Formalização triplica renda de empreendedores com mais de 60 anos, aponta Sebrae
Estudo mostra avanço na escolaridade e crescimento do empreendedorismo sênior, mas revela baixa evolução na regularização dos negócios
30 de julho de 2026
Formalizar o negócio triplica a renda de quem empreende na terceira idade. É o que mostra o estudo “Empreendedorismo Sênior Sob a Ótica da PNAD Contínua”, do Sebrae, realizado a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do IBGE.
No quarto trimestre de 2025, os empreendedores 60+ formalizados atingiram o maior rendimento médio de toda a série histórica, iniciada em 2012. Eles recebem, em média, R$ R$ 7.458, valor mais de três vezes o rendimento superior aos recebidos pelos empreendedores informais (R$ 2.152).
Segundo o estudo, a formalização não apenas eleva a renda no curto prazo, mas amplia o retorno ao longo de todo o ciclo de vida do empreendedor. O levantamento também identifica avanços na escolaridade dos empreendedores seniores.
Entre 2012 e 2025, a proporção desses donos de negócio sem instrução ou com fundamental incompleto caiu de 68% para 46%, redução de 22 pontos percentuais. A fatia com ensino médio completo ou mais passou de 24% para 42%, avanço de quase 19 pontos percentuais.
“O Brasil tinha 4,5 milhões de empreendedores seniores no quarto trimestre de 2025, alta de 59% frente a 2012. Apesar desse crescimento, o universo de empreendedores acima dos 60 anos ainda representa apenas 15% do total de donos de negócios, enquanto a população sênior corresponde a 20% de todos os brasileiros em idade ativa. Por isso, o Sebrae atua com os diagnósticos, pois passamos a atuar com mais assertividade por meio dos nossos programas e soluções de apoio a este segmento”, afirma o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares.
Perfil sênior
Conforme os empreendedores envelhecem, cresce a participação como chefes de domicílio. Entre os jovens, a proporção é de 37% e entre os seniores essa representatividade cresce para 67%, no quarto trimestre de 2025. Na direção oposta, a condição de filho no domicílio, comum entre os mais jovens (35,5%), praticamente desaparece entre os idosos (0,7%).
Na série histórica, porém, a proporção de sêniores que ocupam a posição de chefe de domicílio recuou de 78%, em 2012, para 67%, em 2025. A queda foi acompanhada por um aumento na condição de cônjuge, que subiu de 18% para 27% no período.
Apesar dos avanços em escolaridade e renda, o estudo aponta que os empreendedores sêniores foram o grupo etário com menor progresso em formalização e proteção previdenciária na última década. Entre 2015 e 2025, a formalização entre os seniores avançou pouco mais de 2 pontos percentuais, ante 7,5 p.p. entre os jovens e aproximadamente 7 p.p. entre os adultos.
Segmentação
Os empreendedores sêniores no Brasil são majoritariamente homens (70%) e pessoas brancas (52%), participações acima da média observada no total de donos de negócio (66% homens e 46% brancos). No entanto, os seniores registraram o maior crescimento da participação feminina entre todas as faixas etárias (+3,1 p.p), enquanto a presença de pessoas negras permaneceu praticamente estável (+0,7 p.p.).
Os empreendedores dessa faixa etária se concentram principalmente em Serviços (35%), seguido por Comércio (22%), Agropecuária (18%), Indústria (12%) e Construção (12%). O setor de Serviços ampliou a liderança ao longo da série (+8 p.p.), enquanto a Agropecuária foi a atividade que mais perdeu espaço entre 2012 e 2025 (-11 p.p.).
Fonte: Assessoria