Receita paga na próxima semana o maior lote da história do IR 2026; saiba o que fazer se você não estiver na lista
Segundo lote contempla 9,5 milhões de contribuintes e soma R$ 16 bilhões; especialistas explicam como consultar a restituição, corrigir pendências e usar o dinheiro de forma estratégica
26 de junho de 2026
A Receita Federal realizará no próximo dia 30 de junho o pagamento do segundo lote de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026, considerado o maior da história em número de contribuintes contemplados. Ao todo, 9.585.797 pessoas receberão R$ 16 bilhões em créditos, igualando o maior valor já pago em um único lote de restituição.
Somados os dois primeiros pagamentos do ano, a Receita Federal terá devolvido cerca de R$ 32 bilhões para aproximadamente 18,3 milhões de contribuintes, o equivalente a quase 80% das restituições previstas para 2026.
Segundo Richard Domingos, diretor-executivo da Confirp Contabilidade, os números demonstram um avanço significativo na capacidade operacional da Receita Federal. “Os números mostram um avanço importante da capacidade de processamento da Receita Federal. O contribuinte está recebendo a restituição cada vez mais rápido, mas isso também significa que a fiscalização e o cruzamento de informações estão mais eficientes. Por isso, é fundamental acompanhar a situação da declaração mesmo após a entrega”, afirma.
Pagamento se aproxima, mas contribuintes devem acompanhar a situação da declaração
Embora a consulta ao lote já esteja disponível desde o último dia 23, muitos contribuintes ainda possuem dúvidas sobre a situação da declaração e sobre o recebimento dos valores que serão depositados no dia 30 de junho.
A consulta pode ser realizada diretamente pelo portal da Receita Federal, na área “Meu Imposto de Renda”, ou pelo aplicativo oficial disponível para smartphones e tablets. Além da confirmação da restituição, o sistema permite acompanhar o processamento da declaração e verificar eventuais pendências que possam impedir o pagamento.
“Hoje não basta apenas entregar a declaração. O acompanhamento posterior é cada vez mais importante, pois a Receita consegue identificar inconsistências rapidamente e informar ao contribuinte a necessidade de correções antes mesmo da abertura de um procedimento de fiscalização”, explica Richard Domingos.
Quem está recebendo neste lote
Do total de restituições liberadas pela Receita Federal:
155.060 são destinadas a contribuintes com mais de 80 anos;
1.106.923 para contribuintes entre 60 e 79 anos;
106.294 para pessoas com deficiência física, mental ou portadoras de moléstia grave;
507.768 para contribuintes cuja principal fonte de renda é o magistério;
7.709.752 para contribuintes que utilizaram a declaração pré-preenchida e/ou optaram por receber a restituição via PIX.
Segundo a Receita Federal, neste lote não houve contemplação de contribuintes sem prioridade legal ou sem utilização dos mecanismos digitais que concedem prioridade.
Não recebeu? Nem sempre significa malha fina
O especialista da Confirp alerta que a ausência neste segundo lote ou nos demais não significa automaticamente que o contribuinte caiu na malha fina. “Quem não encontrar seu nome neste lote não deve concluir imediatamente que existe um problema. Em muitos casos, a restituição apenas foi programada para os próximos pagamentos. O importante é verificar o status da declaração no portal da Receita para identificar se existem pendências ou inconsistências”, explica Richard Domingos.
Os erros mais comuns que levam à retenção da declaração envolvem:
divergência de rendimentos informados;
despesas médicas sem comprovação;
omissão de rendimentos;
dependentes declarados em mais de uma declaração;
erros em dados bancários;
diferenças entre as informações prestadas pelo contribuinte e os dados enviados por empresas, bancos, planos de saúde e demais fontes pagadoras.
O que fazer se houver pendências
Caso sejam identificadas inconsistências, a recomendação é agir o quanto antes. “O pior caminho é ignorar a situação. Enquanto não existe procedimento formal de fiscalização, o contribuinte pode corrigir espontaneamente a declaração por meio da retificadora, reduzindo riscos de multas e outras complicações futuras”, afirma Richard Domingos.
A correção pode ser realizada diretamente pelo sistema da Receita Federal por meio da declaração retificadora. O especialista lembra ainda que, após o encerramento do prazo de entrega, não é possível alterar o modelo de tributação escolhido originalmente.
“Quem entregou a declaração pelo modelo completo deve permanecer nesse modelo. O mesmo vale para quem optou pelo simplificado. Essa escolha não pode ser alterada após o prazo final de entrega”, alerta Richard Domingos. Caso o contribuinte já tenha sido intimado pela Receita Federal, a situação muda. As multas podem variar de 75% até 150% do imposto devido em situações caracterizadas como fraude, além da incidência de juros e possíveis desdobramentos na esfera criminal.
E se a restituição não cair na conta?
O pagamento da restituição é realizado exclusivamente em conta bancária de titularidade do contribuinte. Caso exista erro nos dados bancários informados ou algum problema na conta indicada, o crédito não será efetuado.
Nessas situações, a Receita Federal permite o reagendamento do pagamento por intermédio do Banco do Brasil, pelo prazo de até um ano após a primeira tentativa de crédito. Para solicitar o reagendamento, será necessário informar o valor da restituição e o número do recibo da declaração.
“É importante não deixar essa situação sem acompanhamento. Muitas pessoas acreditam que a Receita fará uma nova tentativa automaticamente, mas em diversos casos é necessário que o próprio contribuinte solicite a regularização dos dados bancários”, alerta Richard Domingos.
Caso o valor não seja resgatado dentro do prazo de um ano, a solicitação deverá ser feita diretamente pelo Portal e-CAC da Receita Federal. Próximos lotes de restituição
O calendário restante de pagamentos do IRPF 2026 ficou definido da seguinte forma:
2º lote: 30 de junho;
3º lote: 31 de julho;
4º e último lote: 28 de agosto.
Para Richard Domingos, o cenário deste ano demonstra uma Receita Federal cada vez mais eficiente tanto na devolução dos valores quanto na fiscalização das informações prestadas pelos contribuintes. “O cenário de 2026 mostra uma Receita Federal mais rápida para devolver recursos, mas também mais eficiente na identificação de inconsistências. Isso aumenta a importância do acompanhamento da declaração por parte do contribuinte. Consultar regularmente o extrato do Imposto de Renda pode evitar atrasos na restituição, multas e problemas futuros com o Fisco”, conclui.
Como usar bem o dinheiro da restituição
Além das dúvidas sobre recebimento, cresce também a preocupação sobre como utilizar corretamente os valores recebidos da restituição. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN), Reinaldo Domingos, o ideal é evitar decisões impulsivas.
“A restituição costuma ser vista como dinheiro extra, mas na prática ela deve ser encarada como uma oportunidade de reorganização financeira. O mais importante é usar esse recurso de forma consciente e estratégica”, afirma o presidente da ABEFIN.
Para quem possui dívidas, especialmente cartão de crédito, cheque especial ou financiamentos com juros elevados, a recomendação é priorizar a quitação. “Os juros dessas modalidades normalmente são muito superiores a qualquer rendimento de aplicações conservadoras. Eliminar dívidas quase sempre traz um ganho financeiro maior do que investir sem planejamento”, explica Reinaldo Domingos.
O especialista também orienta cautela para quem pensa em investir imediatamente. “Investir apenas porque determinado produto financeiro está na moda pode ser um erro. O investimento precisa estar alinhado aos objetivos pessoais e familiares, respeitando prazos, perfil e necessidades reais”, destaca.
Entre as principais recomendações para o uso consciente da restituição estão:
quitar dívidas com juros altos;
formar ou reforçar reserva de emergência;
evitar compras impulsivas;
investir com foco em objetivos concretos;
manter planejamento financeiro de médio e longo prazo.
“Mais importante do que o valor recebido é a forma como esse dinheiro será utilizado. Organização financeira continua sendo um dos principais fatores para estabilidade e tranquilidade das famílias”, conclui Reinaldo Domingos.
Fonte: assessoria
