logo paraiba total
logo paraiba total
manufatura
Foto: Divulgação

Boom da manufatura impulsiona contratações, mas fraudes em currículos acendem alerta

Com 68% das indústrias ampliando equipes, empresas enfrentam risco crescente de discrepâncias em candidaturas

3 de abril de 2026

O chão de fábrica brasileiro nunca esteve tão aquecido. Dados recentes do ManpowerGroup indicam que 68% das empresas do setor de manufatura pretendem expandir seus quadros no primeiro trimestre de 2026, consolidando o país como um dos polos mais otimistas do globo em geração de empregos industriais. Trata-se de um movimento expressivo que, em um cenário ideal, injetaria talentos e fortaleceria a retomada econômica. No entanto, essa corrida por novos funcionários não pode ignorar a epidemia de fraudes em currículos.

Estima-se que 75% dos brasileiros possuem alguma discrepância no currículo, seja na formação acadêmica, em experiências anteriores ou na omissão de informações relevantes, segundo o DNA Outplacement. Em um momento de contratações em larga escala, o funil de seleção, que já é apertado, pode se tornar um verdadeiro ralo de riscos trabalhistas e reputacionais. A pressão por agilidade para ocupar os postos o mais rápido possível acaba, muitas vezes, atropelando a devida diligência, criando um ambiente fértil para a contratação de profissionais que não correspondem ao que prometem.

Longe dos antigos processos manuais que travavam o RH por semanas, as soluções atuais de background check, ou verificação de antecedentes, integram tecnologia e compliance para entregar respostas em tempo recorde, sem perder o rigor, possibilitando que a base da cultura organizacional seja sólida desde o primeiro dia.

Para Gustavo Sengès, Country Manager da HireRight no Brasil – líder global em verificação de antecedentes -, a modernização desse processo é o que permite às empresas não frear o ímpeto de crescimento. “O segredo está em digitalizar a checagem sem perder o olho no olho. Quando a verificação é automatizada e cruzada com fontes primárias, o RH consegue validar um volume massivo de candidatos em dias, e não em meses, protegendo a empresa sem perder os melhores talentos para a concorrência”, comenta o executivo. A lógica é simples: em vez de eliminar a velocidade, a tecnologia a preserva, agindo nos bastidores enquanto o recrutador mantém o foco na experiência na avaliação comportamental.

Mas quais são as verificações ideais para o chão de fábrica e os cargos operacionais da manufatura? Ao contrário do que se pensa, não basta focar apenas em experiências anteriores. O pacote de segurança precisa ser abrangente, mas adaptado à realidade do setor. A validação documental básica (identidade e CPF) é o primeiro passo para evitar a contratação de pessoas com documentos falsos ou impedimentos legais. A seguir, a verificação de antecedentes criminais também deve ser feita, não por estigmatizar, mas para assegurar a integridade do ambiente de trabalho e a segurança de todos os colaboradores. Já a comprovação de experiências e cursos técnicos é indispensável em um setor que opera com máquinas pesadas e procedimentos padronizados; um operador que diz ter cinco anos de experiência com um determinado equipamento precisa, de fato, ter essa vivência para evitar acidentes e retrabalho.

Outro ponto sensível na indústria são os cargos que envolvem gestão de equipes ou acesso a informações estratégicas, como supervisores de produção e líderes de turno. Para esses, uma checagem mais aprofundada, incluindo referências profissionais (sempre em conformidade com a LGPD), pode evitar a contratação de profissionais com histórico de assédio ou condutas incompatíveis com os valores da empresa.

Para o especialista, “o movimento de alinhamento a padrões globais de checagem já é uma realidade no Brasil, especialmente entre as empresas que buscam reduzir riscos legais e financeiros. Incorporar essas práticas no atual boom da manufatura é uma medida de segurança que equilibra a agilidade exigida pelo mercado com a confiabilidade dos seus quadros, garantindo não apenas o crescimento organizacional, mas uma reputação sólida”, finaliza Sengès.

Fonte: Assessoria