Reforma tributária muda regras do Simples Nacional e exige planejamento estratégico imediato para varejos
Especialista alerta que mudanças nas regras a partir de 2027 tornam estratégica a definição do regime tributário, especialmente para o varejo farmacêutico
19 de junho de 2026
O avanço da reforma tributária sobre o consumo no Brasil já começa a gerar impactos concretos em todo o varejo e exige atenção dos empresários. A partir de 2027, o modelo atual, baseado em tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS, será substituído gradualmente pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), inaugurando uma nova lógica de apuração baseada no valor agregado.
Embora a mudança traga avanços como maior transparência e possibilidade de aproveitamento de créditos tributários, o novo sistema também impõe desafios relevantes, especialmente para empresas enquadradas no Simples Nacional. No varejo, onde margens são pressionadas e a dinâmica de preços é sensível, essa mudança exige ainda mais atenção. No caso das farmácias, por exemplo, a complexidade aumenta devido ao mix de produtos e às particularidades tributárias do setor.
A partir de agora, a escolha do regime deixa de acontecer em janeiro e passa a ser feita antecipadamente, com primeira janela entre setembro de 2026 e uma nova oportunidade em março de 2027. Nesse período, o empresário deverá decidir se mantém o recolhimento de CBS e IBS dentro do Simples Nacional ou se opta pelo regime regular, fora da guia única.
Para Stephenson Seleber, presidente da Alpha7 Desenvolvimento de Software, empresa especializada em soluções de gestão para o varejo farmacêutico, o cenário exige planejamento, mas sem decisões precipitadas. “Essa não é uma decisão simples e nem padronizada. Cada empresa tem uma realidade diferente, com estrutura de custos, mix de produtos e fornecedores próprios. No varejo farmacêutico, isso fica ainda mais evidente. Não existe uma resposta única sobre qual caminho é melhor”, afirma.
Segundo o executivo, o momento é de análise, e não de urgência imediata. “O empresário não precisa tomar uma decisão no impulso. Existe uma primeira janela em setembro e outra oportunidade em março de 2027. Mas quem se prepara com antecedência consegue tomar uma decisão mais segura e estratégica”, explica.
A nova estrutura tributária segue a lógica do IVA, permitindo o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia. Na prática, isso pode beneficiar empresas com alto volume de compras tributadas, mas também exige um nível de gestão mais sofisticado. No caso das farmácias, essa análise passa diretamente pelo comportamento de categorias como medicamentos, higiene e beleza.
“O modelo deixa de ser simplificado. O varejista passa a precisar entender profundamente sua operação, desde a origem das compras até a formação de preço por categoria. Nas farmácias, isso é ainda mais crítico, porque diferentes tipos de produtos terão tratamentos distintos. Quem não fizer essa análise corre o risco de escolher um caminho menos eficiente tributariamente”, alerta Stephenson.
Outro ponto relevante é que o impacto da reforma não será uniforme entre os segmentos e nem dentro deles. No varejo farmacêutico, medicamentos tendem a ter tratamentos diferenciados, enquanto categorias como perfumaria devem seguir alíquotas mais próximas do padrão, exigindo ajustes na estratégia comercial e na precificação.
Diante desse cenário, especialistas recomendam que os empresários iniciem desde já a avaliação de cenários, sempre com apoio contábil. “A recomendação é clara: procure sua contabilidade. Essa decisão precisa ser baseada em dados reais da empresa. Não é algo que possa ser generalizado”, reforça o presidente da Alpha7.
A transição para o novo modelo ocorrerá até 2032, mas o planejamento começa agora. Para o varejo, especialmente o farmacêutico, o momento é de adaptação estruturada, com foco em análise e preparação para decisões mais assertivas.
