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Foto: divulgação

Copa 2026 impulsiona vendas de Jogos e Figurinhas e acelera varejo alimentar em maio

Categoria cresce sete vezes em unidades, responde por 13,5% do ganho do varejo e mantém impacto nas semanas seguintes

24 de junho de 2026

Fonte: Scanntech – Scann Share

O sucesso do álbum de figurinhas da Copa do Mundo de 2026, entre outros itens relacionados ao mundial, foi um motor de dinamismo para o varejo alimentar brasileiro no mês de maio. Itens relacionados ao campeonato fizeram a categoria de Jogos e Figurinhas crescer sete vezes em unidades vendidas em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse fenômeno sozinho foi responsável por alavancar 13,5% de todo o crescimento em unidades do varejo no mês, injetando fôlego em um cenário que, no geral, manteve-se estável.

Os dados são do Radar Scanntech de maio e mostram que o impacto do futebol deve continuar nas próximas semanas. Conforme a empresa referência em inteligência de mercado, o fluxo de clientes nas lojas costuma crescer 8,3% nos dias que antecedem jogos de futebol em mundiais e, caso a Seleção Brasileira chegue à final, o potencial de crescimento nas vendas gerais pode atingir 8,6%.

“A Copa de 2026 apresenta uma dinâmica distinta da edição anterior. Um torneio mais longo, com maior presença de jogos noturnos e um consumidor mais propenso a acompanhar as partidas em casa deve gerar novas ocasiões de consumo e abrir oportunidades relevantes para a indústria e o varejo”, afirma Felipe Passarelli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech.

Faturamento do varejo alimentar mantém ritmo; comportamento do shopper segue defensivo

Impulsionada pelo efeito Copa, a cesta de Bazar, que compreende Jogos e Figurinhas, registrou o maior crescimento do varejo alimentar em maio, avançando +11,2% em faturamento e +10,0% em unidades vendidas. No cenário geral, o faturamento do varejo alimentar manteve o mesmo ritmo de crescimento nominal observado no acumulado do ano (+1,6%) e o comportamento do consumidor segue estável e defensivo no ponto de venda.

O crescimento foi impulsionado pela aceleração dos preços médios (+4,5%), enquanto as unidades vendidas recuaram 2,8%. Os dados da Scanntech indicam, ainda, que o shopper tem buscado embalagens maiores (+1,0%) como estratégia para diluir o gasto. Ao mesmo tempo, observa-se uma redução na frequência de compras, refletida na retração de 2,7% do fluxo nas lojas.

“Pelo lado dos preços, a inflação mensal da cesta de produtos embalados apresentou sinais de desaceleração em maio, encerrando o mês em +0,17% na comparação com abril de 2026. A variação dos preços médios no período (+0,40%) ficou próxima da inflação da cesta, refletindo um cenário sem o efeito da Páscoa, que tradicionalmente impulsiona um mix de produtos de maior valor agregado”, afirma Passarelli.

Dinâmica das cestas: o que subiu e o que desceu no mês

Além do Bazar, as cestas de Perecíveis (+4,5%) e Mercearia (+1,7%) foram as principais responsáveis pelo crescimento do faturamento no mês, impulsionadas, sobretudo, pelo aumento dos preços médios. Entre as categorias, os maiores avanços foram registrados por Legumes (+20,3%), Bovinos In Natura (+12,9%), Energéticos (+27,5%) e Modificadores (+10,2%).

Na contramão, a Mercearia Básica continua sendo a principal detratora do varejo alimentar, registrando queda acentuada de -8,6% em faturamento. De acordo com a Scanntech, o resultado negativo foi puxado tanto pela retração em unidades (-5,4%) quanto pela deflação expressiva no preço por quilo de itens indispensáveis: Açúcar (-20,1%), Arroz (-16,1%) e Café (-14,1%).

Além disso, a análise do comportamento do consumidor, viabilizada pela tecnologia do Scann Shopper, revela que as compras são organizadas em missões bem definidas, que variam de acordo com a categoria. Entre os destaques de crescimento de incidência nas cestas de compra, sobressaem Frutas em Perecíveis, Petiscos e Snacks em Mercearia e Papel Higiênico em Perfumaria.

“As frutas de peso fixo se destacaram nas missões de abastecimento, apresentando grande coexistência com itens tradicionais da despensa, como biscoitos, iogurtes e leite líquido”, afirma Passarelli. “Por serem categorias importantes na atração de fluxo para as lojas, atributos como frescor, qualidade e visibilidade na gôndola tornam-se fatores-chave para impulsionar o desempenho das vendas”, diz.

Já na cesta de Perfumaria, o grande destaque de incidência foi o Papel Higiênico (+0.3 p.p.). “Categoria de alta prioridade nas missões de abastecimento, o papel higiênico atua como uma verdadeira âncora de cesta, estando presente nos tickets de maior valor da loja. Explorar exposições cruzadas com categorias de limpeza e despensa pode potencializar vendas incrementais e aumentar o valor da compra”, diz Passarelli.

Mudança de temperatura altera o carrinho de compras

A chegada antecipada do frio também influenciou diretamente a rotina do consumidor e impactou o varejo alimentar. Com a temperatura média de maio registrando uma queda de -4,6% em comparação a maio de 2025, categorias tipicamente associadas ao calor perderam espaço.

Na análise de incidência nas cestas de compra, maio apresentou uma inversão em relação a abril. Categorias associadas ao calor perderam presença nas compras dos consumidores, como Cerveja (-0,65 p.p.) e Refrigerante (-0,30 p.p.) em Bebidas, além de Desodorante Aerossol (-0,97 p.p.) em Perfumaria. Em contrapartida, itens relacionados ao inverno ganharam espaço nas cestas, com destaque para Queijos (+0,45 p.p.) e Vinhos (+0,15 p.p.)

Atacarejo segue pressionado e Centro-Oeste é destaque

Os supermercados de grande porte, com mais de 10 checkouts, lideraram o crescimento do mês entre os canais do varejo alimentar, avançando +2,6% em faturamento. Já o Atacarejo permaneceu estável (+0,1%), mantendo-se como o canal com o menor repasse de preços (+3,5%) e enfrentando uma retração mais profunda em unidades vendidas (-3,4%).

No recorte geográfico, o Centro-Oeste consolidou-se como o grande destaque positivo do país, liderando as altas com +3,6% em faturamento e registrando a menor queda em unidades (-0,4%). No extremo oposto, a região formada por Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo foi a única a fechar em queda (-0,5% em valor),com retração severa de -4,4% nas unidades vendidas.

Fonte: Assessoria