Saúde mental da mulher: Afya Educação Médica alerta para aumento de ansiedade e depressão no Brasil
No Mês Internacional da Mulher, especialista destaca sobrecarga feminina, impacto da dupla jornada e importância do cuidado psicológico
9 de março de 2026
No Mês Internacional da Mulher, a Afya Educação Médica chama atenção para um tema cada vez mais urgente: a saúde mental da mulher no Brasil.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mulheres têm quase o dobro de chance de desenvolver transtornos como ansiedade e depressão em comparação aos homens. No Brasil, o cenário preocupa: segundo o Ministério da Saúde, os transtornos de ansiedade estão entre as principais causas de afastamento do trabalho, com maior incidência entre o público feminino.
Além disso, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE) mostram que as mulheres dedicam, em média, quase o dobro do tempo semanal aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas quando comparadas aos homens — fator diretamente associado à sobrecarga emocional e mental.
Para a médica psiquiatra e professora da Afya Educação Médica, Raquel Cordeiro, é fundamental discutir o tema sob a perspectiva da realidade social da mulher brasileira.
“A mulher ocupa múltiplos papéis ao mesmo tempo: profissional, mãe, cuidadora, parceira. Essa sobreposição de funções aumenta significativamente os níveis de estresse e pode desencadear quadros de ansiedade, depressão e síndrome de burnout”, explica Raquel Cordeiro.
Ansiedade e depressão em mulheres: por que os números são maiores?
De acordo com estudos epidemiológicos globais, fatores biológicos, hormonais e sociais contribuem para a maior prevalência de transtornos mentais em mulheres.
Entre os principais fatores de risco estão:
Dupla ou tripla jornada de trabalho
Violência doméstica e desigualdade de gênero
Pressões estéticas e sociais
Sobrecarga na maternidade
Falta de rede de apoio
Segundo levantamento da OMS, a depressão é uma das principais causas de incapacidade no mundo e afeta mais de 280 milhões de pessoas — sendo as mulheres maioria nesse cenário.
“A vulnerabilidade feminina não está apenas relacionada à biologia. Existe um contexto social que impõe responsabilidades desproporcionais às mulheres. Muitas vezes elas priorizam o cuidado com os outros e negligenciam os próprios limites emocionais”, ressalta Raquel Cordeiro.
Saúde mental feminina: quando procurar ajuda?
Reconhecer os sinais precoces é essencial para evitar o agravamento dos quadros.
Entre os principais sintomas que indicam necessidade de avaliação profissional estão:
Tristeza persistente
Crises frequentes de ansiedade
Alterações no sono e no apetite
Irritabilidade constante
Cansaço extremo mesmo após descanso
Sensação de sobrecarga e esgotamento
“Cuidar da saúde mental é um ato de responsabilidade e de autocuidado. Procurar terapia ou acompanhamento psiquiátrico não significa fraqueza, mas sim consciência e maturidade emocional”, reforça Raquel Cordeiro.
A Afya Educação Médica destaca que ampliar o debate sobre saúde mental da mulher é fundamental para reduzir o estigma e promover informação de qualidade.
“Mais do que homenagens, precisamos falar sobre prevenção, acolhimento e acesso ao cuidado em saúde mental. O bem-estar emocional deve ser prioridade em todas as fases da vida feminina”, conclui Raquel Cordeiro.
Fonte: Vivass Comunicação