Futuridade 60+ destaca potencial econômico dos empreendedores prateados
Evento realizado na Feira do Empreendedor do Maranhão reforçou oportunidades de inclusão e evidenciou o potencial econômico dos empreendedores com mais de 60 anos
17 de agosto de 2026
Para estimular a autonomia econômica e ampliar as oportunidades para pessoas com mais de 60 anos, o Sebrae realizou, no domingo (16), no Maranhão, o Futuridade 60+, etapa Nordeste. O encontro reuniu especialistas, empreendedores e representantes de instituições que debateram desafios, compartilharam experiências e evidenciaram o potencial econômico de uma parcela da população que já está à frente de mais de 4,5 milhões de negócios no Brasil.
O gerente adjunto da Unidade de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão do Sebrae Nacional, Eraldo Ricardo dos Santos, ressaltou que ouvir os empreendedores 60+ é fundamental para compreender suas necessidades e aprimorar o apoio oferecido pelo Sebrae.
“Esse movimento de ter esse encontro regional, de falar dos desafios e das oportunidades, também é um momento para nós, do Sebrae, de escuta e de aprendizado, para que nós possamos melhorar todas as nossas iniciativas, para que possamos, cada vez mais, auxiliar vocês na jornada empreendedora”, esclareceu.
Dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), maior pesquisa sobre empreendedorismo do mundo, realizada no Brasil pelo Sebrae em parceria com a Associação Nacional de Estudos e Pesquisas em Empreendedorismo (Anegepe), mostram o crescimento dos negócios liderados por pessoas entre 65 e 74 anos.
O levantamento revela que quase 63% desses empreendedores começaram seus negócios após identificar uma oportunidade de mercado. Pouco mais de 32%, por sua vez, iniciaram o empreendimento motivados pela necessidade de gerar renda.
Mais do que uma alternativa para complementar a renda, empreender tem se tornado, para muitos brasileiros dessa faixa etária, uma forma de permanecer ativos, tirar projetos pessoais e profissionais do papel e transformar a experiência acumulada ao longo da vida em novos negócios.
É o caso de Valéria Sá Menezes, responsável pela empresa Costura na Prátika, que encontrou no empreendedorismo uma oportunidade de transformar sua experiência em um diferencial competitivo.
“Empreender depois dos 60 é um desafio, principalmente para lidar com as redes sociais, o Instagram e a produção de vídeos. Mas a experiência no trato com as pessoas é o nosso diferencial. Além de empresárias, somos consumidoras e entendemos de fato o que o público precisa”, reforça.
Economia prateada
No Maranhão, esse protagonismo também aparece nos números. Segundo o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/MA, Celso Gonçalo, um em cada dez pequenos negócios maranhenses tem à frente uma pessoa com 60 anos ou mais.
“Falar de economia prateada é também falar de competitividade. Esse público reúne trajetória profissional, conhecimento de mercado, redes de relacionamento e uma compreensão prática dos territórios. O que precisamos é reconhecer sua dimensão, compreender suas demandas e ampliar as oportunidades”, afirma.
O avanço dos negócios liderados por esse público também reforça a importância de iniciativas voltadas à economia prateada. Para Gilvany Isaac, gestora nacional do Programa de Empreendedorismo Sênior 60+ e do Programa Sebrae Futuridade, os números apontam para a consolidação de um ambiente cada vez mais favorável aos empreendedores 60+.
“Os números não param de crescer e desafiam uma nova economia, onde o ambiente está favorável para os negócios 60+”, reforça.
Experiência, novos sonhos e legado
Aos 60+, Maria Aparecida Bessa, diretora-geral da Serhum Consultoria, segue à frente do negócio que construiu ao longo de mais de 30 anos de trajetória em São Luís. Sua história no empreendedorismo começou com a capacitação pelo Sebrae, onde realizou o Empretec e cursos na área de planejamento estratégico.
Premiada pelo Prêmio de Competitividade de Pequenos Negócios e, em 2025, como Mulher de Negócios do Sebrae, Maria Aparecida hoje compartilha sua experiência com novas gerações e conduz a empresa ao lado da filha, transformando sua trajetória em legado.
“Hoje, aos 60+, continuo empreendendo e vejo essa fase como um momento de muitas possibilidades. Não podemos olhar apenas para as limitações que a idade traz, mas para os sonhos e tudo o que ainda podemos realizar. Nossa experiência, nossas histórias e nossa maturidade profissional são diferenciais importantes para quem empreende e ajudam a construir não apenas negócios, mas também legados”, disse.
Também aos 60+, Vilma Cavalcante, proprietária do Sítio das Cajazeiras, em Raposa, encontrou no empreendedorismo uma nova oportunidade após a aposentadoria. Com um empreendimento em Raposa e o apoio do Sebrae, ela vem fortalecendo sua atuação, ampliando conhecimentos em gestão, empreendedorismo e tecnologia e valorizando a experiência adquirida ao longo da vida como uma forma de contribuir com as novas gerações e manter vivo um legado familiar.
“Depois da aposentadoria, eu me reencontrei e descobri novas possibilidades de conhecimento e realização. A nossa idade nos dá experiência, e é justamente esse aprendizado que nos fortalece. Minha mensagem é de superação: não tenha medo de começar. Ainda temos muitos sonhos, possibilidades e muito a contribuir, e podemos envelhecer de forma ativa, preparada e acreditando no que somos capazes de realizar”, destacou.
Protagonismo e experiência
O encerramento do encontro contou com a participação da cantora e empresária Roberta Miranda, que compartilhou experiências de sua trajetória profissional e abordou temas como protagonismo, construção de carreira e empreendedorismo.
Ao falar sobre sua trajetória, Roberta destacou a maturidade como uma aliada para quem deseja construir novos caminhos profissionais ou empreender depois dos 60 anos.
“A maturidade pode contribuir de diversas maneiras. Para mim, por exemplo, ela me trouxe experiência, garra, fez com que eu trabalhasse mais, diferenciadamente. A maturidade me trouxe uma coisa que nós não temos quando jovens: paciência para continuar”, destacou.
Ela reforçou ainda que a experiência acumulada ao longo da vida pode ser uma importante aliada para quem decide empreender ou iniciar novos projetos depois dos 60 anos.
Fonte: ASN
