naturais e mostra o valor do uso das peças de segunda mão, pensando em um diferencial competitivo para a marca.
- Crie Moda Autoral: Oferece soluções gratuitas para apoiar negócios que têm a moda autoral como essência e empreendedores que querem entrar no segmento.
- Economia circular: Conteúdo sobre economia circular como estratégia para produzir e consumir de forma consciente, reduzindo desperdícios e aproveitando melhor os recursos.

