Cinco anos, 11 startups e R$ 180 milhões: o avanço das legaltechs no Brasil
Gestora comemora cinco anos com venda da Cria.AI e captações de R$ 3,8 mi (RevisaPrev) e R$ 3,1 mi (GRTS Digital)
25 de março de 2026
A gestora especializada em Venture Building de legaltechs (startups da área jurídica) Aleve LegalTech Ventures completa cinco anos neste mês com muitos motivos para comemorar. Fundada pela advogada Priscila de Oliveira Spadinger, a Aleve cresceu 80% no último ano: o valor de mercado das suas 11 startups saltou de R$100 milhões para R$180 milhões. Além disso, a venda da Cria.AI, legaltech de automação de documentos jurídicos, marcou o início do ciclo de liquidez da gestora.
O desempenho da Aleve reflete um movimento global de expansão do mercado de legaltechs, que vive um ciclo acelerado de crescimento. Segundo a consultoria Future Market Insights, o setor deve alcançar US$ 68 bilhões até 2034, com crescimento médio anual de 8,7%. Dentro da Aleve, as startups encontram uma estrutura completa para escalar o seu negócio, com um modelo de gestão que une governança, compliance (estar em conformidade com as leis), tecnologia de ponta, acesso ao mercado, jurídico estruturado, captação de recursos e processos de fusões e aquisições (M&A).
Muitas histórias de empreendedorismo estão sendo construídas dentro da Aleve. “Somos a única venture builder brasileira dedicada exclusivamente a legaltechs. O mercado jurídico tem regras muito próprias que startups de outros setores não precisam se preocupar. Temos regulação rígida, restrições à publicidade, ciclos longos de adoção e uma forte dependência de credibilidade institucional. Essa complexidade exige uma abordagem especializada, que é justamente o nosso diferencial”, destaca Spadinger.
Cases de sucesso
Marcos recentes das suas legaltechs foram a captação de R$ 3,8 milhões pela RevisaPrev, startup referência nacional em inovação previdenciária; os R$ 3,1 milhões levantados pela GRTS Digital, especializada na automação de convenções coletivas de trabalho, que já atende empresas como Unilever, McDonald’s, Burger King, C&A, Casas Bahia, Riachuelo, Decathlon, Gerdau, Grupo Raízen e Grupo Boticário; e a entrada da Dynadok, startup de validação documental por inteligência artificial, no ranking 100 Open Startups, entre as empresas mais promissoras do ecossistema de inovação.
A RevisaPrev foi fundada em meados de 2020 e pivotou até encontrar seu modelo de negócio. Ela oferece um serviço inédito no Brasil de adiantamento de valores de aposentadoria, democratizando o acesso ao crédito de forma segura e com juros bem abaixo dos empréstimos em bancos convencionais.
Nos últimos dois anos, a legalfintech fez mais de 90 mil análises gratuitas de aposentadoria, que é a porta de entrada para segurados conhecerem os serviços prestados pela startup, como apoio na concessão de aposentadoria, revisão de benefícios, crédito consignado, restituição de contribuição acima do teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), entre outros.
Bruno Motomatsu, fundador e CEO da RevisaPrev, conta como entrou e cresceu na Aleve: “Quando percebi que nossa ideia era a de uma startup, mas eu não sabia como funcionava esse mercado e esse ecossistema, eu me inscrevi no processo da Aleve. Fomos chamados, fiquei muito feliz, falei com os sócios ‘acho que a gente vai voar!’.”
“No início, nosso modelo não estava escalando de jeito nenhum porque a gente tinha uma limitação operacional, éramos seis pessoas. A tecnologia entrou como ideia da Aleve, de transformar nosso cálculo de análise de previdência em sistema. Isso destravou a RevisaPrev em tudo para chegarmos onde estamos hoje”, afirma Motomatsu.
A GRTS Digital, fundada em 2019, nasceu com o propósito de simplificar e automatizar o cumprimento das convenções coletivas, digitalizando processos que tradicionalmente dependiam de controles manuais e dispersos. A legaltech atua com um sistema baseado em IA, que monitora e interpreta convenções coletivas em tempo real, notificando as empresas sobre mudanças, novas convenções e obrigações. O objetivo é mitigar riscos, garantir conformidade legal e reduzir os custos associados a processos trabalhistas.
“O Brasil é o país com mais sindicatos do mundo, com 18 mil sindicatos e regras locais que mudam todo ano. Uma só empresa pode ter que cumprir centenas de convenções coletivas ao mesmo tempo. A nossa tecnologia organiza esse caos e assegura que as empresas cumpram corretamente cada convenção, com alto grau de acurácia”, explica Uirá Menezes, cofundador e CEO da GRTS Digital.
Ele conta que sua história com a Aleve começou há pouco mais de dois anos. “É um privilégio e orgulho fazer parte do portfólio da Aleve. Posso dizer que a gestora foi essencial nesse processo de preparação da empresa para a nossa primeira rodada de investimentos, que foi em maio do ano passado. Somos muito gratos a todo o apoio que Aleve nos ofereceu e continua oferecendo”, comenta.
Download Coletivo SXSW
Além de celebrar os cinco anos de trajetória e os resultados já alcançados, a Aleve também se movimenta com os olhos voltados para o futuro. Por isso, no próximo dia 1º de abril, a gestora promove um encontro online para compartilhar os principais insights do SXSW 2026, maior festival de inovação do mundo.
A CEO da Aleve, Priscila Spadinger, que esteve no evento vai trazer suas percepções ao lado de convidados que são referência em suas áreas: Danielle Serafino, sócia do Opice Blum Advogados, Marc Tawil, keynote speaker da Exame, e Ruy Coppola, CIO da LawInova e professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo. A conversa vai abordar os sinais mais relevantes das transformações em curso nos negócios, na tecnologia, na inteligência artificial e nas novas lideranças. Inscrições: aqui.
Fonte: Assessoria