Daniel Ribeiro: “O cliente está cada vez mais atrás de experiência, mais do que do destino em si”
Presidente do Conselho do Tauá Resort, Daniel Ribeiro, fala sobre expansão, modelo asset light e tendências para o turismo brasileiro
12 de junho de 2026
O Grupo Tauá inicia um novo ciclo de crescimento. Além da expansão por meio de empreendimentos próprios, como o Tauá Resort João Pessoa, que abre as portas em 1º de julho e representa o maior investimento da história da companhia, a empresa aposta agora na Tauá Administradora Hoteleira como uma estratégia para ampliar sua presença nacional no modelo asset light, administrando ativos de terceiros a partir da expertise desenvolvida pela rede.
O maior símbolo desse novo ciclo é o Tauá Resort João Pessoa, que representa o maior investimento da história da companhia. Instalado em uma área de 300 mil metros quadrados, contará com 1.128 quartos quando estiver totalmente concluído, sendo 514 unidades nesta primeira fase. A estrutura foi planejada para receber até cinco mil hóspedes simultaneamente e reúne parque aquático indoor, restaurantes, auditório, espaços para eventos, áreas de lazer e entretenimento voltadas para diferentes públicos.
O projeto ilustra a escala de ambição do grupo: crescer com solidez nos ativos próprios enquanto abre caminho para uma presença nacional via administração de terceiros.
À frente da estratégia de crescimento do Grupo Tauá, o presidente do Conselho, Daniel Ribeiro, analisa os novos caminhos de expansão da companhia, o potencial da Administração Hoteleira como modelo de negócios, as perspectivas para o turismo brasileiro e as principais tendências que devem moldar a hotelaria e o comportamento do consumidor nos próximos anos.
Quais decisões estratégicas foram fundamentais para transformar uma empresa de origem familiar em uma marca nacionalmente reconhecida?
Entender que não somos somente um resort de lazer foi decisivo. O Tauá é um resort de lazer e eventos, e sempre foi concebido dessa forma. Foi essa combinação que nos garantiu a rentabilidade necessária para os investimentos e permitiu o ritmo de crescimento que alcançamos.
Em um setor cada vez mais competitivo, qual é o principal diferencial do Tauá para conquistar e fidelizar os hóspedes?
Costumamos dizer que o cliente escolhe o hotel pela estrutura, mas volta por causa das pessoas. Nós investimos em equipamentos de ponta para atrair o hóspede na primeira visita, mas é a nossa cultura de hospitalidade que o fideliza. Trabalhamos com um atendimento genuinamente humanizado: nossa meta é emocionar o cliente em cada detalhe. Nosso maior diferencial são as pessoas. Essa é, talvez, a principal marca da rede Tauá.
Qual será o impacto do empreendimento para a economia paraibana?
Quando estiver em plena operação, o empreendimento vai gerar cerca de 2 mil empregos diretos e aproximadamente 5 mil indiretos. Além disso, acredito que a chegada do Tauá potencializou a vinda de outros empreendedores para o Polo Turístico Cabo Branco. Eu acredito muito no poder do turismo como gerador de renda e emprego.
O Tauá acaba de lançar a sua administradora hoteleira. Como essa iniciativa se encaixa na estratégia de crescimento de longo prazo da companhia?
O Tauá lançou a Tauá Administradora Hoteleira, uma forma de usar essa expertise de quase 40 anos de atendimento, lazer e eventos para crescer sem uma necessidade de investimento tão grande quanto o nosso negócio hoteleiro exige. A gente tem um modo de gestão muito único, uma cultura muito diferente, e seria uma forma de crescer nesse modelo asset light, tão mais conhecido no exterior, mas que ainda possui um vasto campo de crescimento no Brasil.
O modelo de administração de ativos de terceiros representa uma mudança importante na forma de crescer da empresa. Quais oportunidades o senhor enxerga para o Tauá nesse mercado?
As oportunidades são diversas. Identificamos, em várias regiões do Brasil, muitos players de empresas familiares que ainda não possuem uma sucessão definida e que necessitam de parceiros qualificados para gerir seus ativos. Notamos uma carência no mercado por administradoras focadas especificamente em resorts e lazer; enquanto o setor brasileiro está concentrado na hotelaria executiva e de negócios, o nosso foco é justamente o segmento de lazer. Acreditamos que encontraremos excelentes oportunidades ao longo do país, atuando junto a empresas familiares que buscam essa profissionalização da gestão.
O modelo asset light já é amplamente utilizado por grandes redes internacionais e começa a ganhar força no Brasil. Na sua avaliação, quais fatores serão decisivos para acelerar essa transformação na hotelaria nacional nos próximos anos?
Esse modelo de separar a propriedade da operação é uma realidade consolidada globalmente e representa um caminho sem volta para o Brasil. A chave para essa aceleração será a maturidade do nosso mercado imobiliário. À medida que o investidor brasileiro identificar a segurança e a rentabilidade de investir em fundos focados em hotelaria, veremos uma separação mais clara entre quem detém o ativo e quem opera a experiência. Nos próximos anos, o mercado deve convergir para esse equilíbrio, com fundos imobiliários assumindo a propriedade e empresas especializadas, como o Tauá, e irá garantir a excelência operacional e a rentabilidade do negócio.
Quais são as principais oportunidades que o senhor enxerga para o turismo e a hotelaria brasileira na próxima década?
O Brasil ainda tem muitos destinos, consolidados e não consolidados, que comportam ter um resort da marca Tauá. O entretenimento está cada vez mais acoplado à hotelaria, e vemos muitas oportunidades de estar ao lado de grandes praças de entretenimento. Inclusive estamos em negociações avançadas quanto a isso. E o país está aumentando cada vez mais a chegada de visitantes internacionais. Tivemos um recorde absoluto no ano passado, quase 10 milhões de visitantes, o que melhora a ocupação dos hotéis nos destinos onde atuamos.
Quais tendências internacionais de turismo, hospitalidade e comportamento do consumidor mais chamam sua atenção hoje e que, na sua visão, devem impactar o mercado brasileiro no curto, médio e longo prazo?
Fazendo benchmark e viajando pelo menos uma vez por ano para conhecer os principais players lá fora, o que mais chama a atenção é a preocupação crescente com a experiência que o cliente está tendo dentro do resort. Aquele atendimento humanizado, especial, com contato direto com o hóspede. A gente viu isso crescer muito nos últimos anos e é algo que o Tauá pratica desde a sua essência. O cliente quer ser atendido com sorriso no rosto, quer ter uma conversa agradável com quem está ali para recebê-lo. Isso é uma tendência real e está acontecendo com muita força.
Outra tendência clara é o entretenimento cada vez mais ligado aos grandes destinos de resorts. A pessoa quer ter ali um parque, uma área para as crianças brincarem, uma estrutura grande de lazer para curtir as férias sem precisar sair do hotel para buscar esse entretenimento. Isso a gente vê acontecendo lá fora e aqui no Brasil também.
E vemos muito ainda uma busca por bem-estar, por contato com a natureza, por programações para toda a família. O cliente está cada vez mais atrás de experiência, mais do que o destino em si. Seja gastronômica, de aventura ou de wellness, ele busca por momentos memoráveis naquela viagem. Isso está no centro do que os grandes resorts do mundo estão construindo, e é para onde o Tauá também está olhando.
Fonte: Vitória Bárbara