Varejo alimentar cresce 1,4% no faturamento no 1º trimestre, mas vendas em unidades recuam
Alta foi sustentada pelo aumento de 3,6% no preço médio; Nordeste lidera crescimento regional; consumidor está comprando menos, mas melhor, diz análise
9 de abril de 2026
O varejo alimentar encerrou o primeiro trimestre com crescimento nominal de +1,4% no faturamento em relação ao mesmo período no ano passado e retração real nas vendas, aponta o Radar Scanntech. O resultado, abaixo da inflação do período, foi sustentado exclusivamente pela alta de +3,6% no preço médio, enquanto as unidades vendidas recuaram -2,1%. Mesmo com o movimento de compras para Páscoa, março foi o mês mais fraco do trimestre, com faturamento praticamente estável e forte queda em bebidas, puxada principalmente por efeito calendário — em 2025, o Carnaval foi comemorado em março.

Segundo os dados da empresa referência em inteligência de mercado, houve redução de -2,5% no tamanho do carrinho dos consumidores, considerando a quantidade de itens por ticket de pagamento. Já o fluxo em loja se manteve estável, com +0,2%.
“Nossa análise é de que o consumidor está comprando menos, mas melhor. Categorias premium apresentam aumento em vendas, enquanto itens básicos recuam, possivelmente por desvio de renda das classes D e E para BETs e o aumento da renda disponível da classe média via isenção do Imposto de Renda”, comenta Felipe Passarelli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech.
Somente no mês de março, houve queda de –13,3% em unidades vendidas em Bebidas e –6,7% em faturamento da categoria, afetada pelo efeito calendário do Carnaval. A Mercearia Básica, apesar de apresentar leve alta em unidades vendidas (+1,6%), recuou em faturamento (–7,3%), pressionada pela deflação de –8,7% no preço de itens essenciais como arroz, açúcar, óleo e café.
Por outro lado, a semana de Páscoa, que em 2026 começou em março – diferente de 2025 que contou com sazonalidade em abril -, impulsionou o faturamento em Mercearia (+10,7%), com Ovo de Páscoa (+361,4%) e Chocolate (+50,7%) liderando as variações positivas do mês. O aumento no preço de Bovino in Natura (+8,5%), Energético (+4,8%) e Feijão (+14,1%) também contribuíram para a estabilidade em faturamento em março de 2026 em relação a março de 2025.
“O calendário anual impacta diretamente na dinâmica de compras e isso pode beneficiar e desfavorecer, ao mesmo tempo, determinados meses. Em 2025, tivemos o Carnaval impulsionando março, mas não tivemos a semana de Páscoa, que caiu integralmente em abril. Já este ano, o mês ganhou o pré-Páscoa, mas perdeu o Carnaval”, diz Passarelli.
O Atacarejo, tipo de loja historicamente preferido pelo consumidor mais orientado a preço, é o canal mais pressionado, com queda em faturamento (-0,8%) e em unidades vendidas (-3,5%) no mês de março. Considerando o trimestre, a retração no canal é de -1% em faturamento e -3,8% em unidades vendidas na comparação com o mesmo período em 2025.
Além do tipo de loja, há disparidade regional. O Nordeste lidera o crescimento (+2,3% em faturamento), enquanto São Paulo (–5,5% em unidades) e RJ/MG/ES (–4,8% em faturamento) enfrentam as maiores quedas.
Fonte: Assessoria