Fim da patente da semaglutida pode acelerar mudanças no consumo em bares e restaurantes
Popularização de medicamentos à base de semaglutida tende a ampliar mudanças de comportamento dos consumidores e impacta alimentação fora do lar
20 de março de 2026
A patente da semaglutida, substância presente nas canetas emagrecedoras, expira na próxima sexta-feira, dia 20 de março. Com o fim da exclusividade, empresas farmacêuticas podem desenvolver medicamentos com o composto e o consumo deve se tornar mais acessível para classes populares. Como efeito, bares e restaurantes aguardam a intensificação de mudanças nos hábitos alimentares dos consumidores.
A abertura deste mercado, porém, não significa uma chegada imediata de alternativas às farmácias, já que os novos produtos ainda dependem de avaliação e registro pela Anvisa. Ainda assim, a expectativa é de maior concorrência e de redução gradual de preços.
Nesse cenário, é possível que haja um decorrente aumento no número de consumidores desses medicamentos. Como implicação, podem ocorrer ajustes no comportamento do público, incluindo busca por porções menores e opções mais leves, maior compartilhamento de pratos e até mesmo redução do consumo de bebidas alcoólicas.
Alimentação fora do lar já lida com efeitos
Segundo a Abrasel, os primeiros reflexos do uso de medicamentos como Ozempic e Wegovy começaram a aparecer no setor já na segunda metade de 2024, com impacto mais visível entre consumidores de maior renda. Segundo a avaliação, com o avanço dos medicamentos à base de semaglutida, essas mudanças tendem a ganhar escala e exigir respostas mais estruturadas dos estabelecimentos.
Para se adaptar a esse novo cenário, bares e restaurantes já começam a rever formatos de serviço, composição de cardápio e estratégias de precificação. Mesmo após ajustes, como porções menores, opções para compartilhar, inclusão de bebidas sem álcool no menu e experiências mais ajustadas ao consumidor, os estabelecimentos não observam redução no tíquete médio.
Dessa forma, há espaço para quem continua buscando conveniência e prazer, mas com outra lógica de consumo. De acordo com Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, a adaptação não precisa significar perda de rentabilidade.
“O empresário deve compreender a sensibilidade do mercado a essas mudanças no consumo para equilibrar sua oferta e manter o valor do tíquete médio. O desafio dos bares e restaurantes não é resistir à onda das canetas emagrecedoras, mas se adequar a um cliente que continua saindo para consumir, embora faça escolhas diferentes à mesa”, comenta.
Fonte: ABRASEL