Shein e Dafiti estão entre os 10 maiores marketplaces do Brasil; Mercado Livre lidera
Ranking do IRTT mostra que moda ganha protagonismo no e-commerce; Grupo SBF lidera vendas digitais do setor com R$ 3 bilhões online
16 de abril de 2026
A moda deixou de ser apenas uma categoria relevante no e-commerce e passou a figurar entre os protagonistas do setor. Segundo o ranking do Instituto Retail Think Tank (IRTT), que avalia os 300 maiores varejistas do país, a categoria já coloca duas gigantes do setor entre os dez maiores marketplaces brasileiros em 2024.
A Shein lidera com folga entre as plataformas de moda, alcançando R$ 15 bilhões em GMV (Gross Merchandise Volume) no último ano. O resultado colocou a empresa asiática na 6ª posição do ranking geral, mesmo sem integrar a lista das 37 maiores companhias do setor no país.
Na sequência, a Dafiti aparece com R$ 4,4 bilhões em GMV, garantindo a 9ª colocação entre os dez principais marketplaces nacionais.
Vale lembrar que o GMV representa o volume bruto de mercadorias transacionadas em uma plataforma, sem refletir diretamente a receita líquida das empresas.
O cenário mais amplo: Mercado Livre segue na liderança
Apesar do avanço da moda, o comércio eletrônico brasileiro ainda tem como grande protagonista o Mercado Livre, que registrou R$ 138,9 bilhões em GMV em 2024 — um valor três vezes superior ao segundo colocado, o Magazine Luiza, que alcançou R$ 46,1 bilhões no período.
Esse contraste evidencia como, mesmo com a ascensão da moda online, os marketplaces generalistas ainda dominam em volume de transações.
O relatório do IRTT destaca que os marketplaces deixaram de ser simples “shoppings virtuais” e se transformaram em plataformas de dados e relacionamento com consumidores. Nesse movimento, diferentes modelos de atuação ganharam espaço:
- Marketplace out: quando a empresa vende produtos de terceiros.
- Marketplace in: quando a empresa cria e opera sua própria plataforma digital.
Em 2024, quatro grandes empresas de moda e calçados atuaram nos dois formatos: Lojas Renner, Grupo SBF (dono da Centauro e licenciado da Nike), Marisa e Aramis.
A partir de agosto de 2025, a Azzas 2154 também ingressará nesse modelo híbrido, após firmar acordo com a Dafiti para comercializar itens da Arezzo em marketplace out.
Outras oito companhias apostaram apenas em marketplaces próprios, reunindo sellers em suas plataformas: C&A, Riachuelo, Azzas 2154, Dafiti, Privália, World Tennis, Grupo Afeet e Oscar Calçados.
Já nomes como Pernambucanas, Vulcabrás, Track & Field, Lupo, Caedu, Alpargatas, Usaflex, Di Santinni e Grendene preferiram operar exclusivamente em marketplaces de terceiros, sem estruturar canais próprios nesse modelo.
As demais empresas seguem com operações digitais próprias, mas sem abrir espaço para outros sellers.
Ainda fora do digital: casos isolados
O levantamento também mostrou que, entre as 37 maiores varejistas de moda, apenas duas ainda não possuem e-commerce estruturado: Lojas Besni e Lojas Avenida.
A ausência é cada vez mais rara em um setor onde o online já representa parcela significativa da receita.
Quando se compara o ranking geral do setor com a performance digital, surgem diferenças relevantes. O Grupo SBF, por exemplo, aparece em 4º lugar no ranking físico de Moda, Calçados e Artigos Esportivos, mas assume a liderança no digital: em 2024, foram R$ 7,9 bilhões em vendas brutas, dos quais R$ 3 bilhões vieram do e-commerce.
Na segunda posição em receita digital está a Azzas 2154, com R$ 2,8 bilhões no canal online, dentro de um faturamento bruto de R$ 7,1 bilhões. Já a Lojas Renner movimentou R$ 18,4 bilhões em vendas totais, sendo R$ 2,2 bilhões no digital, incluindo as operações cross border, que permitem vender para consumidores em outros países.
A consolidação da moda no e-commerce
Os números reforçam o quanto a moda deixou de ser um nicho para se tornar um dos motores do e-commerce brasileiro. Com o avanço de plataformas internacionais como Shein, a consolidação de players nacionais e a adaptação de redes tradicionais, o setor ganha espaço não só em GMV, mas também na inovação dos modelos de marketplace.
O próximo desafio será equilibrar crescimento com rentabilidade, fidelizando clientes em um ambiente cada vez mais competitivo — e em que o digital já não é opcional, mas condição básica de sobrevivência.
Fonte: CNDL