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Foto: Divulgação

Compras de medicamentos pelo WhatsApp crescem e desafiam rentabilidade das farmácias

Pesquisa com 4 mil brasileiros mostra crescimento das compras remotas, enquanto especialistas alertam para os custos invisíveis que podem comprometer a rentabilidade das operações

30 de junho de 2026

A transformação digital está mudando rapidamente a forma como os brasileiros compram medicamentos. Dados da Pesquisa de Comportamento do Consumidor em Farmácias 2026, realizada pelo IFEPEC (Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa), mostram que 16,6% dos consumidores já realizam compras não presenciais e que o WhatsApp se consolidou como o principal canal remoto do setor, sendo utilizado por 13,3% dos entrevistados para adquirir produtos farmacêuticos. O índice mais do que dobrou em relação à edição anterior do estudo.
O levantamento, realizado com 4 mil consumidores em todas as regiões do país, evidencia uma mudança estrutural na jornada de compra. O consumidor continua valorizando a proximidade e a confiança das farmácias, mas busca cada vez mais conveniência, agilidade e facilidade no atendimento.
Esse movimento tem levado o varejo farmacêutico a ampliar investimentos em canais digitais, delivery, aplicativos e marketplaces. No entanto, especialistas alertam que a corrida pela conveniência pode esconder riscos financeiros importantes para as empresas.
Segundo Stephenson Seleber, especialista em gestão para o varejo farmacêutico, o crescimento das vendas digitais nem sempre é acompanhado pelo aumento da rentabilidade. “A digitalização deixou de ser uma escolha. O consumidor está comprando pelo WhatsApp, aplicativos e outros canais remotos. O desafio é que muitas empresas ampliaram sua presença digital sem calcular corretamente todos os custos envolvidos. Em muitos casos, o faturamento cresce, mas a margem diminui”, afirma.
Custos invisíveis desafiam a rentabilidade

A busca por conveniência fez com que muitas farmácias passassem a oferecer entregas rápidas, atendimento remoto e presença em diferentes plataformas digitais. Porém, por trás dessa operação existem despesas que frequentemente não são incorporadas à formação de preços.
Entre os principais custos estão:

  • comissões cobradas por marketplaces;
  • taxas de aplicativos;
  • despesas com motoboys e logística;
  • combustível e manutenção;
  • taxas de meios de pagamento;
  • custos de integração tecnológica;
  • subsídios de frete gratuito.

Para Seleber, o erro mais comum é absorver todos esses gastos sem avaliar seu impacto na rentabilidade. “O consumidor valoriza a conveniência, mas a empresa precisa entender quanto custa entregar essa experiência. Quando os custos não são monitorados adequadamente, a operação digital pode se transformar em um importante fator de erosão das margens”, explica.
Consumidor mais sensível aos preços

A preocupação com a rentabilidade ganha ainda mais relevância diante do cenário econômico identificado pela pesquisa do IFEPEC. O levantamento aponta que 12,6% dos consumidores afirmam não conseguir comprar todos os medicamentos desejados por questões financeiras, percentual superior ao observado em anos anteriores.
Ao mesmo tempo, a participação dos medicamentos genéricos continua crescendo. Em 2021, eles representavam 27,6% das cestas de compra. Em 2026, esse índice chegou a 32,1%. Os dados mostram um consumidor cada vez mais atento ao equilíbrio entre preço, qualidade, atendimento e conveniência. No entanto, especialistas destacam que essa maior sensibilidade ao preço não significa que a decisão de compra esteja baseada exclusivamente no menor valor.
Segundo Stephenson Seleber, o consumidor avalia a percepção de valor da experiência como um todo, considerando fatores como confiança na farmácia, facilidade de compra, rapidez na entrega, programas de fidelidade e qualidade do atendimento. Isso exige que os varejistas conheçam melhor o perfil dos seus clientes para construir ofertas mais assertivas e rentáveis.
“Muitas empresas acreditam que competir significa apenas reduzir preços, mas essa é uma estratégia cada vez mais perigosa. O consumidor busca conveniência, relacionamento e benefícios que façam sentido para sua realidade. Quanto mais a farmácia conhece seu cliente, maior sua capacidade de oferecer a solução certa sem depender exclusivamente de descontos”, afirma.
Para o especialista, a combinação entre dados, tecnologia e conhecimento do comportamento do consumidor permite desenvolver promoções e ações de fidelização mais eficientes, preservando as margens do negócio mesmo em um ambiente de forte pressão competitiva.
“Hoje o consumidor compara preços com facilidade e espera atendimento rápido. Isso cria um ambiente de margens mais apertadas, onde conhecer detalhadamente os custos da operação e o perfil dos clientes se torna fundamental para a sustentabilidade do negócio”, conclui Seleber.
O novo perfil do varejo farmacêutico

A pesquisa também revela que o setor vive três grandes transformações simultâneas: a digitalização gradual da jornada de compra, o envelhecimento da população consumidora e a crescente busca por serviços e conveniência.
Além do avanço das compras remotas, o estudo mostra que 64,5% dos consumidores já participam de programas de fidelidade e que os clientes acima de 60 anos representam uma parcela cada vez mais relevante para as farmácias. Para atender esse novo perfil, o setor vem ampliando investimentos em tecnologia, relacionamento e integração entre canais físicos e digitais.
Segundo Seleber, a tendência é que o delivery e os canais remotos continuem crescendo nos próximos anos. O diferencial competitivo, porém, estará na capacidade das empresas de equilibrar conveniência e gestão financeira. “O digital já faz parte da rotina do consumidor. O desafio agora não é apenas vender pelos novos canais, mas garantir que essa operação seja sustentável. As farmácias que conseguirem unir experiência, tecnologia e controle de custos estarão mais preparadas para crescer de forma saudável”, conclui.

Fonte: Assessoria