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Foto: Divulgação

O que levou a recuperação judicial da Tok&Stok e Mobly, gigantes do mercado de móveis?

Juros altos, retração do consumo de bens duráveis e riscos logísticos podem ampliar os desafios operacionais do grupo dono das duas marcas

13 de maio de 2026

O Grupo Toky, controlador das marcas Tok&Stok e Mobly, anunciou nesta terça-feira (12) o pedido de recuperação judicial, de modo a reorganizar as dívidas e mitigar a crise econômica. A companhia informou uma dívida de cerca de R$ 1,1 bilhão e atribuiu a deterioração financeira à combinação de juros elevados, crédito restrito e queda no consumo de bens duráveis.

 

De acordo com Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Empresarial, o caso evidencia que o mercado de móveis ainda sofre os reflexos da mudança de comportamento do consumidor no pós-COVID. “Durante a pandemia, houve uma explosão na demanda por móveis e itens de decoração por causa do home office e da permanência maior das pessoas em casa. Depois desse pico, houve uma natural desaceleração da demanda, por conta do fim do período pandêmico e retorno ao trabalho presencial, agravada pela inflação, pelo crédito caro e pelo endividamento das famílias”, afirma.

 

Conforme o especialista, a recuperação judicial pode funcionar como uma ferramenta para reorganizar as operações e preservar a continuidade das atividades, mas também traz impactos relevantes na relação com fornecedores, transportadoras e parceiros financeiros. “Empresas desse segmento dependem diretamente de cadeia logística eficiente, estoque bem estruturado e fluxo constante de entregas. Qualquer instabilidade financeira tende a gerar insegurança em fornecedores e operadores logísticos”, explica.

 

O próprio Grupo Toky pediu à Justiça a manutenção de contratos considerados essenciais para o funcionamento das operações, incluindo serviços de logística, transporte, sistemas digitais e computação em nuvem. A companhia também solicitou a liberação de cerca de R$ 77 milhões retidos por uma instituição financeira, alegando risco de colapso operacional e impacto no pagamento de salários.

 

Para Canutto, a logística se tornou um dos principais pilares estratégicos do varejo de móveis nos últimos anos, especialmente após a consolidação do e-commerce no setor. “Hoje, não basta apenas vender. O consumidor exige entrega rápida, rastreamento eficiente e previsibilidade, afinal, todas as plataformas de venda on-line também comercializam móveis e decoração. Em empresas de móveis, qualquer ruptura logística pode afetar diretamente a reputação da marca e aumentar o índice de cancelamentos e reclamações”, diz.

 

Isso exige que as companhias tenham gestão de estoque inteligente, capacidade de entrega rápida e estrutura financeira sustentável. “O cenário tende a favorecer empresas mais enxutas, tecnológicas, com forte presença online e menor dependência de crédito para crescer”, conclui o advogado.

 

Próximos passos da Recuperação Judicial do Grupo Toky

Próximos passos da Recuperação Judicial do Grupo Toky

Etapa O que acontece
Pedido protocolado A empresa apresenta à Justiça a situação financeira e solicita proteção contra cobranças e execuções
Análise do juiz O Judiciário avalia se a companhia preenche os requisitos legais para entrar em recuperação judicial
Suspensão de cobranças Se a RJ for aceita, execuções e cobranças contra a empresa ficam suspensas por 180 dias (“stay period”)
Apresentação do plano O Grupo Toky terá prazo para apresentar um plano de recuperação aos credores
Negociação com credores Bancos, fornecedores e demais credores analisam propostas de pagamento, descontos e prazos
Assembleia de credores Credores votam pela aprovação, alteração ou rejeição do plano de recuperação
Possíveis ajustes operacionais A empresa pode renegociar contratos, rever logística, fechar unidades ou reduzir custos
Fiscalização judicial Um administrador judicial acompanha as finanças e o cumprimento das obrigações da empresa
Risco de falência Caso o plano seja rejeitado ou descumprido, a recuperação judicial pode ser convertida em falência
Tentativa de retomada Se aprovada, a RJ busca permitir reorganização financeira e continuidade das operações
Fonte: Assessoria