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tentativas de fraude, fraudes
Foto: Freepik

Fraude online ainda preocupam: 1 em cada 5 consumidores foi vítima de golpe

Mesmo com sensação de segurança elevada, pesquisa da CNDL e SPC Brasil revela que golpes digitais continuam frequentes e afetam a confiança na compra online

20 de março de 2026

A popularização das compras pela internet trouxe conveniência, velocidade e novas possibilidades de consumo, mas também ampliou os riscos. Apesar de o ambiente digital estar mais estruturado do que há cinco anos, a ameaça de golpes continua presente na rotina dos brasileiros. Segundo a pesquisa “Consumo Multicanal — 2025”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, 19% dos consumidores foram vítimas de fraude online no último ano. É praticamente 1 em cada 5 compradores digitais.

Além disso, 20% sofreram tentativas de golpe, mesmo sem prejuízo financeiro, um dado que reforça a persistência das ameaças e a sofisticação crescente das estratégias utilizadas por criminosos. Ainda assim, o brasileiro atribui ao ambiente online uma nota média de 8,0 para sensação de segurança, um aparente paradoxo que ajuda a explicar o comportamento atual.

A confiança cresce, mas os riscos também

O número de vítimas mostra que, embora o consumidor esteja mais familiarizado com o digital, a confiança não elimina o risco. Muitos usuários se sentem seguros por usar plataformas conhecidas, aplicativos oficiais e meios de pagamento como PIX e cartão de crédito, mas acabam mais expostos quando relaxam a atenção.

Golpes também se tornaram mais difíceis de identificar. Sites falsos cada vez mais parecidos com os originais, links maliciosos enviados por redes sociais ou WhatsApp, perfis fraudulentos em marketplaces e anúncios duvidosos com preços muito abaixo da média fazem parte do cotidiano digital. O consumidor sabe disso, mas ainda subestima esses riscos quando encontra uma “oportunidade imperdível”.

A pesquisa mostra que fatores como frete grátis, preço baixo e promoções agressivas lideram a decisão de compra. É justamente nesse cenário que golpes prosperam: criminosos se aproveitam da busca por ofertas para atrair consumidores a sites falsos ou perfis que prometem descontos impossíveis.

Em marketplaces internacionais e nacionais, apesar dos sistemas de proteção, nem todos os vendedores são verificados com rigor. A sensação de segurança é maior que a segurança real e isso favorece o aumento de fraudes pontuais.

O custo emocional e financeiro do golpe

Perder dinheiro é apenas parte do problema. Golpes digitais afetam confiança, criam medo de comprar novamente e geram um efeito cascata na experiência de consumo. Há casos em que a vítima evita comprar de determinados canais, reduz a frequência de compras ou migra para lojas físicas buscando mais segurança.

Esse comportamento já aparece nos dados: 25% dos consumidores dizem que a confiança na loja é determinante para a recompra, e 57% abandonaram carrinhos recentemente por motivos relacionados à insegurança, como avaliações negativas, medo de fraude ou cobranças inesperadas.

A confiança se tornou um dos principais ativos competitivos, tão importante quanto preço ou frete grátis.

O cenário exige que varejistas reforcem medidas de proteção, ampliem a transparência e eduquem o consumidor. Mensagens claras sobre vendedores verificados, políticas de devolução, meios de pagamento seguros e canais oficiais de comunicação são fundamentais.

Da mesma forma, plataformas precisam ser mais rigorosas na detecção de perfis falsos e na remoção rápida de páginas fraudulentas. Golpes que ocorrem “dentro” de um marketplace repercutem negativamente na reputação da empresa, mesmo quando ela não é a responsável direta.

O consumidor digital amadureceu e quer sentir proteção

Com 71% dos brasileiros comprando online mensalmente, o ambiente digital não é mais novidade. É rotina. E, como toda rotina, precisa ser segura. O consumidor exige proteção invisível, que funcione sem atrapalhar a experiência, e espera que varejistas e plataformas assumam essa responsabilidade.

O desafio agora não é apenas promover conveniência, é garantir confiança em um ambiente onde o golpe evolui tão rápido quanto o comércio eletrônico.

Fonte: CNDL