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casa de vó
Foto: Arquivo Pessoal/ Paulo Nascimento

Jampa Gastronomia: Casa de Vô, onde a comida nordestina encontra memória e afeto

Paulo Nascimento comenta como Nathalia Táffila transformou vivência com avós em conceito gastronômico; arroz de leite e macaxeira com carne de sol estão entre os pratos

7 de maio de 2026

Há sabores que vão além do paladar. Eles atravessam o tempo, despertam lembranças e conectam histórias. Na gastronomia regional, vemos isso com mais força quando vem acompanhado do chamado “tempero de vó”, aquele toque invisível que mistura tradição e afeto. Em João Pessoa, o restaurante Casa de Vó nasce exatamente desse lugar simbólico: entre a memória e a mesa.

À frente do negócio está Nathalia Táffila, que transformou a própria história de vida em conceito gastronômico. Mais do que um restaurante, a Casa de Vó é uma extensão das vivências que ela construiu ao lado dos avós.

“Eu fui criada com os meus avós, tanto por parte de pai quanto de mãe. Como moravam no mesmo bairro, eu vivia na casa de um e de outro”, relembra. A influência vai além da convivência familiar: os avós maternos tiveram uma lanchonete por 44 anos, ambiente onde Nathalia cresceu e teve seus primeiros contatos com o universo do trabalho e do empreendedorismo.

“Eu cresci lá dentro, cresci empreendendo. Desde cedo eu trabalho”, conta.

Da dor ao propósito

A decisão de abrir o próprio negócio, no entanto, não veio apenas da vocação. Ela também passou por um momento delicado. Após a perda da avó, Nathalia enfrentou um quadro de depressão, experiência que acabou se tornando ponto de virada.

“Quando minha avó faleceu, eu tive depressão. Eu já trabalhava na área administrativa e estava tocando uma cafeteria de outra pessoa, mas tinha muito tempo livre. Foi quando pensei: por que não fazer algo meu?”

A resposta veio carregada de significado: empreender na gastronomia como forma de homenagear suas raízes e ressignificar a dor.

Comer como quem volta para casa

O conceito da Casa de Vó é direto e sensorial: fazer com que o cliente se sinta, literalmente, na casa da avó. Não apenas pela comida, mas pela atmosfera.

“Quis criar um ambiente para a pessoa comer, beber, rir, brincar, conversar. Eu gosto de criar conexão com meus clientes, de receber, de partilhar”, explica Nathalia.

Essa proposta dialoga profundamente com a cultura nordestina, marcada pelo acolhimento espontâneo e pela valorização dos encontros.

“A casa de vó já traz isso, mas o nordestino carrega essa afetividade naturalmente”, completa.

Sabores que representam a Paraíba

No cardápio, a identidade regional é protagonista. Entre os pratos mais pedidos, três se destacam como verdadeiros símbolos da culinária paraibana:

  • Arroz de leite
  • Macaxeira com carne de sol
  • Cuscuz com carne de sol

“Eles nos representam bem. Quem vem à Paraíba e não come cuscuz, macaxeira e arroz de leite, definitivamente não veio”, brinca.

Mais do que receitas, esses pratos funcionam como uma porta de entrada para a cultura local, especialmente em um momento em que João Pessoa vive crescimento no fluxo turístico.

“Os visitantes não vêm só pelas belezas naturais, mas também pela nossa gastronomia, que é uma riqueza de sabor”, afirma.

Crescer também é um desafio

Apesar do sucesso e da conexão com o público, o caminho do empreendedorismo ainda impõe barreiras. Nathalia destaca a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada como o principal entrave para a expansão do negócio.

“Esse é o maior desafio hoje. Voltei ao operacional integral porque não consigo uma equipe que queira crescer junto. Isso acaba limitando o desenvolvimento do restaurante”, revela.

O sabor da lembrança

No fim das contas, o que sustenta a Casa de Vô vai além da cozinha. É a capacidade de transformar comida em experiência emocional.

“A casa da minha avó sempre foi meu lugar preferido no mundo. Era onde eu comia bem e recebia muito amor. Então sempre quis passar não só o sabor, mas reativar essas lembranças, aquele domingo em família, aqueles momentos que só a gente vive ali.”

Entre pratos típicos e memórias afetivas, a Casa de Vô mostra que comer pode ser também um ato de pertencimento. E que, às vezes, tudo o que a gente precisa é de um pouco desse sabor de casa.

Paulo Nascimento

Divulgação

Sobre Paulo Nascimento 

Apaixonado por histórias e sabores, Paulo é estudante de Jornalismo na Paraíba e iniciou a carreira em portais voltados à economia e lifestyle, onde aprendeu a valorizar o olhar atento sobre o cotidiano. Recebeu a Comenda Mário Tourinho de Imprensa por uma reportagem  inovadora e já participou de coberturas em eventos de diferentes áreas. Hoje, integra a equipe da TV Correio e escreve sobre gastronomia,  paixão despertada em workshops do Estadão e do Paladar. Agora, assume o cargo de editor e colunista da Jampa Gastronomia.

Fonte: Paulo Nascimento