Com R$ 300 bilhões em circulação, periferias impulsionam economia criativa no Brasil
Potência econômica das favelas ganha destaque, mas acesso a oportunidades ainda é desafio para transformar talento em renda
18 de março de 2026
As favelas brasileiras movimentam cerca de R$ 300 bilhões na economia, superando o Produto Interno Bruto (PIB) de países como Bolívia e Paraguai, segundo o Instituto Data Favela. O dado evidencia a potência criativa que emerge desses territórios, onde artistas, produtores culturais e microempreendedores buscam transformar esse fluxo econômico em qualidade de vida e oportunidades reais.
Apesar desse cenário, o acesso a oportunidades ainda é um desafio. O relatório Sonhos da Favela 2026 aponta que 38% dos entrevistados desejam ter um negócio próprio, seguido por “trabalhar com o que gosta” (24%), “passar em um concurso público” (16%) e “conseguir um emprego” (6%).
Mesmo em um dos maiores polos da economia criativa do país, a educação segue como principal caminho de ascensão social. Nesse contexto, políticas públicas que promovam visibilidade, geração de renda e inserção em redes produtivas são fundamentais para superar barreiras e fortalecer as comunidades.
Para Nathalia Leal, Gerente das Escolas Criativas Boca de Brasa da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Prefeitura de Salvador, iniciativas de formação que valorizam os territórios contribuem para que jovens se tornem protagonistas de suas trajetórias. “Trabalhar com cultura nas periferias é lidar com arte, economia e identidade ao mesmo tempo. Não basta criar ações pontuais, é preciso investir em formação e fortalecer redes locais. É assim que transformamos talento em profissão e ajudamos a construir trajetórias e vínculos duradouros nas comunidades”, afirma.
Ela destaca ainda que descentralizar a cultura é essencial para ampliar oportunidades. Nesse sentido, o Movimento Boca de Brasa, que chega a sua 9ª Edição, nos dias 26, 27 e 28 de março, se consolida como uma política pública que reconhece e impulsiona o potencial criativo das periferias, especialmente por meio das Escolas Criativas Boca de Brasa. “O movimento cria oportunidades para artistas, produtores e empreendedores apresentarem seus trabalhos, ampliarem suas redes e fortalecerem suas trajetórias. Esse processo começa na base, com formação e suporte. Ao integrar formação, circulação artística e economia criativa, fortalecemos os territórios e impulsionamos a sustentabilidade da produção cultural na cidade”, reforça.
Considerado um programa de formação e aceleração de carreiras, o Boca de Brasa atua diretamente nas comunidades, promovendo qualificação artística e técnica e ampliando o acesso aos meios de produção cultural. A iniciativa cria caminhos concretos para a inserção de jovens no mercado criativo.
“A Prefeitura de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Mattos, vem fortalecendo comunidades inteiras e reconhecendo a potência das periferias. Hoje, vemos uma produção artística cada vez mais qualificada, conectada e pronta para ocupar novos espaços na economia criativa”, conclui Nathalia Leal.
Fonte: Assessoria