Luto e responsabilidade: mulheres assumem maioria das decisões após morte de familiar, apontam especialistas
Sobrecarga emocional e burocrática recai, na maioria das vezes, sobre filhas, esposas e mães, apontam especialistas em luto
6 de março de 2026
No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a reflexão sobre desigualdade de gênero também passa por um tema pouco discutido: quem assume as decisões mais difíceis quando uma perda acontece dentro da família.
Embora o luto seja uma experiência coletiva, a responsabilidade prática pela organização da despedida — desde resolver questões legais até decidir sobre velório e sepultamento — costuma recair sobre as mulheres. Esse fenômeno está ligado à chamada “economia do cuidado”, um conjunto de tarefas invisíveis que historicamente são atribuídas ao universo feminino.
De acordo com um estudo do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, cerca de 75% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo é realizado por mulheres. Essa lógica se estende também aos momentos de perda, quando filhas, esposas ou irmãs frequentemente assumem a condução das decisões enquanto lidam simultaneamente com a própria dor.
Segundo Simône Lira, psicóloga especialista em luto do Grupo Morada — holding responsável pelas marcas Morada da Paz, Morada da Paz Essencial e Morada da Paz Pet — essa sobreposição de responsabilidades pode tornar o processo de elaboração da perda ainda mais complexo.
“Quando existe um vínculo de cuidado entre familiares, a pessoa que cuidava passa a sentir uma responsabilidade muito grande pela saúde daquela pessoa. Quando a morte acontece, além de lidar com todos os sentimentos da perda, muitas vezes surge um sentimento intenso de culpa”, explica a psicóloga.
Para a especialista, a necessidade de resolver questões burocráticas e práticas logo após o falecimento também interfere na vivência emocional do luto.
“Muitas mulheres precisam suspender temporariamente seus próprios sentimentos para resolver documentos, decisões familiares e organização do funeral. Quando finalmente há espaço para sentir a perda, elas já estão novamente absorvidas pelas demandas da rotina”, afirma Simône.
Esse acúmulo emocional pode trazer impactos para a saúde mental. “A sobrecarga e o silenciamento desses sentimentos podem contribuir para quadros de ansiedade e depressão em mulheres que exercem esse papel de cuidadoras”, acrescenta a psicóloga.
Uma das formas de reduzir esse peso, segundo Simône, é ampliar o diálogo familiar sobre a morte e incentivar o planejamento antecipado das decisões relacionadas ao fim da vida.
“Assim como organizamos outras áreas da vida, pensar previamente em questões relacionadas à despedida pode ajudar a reduzir a carga emocional e prática que normalmente recai sobre uma única pessoa da família”, destaca a profissional.
Nesse contexto, o planejamento antecipado de serviços relacionados à despedida também surge como uma forma de reduzir a quantidade de decisões burocráticas no momento da perda. Planos de assistência funeral, como os oferecidos pelo Morada da Paz Essencial, permitem que aspectos práticos sejam organizados previamente, diminuindo a pressão sobre quem assume a condução da despedida.
“Quando essas questões já estão organizadas previamente, especialmente as mulheres que costumam assumir essas responsabilidades conseguem viver o luto com mais espaço para acolher seus próprios sentimentos”, conclui a especialista.
Fonte: Assessoria