Sudene aponta impacto positivo de incentivos fiscais no setor de alimentos e bebidas no Nordeste
Pesquisa realizada em parceria com a Universidade Federal de Viçosa revela geração de empregos, aumento da renda e retorno econômico superior ao custo dos incentivos
6 de abril de 2026
A política de incentivos fiscais da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) tem gerado resultados concretos para a economia regional. Estudo inédito revela que empresas beneficiadas registraram aumento médio de até 20,5% no emprego e 24% na massa salarial, além de um retorno econômico superior ao custo dos incentivos. Para cada R$ 1 investido pelas empresas, foi gerado mais de R$ 1 em efeitos na economia.
Elaborado em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), o levantamento analisou dados entre 2010 e 2023 e confirma o papel estratégico da política para o fortalecimento do setor de alimentos e bebidas no Nordeste. Há impactos positivos na produção, no emprego e na renda, além de estimular investimentos e reduzir desigualdades no Nordeste.
Com base em dados, o estudo aponta que 575 empresas incentivadas pela Sudene do setor analisado mobilizaram R$ 23,7 bilhões em investimentos. Elas estão instaladas em 241 municípios da área de atuação da Sudene. Ao todo, foram realizadas 833 concessões de incentivos fiscais, consolidando o instrumento como uma das principais alavancas de desenvolvimento regional, tanto na redução de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica como de reinvestimento.
O setor de alimentos e bebidas possui forte conexão com as cadeias agropecuárias e desempenha papel central na geração de empregos e renda. Apenas na região Nordeste, a atividade reúne milhares de empresas e responde por parcela significativa do PIB estadual, com destaque para estados como Bahia, Pernambuco e Ceará. Para o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, a política de incentivos fiscais atua, nesse contexto, como mecanismo de compensação locacional, reduzindo custos e ampliando a competitividade das empresas instaladas na Região.
Os resultados do estudo mostram impactos expressivos no desempenho das empresas beneficiadas. Entre os principais indicadores, estão o aumento médio de até 20,5% no estoque de empregos e o crescimento médio de 24% da massa salarial. Também apontam para a geração de mais de 380 mil empregos diretos ao longo do período analisado, reforçando o papel da política como instrumento de dinamização econômica.
Outro destaque do levantamento é a capacidade de interiorização dos investimentos. As empresas apoiadas alcançaram municípios fora dos grandes centros, contribuindo para descentralizar o desenvolvimento e reduzir desigualdades regionais. Apesar da concentração de recursos em alguns estados, como Pernambuco e Bahia, o estudo indica que a política tem potencial para equilibrar ainda mais os resultados, desde que haja aperfeiçoamento na distribuição dos incentivos.
Segundo o coordenador-geral de Estudos e Pesquisas da Sudene, o economista José Farias, a Autarquia realiza avaliações contínuas de seus instrumentos de ação. No caso dos incentivos fiscais, foram analisadas a eficiência, a eficácia e a efetividade. Contribuímos, dessa forma, para o aprimoramento dos instrumentos de desenvolvimento regional. “O resultado foi robusto, mostra que os incentivos têm seu valor e criam oportunidades para o Nordeste”, afirmou.
Inovação
Um aspecto importante é que a UFV, como parte do estudo, realizou uma pesquisa de campo com uma amostra de empresas beneficiadas. Os resultados revelaram mudanças estruturais importantes após o acesso aos incentivos, como crescimento significativo do faturamento, com aumento da participação de empresas que faturam acima de R$ 100 milhões, a ampliação dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e o aumento da presença de empresas de grande porte na Região. Os dados também indicam que os incentivos estimulam a modernização produtiva e decisões estratégicas de expansão.
Fonte: Sudene