Pix Internacional avança e abre novo ciclo de oportunidades para empresas brasileiras
Integrado ao projeto Nexus do BIS, sistema promete desintermediar transferências internacionais e ampliar a competitividade do país no cenário financeiro global, avalia a Multipagamentos
17 de julho de 2026
O Pix Internacional deixou de ser uma promessa distante e passou a ocupar o centro do debate sobre o futuro dos pagamentos globais. O projeto Nexus, liderado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), prevê a conexão do Pix a sistemas de pagamento instantâneo de cerca de 60 países, viabilizando transferências internacionais em tempo real sem a dependência do SWIFT ou dos cartões de crédito internacionais. O movimento ganhou ainda mais projeção depois que representantes do governo norte-americano passaram a criticar publicamente a expansão do sistema brasileiro, sinalizando o peso geopolítico da iniciativa. Para o mercado de pagamentos, a leitura é clara: trata-se de uma ruptura estrutural com décadas de modelo intermediado.
A trajetória do Pix Internacional já estava desenhada desde 2021, quando o Banco Central do Brasil o inseriu na Agenda Evolutiva do Pix, ao lado de funcionalidades como Pix Saque/Troco, Pix Agendado e Pix Automático. A progressão foi natural: uma vez consolidada a infraestrutura doméstica, a interligação com sistemas internacionais de pagamento instantâneo tornou-se o passo seguinte. O Brasil acumula hoje uma corrente de comércio de US$ 96,87 bilhões com a China, com mais de 33% das exportações nacionais destinadas ao país, e é membro dos BRICS. Esse contexto posiciona o Pix Internacional não apenas como inovação tecnológica, mas como instrumento de política comercial.
“O Pix transformou a forma como o Brasil pensa pagamentos, e o Pix Internacional vai transformar a forma como o Brasil se conecta ao mundo. O que está em jogo não é apenas a redução de custos de transação, mas a reconfiguração do papel do país nas cadeias globais de valor. Para o mercado de pagamentos, isso significa um novo ciclo de adaptação, de oportunidades e, inevitavelmente, de pressão sobre modelos que antes pareciam consolidados,” afirma José Tadeu Bijos, CEO e Presidente da Multipagamentos.”O Pix Internacional não é uma novidade surgida do nada. Ele já estava previsto na Agenda Evolutiva do Pix desde 2021 e representa a evolução natural de uma infraestrutura que o Brasil construiu com consistência. O que estamos vendo agora é esse movimento ganhar escala e projeção geopolítica, o que só confirma a relevância do que foi feito,” afirma José Tadeu Bijos, CEO e Presidente da Multipagamentos.
Para as empresas brasileiras, o impacto depende do perfil de operação. Pequenas e médias empresas integradas a marketplaces terão acesso a mercados internacionais com custos de transação significativamente menores, sem as barreiras impostas pelo modelo tradicional. Para grandes exportadoras, que já operam via SWIFT com suporte a cartas de crédito, o Pix Internacional representa principalmente uma oportunidade de redução de custos operacionais. Em ambos os casos, a desintermediação é o vetor central da mudança. O paralelo com a inclusão financeira doméstica é ilustrativo: assim como o Pix aproximou do sistema financeiro mais de 160 milhões de brasileiros, o Pix Internacional pode aproximar empresas nacionais de mercados antes inacessíveis.
“Para pequenas empresas, a desintermediação aliada aos marketplaces pode abrir mercados inimagináveis, contribuindo diretamente para a balança comercial e para a geração de empregos em regiões onde o trabalho é escasso. Para grandes exportadoras, a decisão será focada em redução de custos. O denominador comum é a eficiência,” avalia Bijos.
Com atuação consolidada em telecom, utilities e energia, a Multipagamentos acompanha de perto os movimentos que o Pix Internacional abre para setores nos quais a empresa avança, como cooperativas e seguradoras. Para cooperativas com operações de exportação, a possibilidade de acessar mercados globais por plataformas próprias, sem depender de intermediários financeiros tradicionais, representa uma mudança de escala. Para o setor de seguros, novos modelos de garantia lastreados em instrumentos de pagamento instantâneo com alcance internacional passam a ser viáveis. Em ambos os casos, ganha destaque a figura do Iniciador de Pagamentos, modalidade regulamentada pelo Banco Central que ainda opera abaixo do seu potencial no mercado e que pode atuar em conjunto com todas as modalidades do Pix disponíveis.
O arcabouço tecnológico necessário, especialmente as APIs abertas pelo Open Finance, já está disponível para viabilizar esses serviços.Para os setores atendidos pela Multipagamentos, como condomínios, cooperativas e seguradoras, as possibilidades são concretas. Seguradoras poderão explorar novos modelos de garantia lastreados em instrumentos de pagamento instantâneo com alcance internacional. Cooperativas de exportação terão condições de acessar mercados globais por meio de plataformas próprias, sem depender de intermediários financeiros tradicionais. Nesse cenário, ganha destaque a figura do Iniciador de Pagamentos, modalidade regulamentada pelo Banco Central que ainda não teve sua dimensão completamente percebida pelo mercado, e que pode operar em conjunto com todas as modalidades do Pix disponíveis. O arcabouço tecnológico, especialmente as APIs abertas pelo Open Finance, já está disponível para viabilizar esses novos serviços.
“O Pix, concebido em sintonia com o Open Banking já consolidado na Europa, traz de forma intrínseca a capacidade de gerar serviços que simplesmente não existiriam sem ele. Para nós, provedores de soluções de pagamentos que atendem setores como cooperativas, seguradoras e condomínios, o Pix Internacional representa o oceano azul de oportunidades,” conclui o presidente da Multipagamentos.
O avanço do Pix Internacional acontece em paralelo à consolidação de outras funcionalidades previstas na Agenda Evolutiva do Banco Central, como o Pix Automático, que deve transformar os modelos de recorrência no país. Para empresas que já investiram na integração com o ecossistema Pix, a internacionalização representa a extensão natural de uma aposta que já se mostrou vencedora no mercado doméstico.
