Estudo cria zonas inéditas para orientar restauração ecológica e uso de sementes nativas no Brasil
Mapeamento divide o país em 48 Zonas de Transferência de Sementes e projeta cenários climáticos até 2100 para aumentar resiliência dos ecossistemas
5 de junho de 2026
O Brasil acaba de ganhar uma ferramenta inédita para melhorar a restauração ecológica no país e aumentar a resiliência dos ecossistemas diante das mudanças climáticas.
Um estudo promovido pelo Redário e publicado na revista científica Plants, People, Planet mapeou o país em Zonas de Transferência de Sementes (ZTS). São 48 zonas que agrupam regiões com características semelhantes de clima e solo, ajudando a orientar de forma mais precisa a coleta e o uso de sementes nativas em projetos de restauração.
A inovação vai além do cenário atual. Os pesquisadores também projetaram como essas zonas poderão se comportar em 2060 e 2100, considerando diferentes cenários climáticos. Com isso, será possível escolher sementes com maior potencial de adaptação às condições futuras, aumentando as chances de germinação, crescimento e sobrevivência das espécies plantadas.
Frente às emergências climáticas, estudo do Redário apresenta ferramenta para implantação de plantios mais resilientes
O estudo aponta que mais da metade do território brasileiro poderá enfrentar mudanças climáticas severas até o final do século. Ao mesmo tempo, muitas regiões ainda não possuem oferta suficiente de sementes nativas para atender às demandas de restauração.
Nos próximos anos, uma plataforma pública disponibilizará mapas das ZTS e informações georreferenciadas sobre cerca de 1.200 espécies nativas, facilitando o acesso a dados estratégicos para projetos de restauração, políticas públicas e conservação dos territórios.
A iniciativa também fortalece a economia da sociobiodiversidade. Com o apoio do ISA, o Redário reúne atualmente 37 redes e grupos coletores, conectando mais de 3 mil coletoras e coletores de sementes nativas, entre povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. Agora as redes de sementes podem olhar no mapa onde devem buscar os compradores para suas sementes.
A combinação entre ciência, conhecimento local e ação em campo abre novas possibilidades para restaurar paisagens de forma mais eficiente, contribuindo para a conservação da biodiversidade e para a adaptação climática em larga escala.
Fonte: Assessoria