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Foto: Freepik

“Comprei e me arrependi”: 6 em cada 10 brasileiros admitem fazer compras por impulso online

Mulheres lideram em roupas e cosméticos; promoções e frete grátis são principais gatilhos para consumo não planejado

19 de março de 2026

O hábito de “clicar sem pensar” se tornou uma marca do consumo digital brasileiro. Promoções relâmpago, frete grátis e lançamentos de novos produtos têm levado milhões de pessoas a comprar por impulso, mesmo sem necessidade real. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise, 62% dos consumidores admitem ter feito compras não planejadas pela internet nos últimos 12 meses.

Desse total, 10% afirmam comprar por impulso quase sempre, 15% frequentemente e 37% às vezes. Apenas 6% dos entrevistados dizem nunca ceder ao impulso. O comportamento revela um traço de consumo emocional que se fortaleceu com a conveniência do digital e o acesso instantâneo a ofertas personalizadas.

Quando o consumo vira reflexo automático

A pesquisa mostra que o comportamento impulsivo está espalhado por todas as faixas etárias, mas é mais comum entre mulheres, principalmente nas categorias de roupas, sapatos e acessórios (44%) e cosméticos e perfumes (32%). Entre os homens, há destaque para comidas e bebidas por delivery (28%) e itens para casa (27%).

Além do apelo visual e da praticidade das plataformas, gatilhos psicológicos e emocionais desempenham papel central nesse comportamento. Felicidade, tédio e necessidade de recompensa estão entre as emoções mais associadas às compras não planejadas. 49% dos consumidores reconhecem os gatilhos que os levam a gastar mais, enquanto 46% nunca refletiram sobre eles.

A influência das promoções é inegável. O levantamento aponta que 54% das compras por impulso são motivadas por descontos, seguidas por frete grátis (45%), lançamentos de produtos (25%) e ofertas com tempo limitado (22%). Essa combinação cria um ambiente de urgência e desejo, que muitas vezes termina em gastos acima do planejado, comportamento que 40% dos consumidores admitem já ter vivido.

As consequências aparecem nas finanças pessoais: 35% afirmam ter se endividado ou deixado de pagar contas devido a compras por impulso, e 20% tiveram problemas com o cartão de crédito. Mesmo assim, o sentimento pós-compra é ambíguo: 28% dizem sentir satisfação ou felicidade, mas 15% relatam arrependimento e 15% medo de dívidas.

Entre prazer e culpa

O fenômeno das compras por impulso revela um equilíbrio instável entre prazer imediato e preocupação posterior. O consumidor se vê estimulado a comprar para aliviar emoções, celebrar conquistas ou simplesmente preencher o tempo. No entanto, o bem-estar é frequentemente seguido por culpa e insegurança financeira, um ciclo que o varejo digital ajuda a alimentar com estratégias de personalização e estímulos visuais contínuos.

Apesar do comportamento disseminado, há sinais de busca por mudança: 72% dos consumidores afirmam já ter tentado reduzir as compras por impulso online, e 57% conseguiram sucesso. O dado mostra que, com educação financeira e autoconhecimento emocional, é possível quebrar o ciclo da impulsividade e transformar o consumo digital em uma experiência mais equilibrada.

Com o avanço das plataformas de e-commerce e da publicidade personalizada, o desafio agora é duplo: para os consumidores, resistir ao apelo do imediatismo; e para as empresas, adotar práticas mais responsáveis de estímulo ao consumo.

Fonte: Assessoria